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27 julho 2017

Razão de Viver - Espírito Joanes

 
RAZÃO DE VIVER


É consideravelmente grande o número de pessoas que se ergue pela manhã sem qualquer sentido para o seu despertar. Se dormiu sem nenhum objetivo, acorda do mesmo modo, transformando todo o seu dia, a partir de então, em uma experiência insossa ou vazia.

Em decorrência desse oco no campo da existência, é que incontáveis criaturas põem-se a vagar pelas ruas, sem nenhum objetivo, ficando à mercê do que apareça, do que aconteça no passar do dia.

Essa experiência de levar uma vida sem direção costuma fazer com que nas pessoas não considerem a importância do tempo, a grandeza de cada oportunidade que a encarnação apresenta. Desaparece qualquer significação para família, amigos, trabalho. O indivíduo costuma deixar-se levar pelos ventos do acaso ou pelas correntezas do "deixa acontecer".

Quando se estabelece esse estado d'alma, a pessoa corre o risco de ser traga pelo aguaceiro das circunstâncias, completamente desprevenida, sem quaisquer resistências morais para facear qualquer perigo.

Com certeza, esse não é o melhor modo de se viver.

É urgente que nos possamos sentir como peças importantes nas engrenagens da vida, tomando gradual consciência quanto ao nosso exato papel frente às leis de Deus.

Seria muito belo se cada pessoa, principalmente as que ainda não encontraram sentido para as próprias vidas, resolvesse perguntar-se: o que é que posso fazer em prol do mundo onde estou? Ou, por outro lado: afinal, para o que pe que eu vivo? Para quem é que eu vivo?

Muito dificilmente não achará respostas valiosas, caso esteja, de fato, imbuída da vontade de conferir um sentido para a sua existência no mundo.

Cada um de nós, quando se encontra nas pelejas do mundo terreno, pode viver para atender, para cuidar de alguém ou de alguma coisa, dando valor as suas horas. É importante e necessário dar sentido à vida. É, sim, importante viver por algo ou por alguém. Tal experiência irá desatando os filetos do nosso amor, que se tornarão cascatas, até que se transformem em gigantescas cachoeiras, derramando as energias dessa luminosa virtude.

Dedique-se a um ser que lhe seja querido, que lhe sensibilize a alma, e passe a viver em homenagem a ele, ou a eles, se forem vários.

Dedique-se a uma causa que lhe pareça significativa para o bem geral, e passe a viver em cooperação com ela.

Dedique-se a cuidar de jardins, de animais, do ambiente. Apóie-se seja no que for, desde que voltado para as fontes do bem, que alimentará seu íntimo, a fim de que seus passos pela Terra não sigam a esmo, ao azar.

Quando se encontram razões para viver, passa-se a respeitar e a honrar as bênçãos da existência terrestre, o que converte cada momento em oportunidade valiosa para crescer e progredir.

A vida na Terra não precisa ser um 'campo de concentração' a impor-lhe tormentos a cada hora. Se você quiser, ele será um jardim de flores ou um pomar de saborosos frutos, após a sementeira responsável e cuidadosa que você fizer. Dedique-se a isso.

Empreste sentido e beleza a cada um dos seus dias terrenos. Liberte-se desse amortecimento da alma que produz indiferença. Sinta que, apesar de todos os problemas e danações que se abatem sobre a humanidade, a chuva nutriente continua a beijar a face do mundo e um sol magnífico segue iluminando e garantindo a vida em todo lugar. Isto porque todos nós somos alvos da dedicação de Deus.

Meditação: A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance.

Espírito Joanes 
Mensagem extraída do Livro Para Uso Diário 
Psicografia José Raul Teixeira 

26 julho 2017

O Espírita no velório, cerimônia do “até já”,“até logo”, “nos veremos em breve” - Jorge Hessen

 

O ESPÍRITA NO VELÓRIO, CERIMÔNIA DO "ATÉ JÁ", "ATÉ LOGO", "NOS VEREMOS EM BREVE"
 

Certa vez, um confrade segredou-me que não permitirá velórios no sepultamento de seus familiares mais próximos, porque é totalmente contra tal tradição mortuária. Não vê lógica doutrinária nesse tipo de cerimonial. Crê que após constatada a desencarnação, em no máximo algumas poucas horas, deveriam ser feitos os preparativos para o sepultamento, sem rituais religiosos.

Busquei esclarecê-lo de que velório ou “velação” não é necessariamente um ritual religioso”, portanto não está associado a religiões, até porque seu início dá-se quando a pessoa está doente e precisa de ser velada, cuidada, vigiada. Pois é! A origem da palavra velar que dá origem a velório vem do latim "vigilare", que dá significado de vigilância. E mais: o termo velar não se refere às "velas", flores, missas, cultos, mas (repito) ao verbo "velar" (de cuidar, zelar).

O dicionarista define o verbo velar como "ficar acordado ao lado de (alguém)", "ficar acordado durante (um tempo)" e ainda "manter-se de guarda, vigia" dentre outras definições. O termo tem uma conotação exata se de fato as pessoas que vão "velar" o falecido, realmente o fazem com atitude de zelo, vigília, respeito e de despedida do corpo que serviu ao espírito durante a experiência que se encerra.

É evidente que velar o defunto é atitude respeitável. No velório devemos orar respeitosamente ao amigo que se despoja do corpo físico, dirigindo-lhe por exemplo (como sugestão) a prece indicada por Allan Kardec contida no cap. XXVIII, item 59 do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulado “Pelos recém-falecidos”. [1] 

Protocolarmente ou não, no velório nos solidarizamos com os parentes e amigos do “morto”, auxiliando no que for preciso, seja ofertando um abraço fraterno ou apenas a presença serena, numa empatia repleta de misericórdia, na base da paciência e do estímulo, da consolação e do amor, como nos instrui Emmanuel. [2]

Em contrapartida, em muitos casos essa celebração se desviou, e muito, do sentido ético, pois acima das emoções justificáveis por parte dos parentes e amigos, ostenta-se um funeral por despesas excessivas com coroas de flores, santinhos, escapulários, velas que podem ser usados em doações a instituições assistenciais, conforme instrui André Luiz. Ouçamo-lo: Os espíritas devem dispensar, nos funerais, as honrarias materiais exageradas e as encenações, pois considerando que "nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo", importa, porém, que lhe enviemos cargas mentais favoráveis de bênçãos e de paz, através da oração sincera, principalmente nos últimos momentos que antecedem ao enterramento ou à cremação. Oferenda de coroas e flores deve transformar-se "em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário". [3]

Social, moral e espiritualmente, quando comparecemos a um velório exercemos abençoado dever de solidariedade, proporcionando consolação à família. Infelizmente, tendemos a fazê-lo por desencargo de consciência formal, com a presença física, ignorando o decoro espiritual, a exprimir-se no respeito pelo recinto e no esforço de auxiliar o desencarnado com pensamentos elevados.

Ora, o desencarnado precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas. Em o livro Conduta Espírita, o Espírito André Luiz mais uma vez adverte-nos para "procedermos corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. O recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se. “É importante expulsar de nós quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecermos". Até porque a "solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana". [4]

Deploravelmente, poucos se dão ao cuidado de conversar baixinho, principalmente no momento da remoção do cadáver do recinto para a “catacumba”, quando se amontoam maior número de pessoas. Temos motivos de sobra para a moderação, cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, em voz baixa, de forma edificante.

Podemos fazer referências ao finado com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. Oremos em seu benefício, porque “morre-se” como “se vive”. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nem compareçamos ou nos retiremos do ambiente, evitando alargar o estrepitoso coro de vozes e vibrações desrespeitosas que afligem o recém-desencarnado, até porque o “morrer” nem sempre é o “desencarnar”.

Referências bibliográficas:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 59, RJ: Ed. FEB, 1939
[2] Xavier, Francisco Cândido. Servidores no Além, SP: Editora – IDE, 1989
[3] Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
[4] Idem



Jorge Hessen

25 julho 2017

Comece por você - Momento Espírita


COMECE POR VOCÊ


Para quem tem olhos de ver, em toda parte ensinamentos se fazem presentes.

No túmulo de um bispo anglicano, que está na cripta da Abadia de Westminster, na praça do Parlamento, em Londres, pode-se ler o seguinte:

Quando eu era jovem, livre, e minha imaginação não tinha limites, eu sonhava em mudar o mundo.

À medida que me tornei mais velho e mais sábio, descobri que o mundo não ia mudar. Reduzi, então, meu campo de visão e resolvi mudar apenas meu país.

Mas acabei achando que isso, também, eu era incapaz de mudar.

Envelhecendo, numa última e desesperada tentativa, decidi mudar apenas minha família, os mais próximos, mas, ai de mim, eles não estavam mais ali.

Agora, no meu leito de morte, de repente percebo: se eu tivesse primeiro me empenhado apenas em mudar a mim mesmo, pelo meu exemplo eu teria mudado minha família.

Com a inspiração da família e encorajado por ela, teria sido capaz de melhorar meu país e, quem sabe, poderia até ter mudado o mundo. Quase sempre, pensamos e agimos exatamente assim. É comum lermos um trecho do Evangelho e logo pensarmos como aquelas frases seriam muito importantes para alguém da nossa família.

Quando ouvimos uma palestra edificante, que concita ao bem, logo nos vem à mente o pensamento de que seria muito bom se determinada pessoa estivesse ali para ouvir.

Isso faria muito bem para ela! É o que dizemos para nós mesmos.

Como esta informação a poderia modificar, mudar sua forma de agir!

Quando estamos vinculados a uma determinada religião, o pensamento não é diferente.

Ficamos a desejar que nossos parentes, nossos amigos, colegas professem a mesma crença, comunguem dos mesmos ideais.

Por vezes, chegamos a nos tornar um pouco inconvenientes, ou talvez até em demasia, mandando recados, frases escolhidas para os amigos.

Tudo nesse intuito de que eles as leiam, as absorvam e coloquem em prática.

São frases que se referem aos bons costumes, à ética, à moral e quem as recebe, com certeza, pensará também: Seria muito bom que o remetente colocasse em prática essas fórmulas. Ele precisa disso.

Por isso é que o mundo ainda não é esse local especial que tanto ansiamos: um oásis de compreensão, com aragem de paz e fontes cantantes de fraternidade.

Porque cada um de nós deseja, pensa, anseia por mudar o outro. Por fazer que o outro se revista de compreensão, de polidez.

Contudo, o Modelo e Guia da Humanidade estabeleceu que cada um deve dar conta da sua própria administração.

Administração da sua vida, dos seus deveres, da sua missão.

O mundo é a somatória de todos nós, das ações de todos os homens.

Cabe-nos pois a inadiável decisão de nos propormos à própria melhoria.

E hoje, hoje é o melhor dia para isso. Nem amanhã, nem depois.

Hoje. Comecemos a pensar em que poderemos nos melhorar.

Quem sabe, um gesto de gentileza? Que tal um bom dia? Um obrigado, um sorriso?

Pensemos nisso.


Por Redação do Momento Espírita

24 julho 2017

Doenças mentais e obsessões - Joanna de Ângelis


DOENÇAS MENTAIS E OBSESSÕES

Questão grave que requisita acurados estudos e contínuo exame, a fim de haurir-se necessário conhecimento, a que diz respeito à problemática das distonias e afecções psíquicas, sejam decorrentes dos transtornos orgânicos e mentais, sejam de causa obsessiva.

Em cada processo de alienação mental há uma causa preponderante com complexidades que escapam ao observador menos vigilante e pouco adestrado, em relação às questões do Espírito.

Sendo o homem um Espírito encarnado em processo evolutivo, somente por meio do seu conhecimento espiritual serão possíveis os esforços exitosos no solucionamento dos distúrbios que o surpreendem no trânsito carnal.

Cada enfermidade mental tem sua etiopatogenia específica sediada nas intricadas tecelagens do perispírito do paciente, como resultado do comportamento que se permitiu de maneira equivocada. Isto porque as soberanas Leis da Justiça Divina sempre alcançam os infratores dos seus estatutos, onde quer que se encontrem.

O homem, por meio das realizações, construções mentais e atitudes, instala nos centros da vida pensante os germens dos distúrbios que produzem alienações as mais diversas, impondo os impostergáveis ressarcimentos pela autopunição, por meio das psicoses, psicopatias, psiconeuroses, traumas, obsessões que se apresentam em múltiplos aspectos...

Da neurose simples às complexas manifestações da hidro, da micro e da macrocefalia, do mongolismo [Síndrome de Down], da esquizofrenia, as causas atuais possuem suas matrizes na anterioridade do caminho percorrido, no passado, pelo Espírito ora em alienação...

As agressões à caixa craniana e ao cérebro, pela desarvoração que conduz ao suicídio, engendram as anomalias da constituição morfológica e de funcionamento das engrenagens mentais desarranjadas pelos petardos e atentados perpetrados na suprema rebeldia a que o homem se entrega...

Ninguém foge à vida sem se surpreender com ela mais adiante... Pessoa alguma se evade à responsabilidade sem que se veja defrontada pelos problemas criados à frente. Criminosos não justiçados reencarnam com psicoses maníaco-depressivas, como a tentarem fazer justiça ante o delito, não ressarcido, fixado na memória. Homens que enganaram, não obstante as homenagens que desfrutaram, refugiam-se em várias formas de loucura, como a fugirem dos compromissos que não têm coragem para enfrentar...

Na gama multiface das alienações mentais, a obsessão igualmente ocupa lugar expressivo. Ódios demoradamente cultivados e decorrentes de erros graves vinculam os que se demoram no além-túmulo aos que reencarnaram na Terra, produzindo lamentáveis consórcios mentais de consequências imprevisíveis. Hediondos conciliábulos que transcorreram em sombras, produzindo gravames, convertem-se em heranças de interdependência psíquica, que degeneram em obsessões cruéis... Amores violentos, saciados em sangue, asfixiados em traição, silenciados em infâmias, mantidos em tramas urdidas para se libertarem dos empecilhos, reagrupam algozes e vítimas no intercâmbio espiritual que se transforma em subjugações truanescas de curso demorado e pungente...

A morte não apaga a memória, antes a aguça, facultando a uns lucidez exagerada, enquanto outros jazem em longo torpor, automaticamente atraídos e imantados aos cômpares dos crimes e descalabros, produzindo interdependência, em comunhão danosa, de vampirização fluídica, em que se exaurem as forças constitutivas da cápsula carnal, por onde deambulam os encarnados. A morte é sempre a grande, fatal desveladora de mistérios, de enigmas, de causas ocultas... E a vida física se organiza mediante as consequências dos atos pretéritos, transformados em presídios de dor ou paisagem de liberdade. Simultaneamente, a experiência carnal enseja tesouros de incomparável valor para a elaboração de causas propiciatórias à paz e à felicidade que um dia todos lograrão, após depurados e esclarecidos.

Do conhecimento da Vida Espiritual defluirão preciosos benefícios para a sanidade mental das criaturas humanas.

O Espiritismo ou Cristianismo moderno possui as mais valiosas terapêuticas para a problemática mental da atualidade, por ensinar a indestrutibilidade e comunicabilidade do princípio espiritual do homem, asseverando quanto à necessidade das sucessivas reencarnações, anulando o pavor da morte, dos sofrimentos e sendo o mais perfeito método contra os fatores que produzem traumas, desvarios, desequilíbrios...

Favorecendo o otimismo, este produz a vitalização dos centros do equilíbrio psicofísico, reabastecendo de energias compatíveis as engrenagens eletromagnéticas do campo mental, vitalizando os fulcros debilitados da fomentação de forças mantenedoras da vida.

A diminuição das defesas morais encarregadas de criarem um campo de força defensiva no homem faculta a invasão microbiana no organismo, permitindo que sequelas desta ou daquela ordem afetem os núcleos do discernimento e da razão, arrojando-o no desconserto da loucura.

O cultivo da prece, a conversação edificante, o exercício da meditação e da reflexão, as ações nobilitantes, o labor pelo próximo, conseguem fortalecer o homem com energias específicas, forrando-o das agressões físicas como espirituais, propiciatórias das distonias múltiplas, promotoras das doenças mentais e obsessivas que tanto infelicitam.

No sentido oposto, a ociosidade física e mental, o pessimismo, a irritabilidade, o desânimo, a malícia, a ira e o ódio, o ciúme e os vícios, facultam não apenas a proliferação dos fatores que geram loucuras como o surgimento de matrizes para fixações obsessivas de consequências graves.

Em razão proporcional aos distúrbios morais crescem os desvarios mentais supliciando os Espíritos levianos e culpados, em terapêutica depuradora, de que se poderiam forrar, não se demorassem vinculados aos círculos da insensatez, da leviandade, do imediatismo...

Em face do conhecimento do Mundo Espiritual, presente em todos os cometimentos humanos, poderão a Psiquiatria, a Psicologia, a Psicanálise, a Psicossomática enriquecer-se de luzes para se transformarem, realmente, em ciências da alma e da mente em benefício do homem, após vencido o preconceito que não obstante o respeito que nos merecem, lhes põem antolhos impeditivos para a clara e ampla visão das realidades da vida, na grandeza que lhe é própria.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 25 de fevereiro de 1974, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Do site: http://divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=475.

23 julho 2017

O fenômeno Prevorst - Justinus Kerner

(Frederica Hauffe - A Vidente Prevorst)


O FENÔMENO DE PREVORST


Muito tempo antes do começo do meu tratamento, a Sra. Hauffe era de tal forma sonâmbula, que ficamos convencidos de que o seu período de vigília era aparente. Não há dúvida de que ela estava então mais bem acordada que os que a rodeavam, porque aquele estado, ainda que o não considerem assim, era o da mais perfeita vigília. Nele não possuía ela força orgânica e dependia completamente dos outros, dos quais recebia a força pelos olhos e pela extremidade dos dedos. Dizia ela que extraía a vida do ar e das emanações nervosas alheias, sem que os outros nada perdessem. Não obstante, afirmam certas pessoas que se sentiam fracas quando ficavam muito tempo perto dela; experimentavam contrações, tremores, sensação de fraqueza nos olhos, na cavidade epigástrica, que ia até ao delíquio. Ela declarava, aliás, que era nos olhos dos homens vigorosos que hauria forças. Recebia mais por parte de parentes que de estranhos, e quando estava inteiramente enfraquecida era naqueles que encontrava alívio. A vizinhança dos fracos e doentes debilitava-a como as flores que perdessem sua beleza e perecessem nas mesmas circunstâncias. Sustentava-se à custa do ar e mesmo nos grandes frios não podia viver sem uma janela aberta.


Era sensível a quaisquer emanações fluídicas, do que não duvidamos, principalmente das provenientes de metais, plantas, homens e animais. As substâncias imponderáveis, tanto quanto as diferentes cores do prisma, produziam-lhe efeitos sensíveis. Sentia influências elétricas de que não temos a menor consciência. E o que é quase incrível, possuía a noção do sobrenatural ou o conhecimento por inspiração do que um homem houvesse escrito.


Seus olhos brilhavam como um luar espiritual que impressionava imediatamente os que a viam, e em tal estado, era mais um espírito que um habitante deste mundo mortal.


Se quiséssemos compará-la a um ser humano, diríamos que ela estaria nas condições dos que flutuando entre a vida e a morte, mais pertencem ao mundo que vão visitar do que ao mundo que estão por deixar.


Não se trata apenas de uma figura poética, senão da expressão de um fato. Sabemos que no momento da morte os homens têm muitas vezes reflexos do outro mundo e o provam. Vemos que um Espírito deixa incompletamente o corpo antes de destacado definitivamente do invólucro terrestre. Se pudéssemos manter durante anos uma pessoa em estado de morte iminente, obteríamos a imagem fiel do estado da Sra. Hauffe. Não é simples suposição, mas a verdade exata.


Ela achava-se muitas vezes nesse estado em que se tem a faculdade de ver Espíritos, perceber o Espírito fora do corpo, como se ele estivesse envolto em ligeira gaze. E via-se desdobrada. Dizia então:


“- Parece que saio de meu corpo e plano acima dele, e faço reflexões sobre ele. Não me traz isto agradáveis pensamentos, pois reconheço que o corpo é meu.


Se minha alma estivesse mais estreitamente ligada à força vital, esta ficaria em união mais íntima com os meus nervos; mas os laços que retêm minha força vital afrouxam-se cada vez mais.”


Parecia de fato que a força vital estava tão debilmente retida pelo sistema nervoso, que o menor movimento bastaria para pô-la em liberdade. Via-se ela então fora do corpo e este perdia toda a noção de peso.


A Sra. Hauffe não recebeu instrução nem notas de habilitação. Não conhecia Línguas, História, Geografia, História Natural, não possuía as noções comuns de seu sexo. Durante longos anos de sofrimento, a Bíblia e o Livro dos Salmos eram o seu único estudo. Incontestável a sua moralidade; piedosa sem hipocrisia; considerava seus longos sofrimentos e estranhas condições como um desígnio de Deus, e exprimia em poesia os seus sentimentos.


Como costumo escrever versos, logo disseram que era eu que lhe comunicava essa faculdade por minha força magnética; ela porém já falava em verso antes de eu conhecê-la e não é sem razão que chamaram Apolo o deus dos médicos, dos poetas e dos profetas. O sonambulismo dá faculdade de profetizar, de curar, de compor poesia. Os antigos fizeram uma justa ideia do sonambulismo e nós o envolvemos em todos os mistérios. Galeno, o grande médico, teve mais êxitos com os sonhos do que com toda a sua ciência médica. Conheço uma camponesa que não sabe escrever, mas que em estado sonambúlico se exprime em verso.


Os erros que o mundo espalhou à conta da Sra. Hauffe são inconcebíveis: nunca vi mais sonora prova do pendor para a calúnia que nesta circunstância. Ela gostava de dizer:


“- Eles têm poder sobre meu corpo, nunca porém sobre meu Espírito.” Entretanto, o maior número de pessoas que, por curiosidade, lhe rodeavam o leito, causavam-lhe grandes aborrecimentos. Recebia a todos graciosamente, posto que a fadiga que provocavam lhe ocasionasse muitos sofrimentos; e defendia os que mais a caluniavam. Recebia bem os bons e os maus. Percebia as más intenções, porém não as julgava. Muitos pecadores incrédulos que vinham vê-la emendavam-se e foram levados a crer na vida futura.


Muitos anos antes de ter sido confiada a meus cuidados, a terra, o ar, tudo o que aí respira, sem excetuar a espécie humana, não existia para ela. Aspirava a muito mais do que lhe podiam dar os mortais; queria outros céus, outros alimentos, outra atmosfera que o planeta não lhe podia oferecer. Vivia quase em estado de Espírito e já pertencia ao mundo dos Espíritos. Fazia parte do Além e já estava meio morta.


É extremamente provável que fosse possível, nos primeiros anos de sua doença, por um tratamento hábil, pô-la em um estado que lhe permitisse viver nas condições ordinárias do mundo; mas já no último período era impossível. Entretanto, graças aos nossos cuidados, conseguimos para ela tal melhora que, a despeito dos esforços para envenenar-lhe a existência, ela considerou os anos passados em Weinsberg como os menos penosos de sua vida sonambúlica.


Como dissemos, seu corpo frágil envolvia um Espírito como um véu de gazes. Era pequena; seus traços lembravam o Oriente; tinha os olhos penetrantes e proféticos e a expressão avivada por longos cílios pretos. Flor delicada, vivia dos raios do Sol.


Eschenmayer diz a seu respeito nos Mistérios: “Suas disposições naturais eram doces, amáveis, sérias. Sentia-se sempre conduzida para a contemplação e para a prece. Havia algo de espiritual na expressão dos olhos, sempre claros e brilhantes, apesar do sofrimento; de grande mobilidade durante a conversa, tornavam-se subitamente fixos; e via-se por este sinal, que ela estava em presença de uma de suas estranhas aparições. Em tais condições proferia palavras rápidas.


“Quando a vi pela primeira vez, sua vida física não prometia longa duração, e ela abandonara a esperança de alcançar um estado que a pudesse manter no mundo.


“Embora nenhuma função estivesse alterada, sua vida era uma tocha que se extinguia, uma presa entre as garras da morte e sua alma só se ligava ao corpo pelo poder magnético.


“Nela, alma e espírito pareciam em constante oposição, de tal sorte que a primeira se conservava ligada ao corpo, enquanto o segundo desprendia as asas e voava a outras regiões.” 
Dr. Justinus Kerner
Obra: A Vidente de Prevorst


Nota do compilador: Dr. Kerner comenta como era a Vidente de Prevorst. Segundo a Doutrina Espírita, nos estudos relativos à Mediunidade levados a efeito por Kardec e posteriormente por outros estudiosos, a Vidente mantinha-se prostrada o tempo todo justamente por não ter o entendimento de como lidar com a sua Mediunidade. Hoje, seguramente, um médium nas circunstâncias dela, pode levar a vida normalmente, desde que saiba o porquê e de como atuar no seu cotidiano.


22 julho 2017

Imagens Divinas - Léon Denis

 

IMAGENS DIVINAS


É a ti, ó Potência Suprema! qualquer que seja o nome que te deem e por mais imperfeitamente que sejas compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor.

Onde estás, em que céus profundos, misteriosos, tu te escondes? Quantas Almas acreditaram que bastaria, para te encontrar, o deixar a Terra! Mas tu te conservas invisível no mundo espiritual, quanto no mundo terrestre, invisível para aqueles que não adquiriram ainda a pureza suficiente para refletir teus divinos raios.

Tudo revela e manifesta, no entanto, tua presença. Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor. E Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha.

Homens! aprendei a imergir em vós mesmos, a esquadrinhar os mais íntimos recônditos do vosso ser; interrogai-vos no silêncio e no retiro. E aprendereis a reconhecer-vos, a conhecer o poder escondido em vós. É ele que leva e faz resplandecer no fundo de vossas consciências as santas imagens do bem, da verdade, da justiça, e é honrando essas imagens divinas, rendendo-lhes um culto diário, que essa consciência, ainda obscura, se purifica e se ilumina.

Pouco a pouco, a luz se engrandece em nós outros. De igual modo que gradualmente, de maneira insensível, as sombras dão lugar à luz do dia, assim a Alma se ilumina das irradiações desse foco que reside nela e faz desabrochar, em nosso pensamento e em nosso coração, formas sempre novas, sempre inesgotáveis de verdade e de beleza. E essa luz é também harmonia penetrante, voz que canta na alma do poeta, do escritor, do profeta, e os inspira e lhes dita as grandes e fortes obras, nas quais eles trabalham para elevação da Humanidade. Mas, sentem essas coisas apenas aqueles que, tendo dominado a matéria, se tornaram dignos dessa comunhão sublime, por esforços seculares, aqueles cujo senso íntimo se abriu às impressões profundas e conhecem o sopro potente que atiça os clarões do gênio, sopro que passa pelas frontes pensativas e faz estremecer os envoltórios humanos. 


Léon Denis
Obra: O Grande Enigma 

21 julho 2017

Reencarnação e Progresso - Martins Peralva

 

REENCARNAÇÃO E PROGRESSO


O problema das aptidões intelectuais é bem significativo no estudo da reencarnação, e sugere apreciações interessantes quando observado à luz das diversas doutrinas religiosas ou filosóficas.

As religiões que ensinam ter a criatura humana apenas uma existência, ou seja, as que preconizam a criação da alma no momento da formação do corpo, teriam, sem dúvida, bastante dificuldade em explicar, entre outras, a palpitante questão do conhecimento e da sabedoria, da erudição e do talento inatos.

Dificilmente se pode compreender como uma pessoa, numa existência de apenas algumas dezenas de anos, possa revelar privilegiada inteligência e sabedoria, como frequentemente ocorre, sabendo-se que, sendo tão vastos os ramos dos conhecimentos humanos, impossível seria a um homem acumular tanto em tão curto prazo.

"Uma encarnação é como um dia de trabalho" - afirma, acertadamente, um Amigo espiritual.

Daí a nossa dificuldade em compreender como pode um homem realizar vastas e apreciáveis conquistas intelectuais, nos mais variados campos do saber, num período de seis, sete ou mesmo oito dezenas de anos.

E essa dificuldade aumentaria, mais, se catalogássemos os homens que, em idênticos períodos, nada ou quase nada aprenderam nos templos do saber, apesar do esforço despendido.

Ficamos, assim, numa expectante e dolorosa alternativa: ou Deus, Supremo Criador de todas as coisas, é parcial e injusto, porque cria e põe no mundo sábios e ignorantes, quando a todos os seus filhos deveria dar, como o fazem os mais imperfeitos pais terrenos, as mesmas possibilidades, ou seremos inevitavelmente levados a aceitar a tese das religiões reencarnacionistas: cada existência representa um elo de imensa cadeia de sucessivas vidas, durante as quais o Espírito aprende e cresce, evolui e se enriquece de valores novos e consecutivos.

O Espiritismo é reencarnacionista; como tal, ensina a doutrina das existências múltiplas, das vidas que se renovam, como o faz a maioria das doutrinas antigas.

O conjunto dos ensinamentos espíritas agira em torno do seguinte enunciado filosófico: "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir continuamente - tal é a lei."

O Espiritismo fixou nessa admirável sentença a sua estrutura doutrinária, fornecendo uma chave de luz para intricados problemas que têm desafiado a argúcia, a cultura e o talento de inúmeros pensadores, em todas as épocas da Humanidade.

A reencarnação nos faz compreender a Deus por Suprema inteligência e Suprema Justiça. Faz-nos compreendê-Lo por Infinita Perfeição e Infinita Misericórdia.

Deus nos é mostrado, através da reencarnação, Justo e Bom, criando almas simples e ignorantes, a fim de que, pelo esforço próprio, ascendam todas aos pináculos evolutivos, no rumo da perfeição com Jesus.

Aceitando a reencarnação, não temos dificuldade em compreender a promessa do Mestre: - "Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá."

À luz da reencarnação, o que era nebuloso se tornou límpido. A interpretação do Evangelho se tornou menos difícil. Mais compreensível se tornou o pensamento de Jesus.

O que era confuso e indecifrável, passou a refletir, espontânea e naturalmente, a meridiana claridade do bom senso e da lógica.

A explicação palingenésica leva-nos, afinal, a melhor compreendermos por que existem sábios e ignorantes no mundo, cruzando as mesmas ruas, sofrendo as mesmas dores, respirando o mesmo oxigênio, sem que sejamos, dolorosa e tristemente, compelidos a aceitá-lo como um Pai que usa, com os seus filhos, dois pesos e duas medidas.

A cultura, o conhecimento, o progresso, enfim decorrem desses maravilhoso encadeamento de existências, durante as quais a alma adquiriu e armazenou valiosos patrimônios intelectuais.

Sem a tese reencarnacionista, a explicação do progresso das Humanidades permanece incompleta, ou, pelo menos, incompreensível.

O observador imparcial, o historiador sensato e o homem desprovido de preconceito hão de estar conosco, nessa afirmativa. 


Martins Peralva
Estudando o Evangelho - FEB 


20 julho 2017

O Mal - Victor Hugo



O MAL


Se não existisse o Mal, as criaturas seriam uniformes, sem individualidade definida, indiferentes ao progresso psíquico, avessas à prática do bem, à conquista da perfeição. Ele é o látego ardente que estimula todas as almas a marchar para a felicidade eterna e para a isenção de dores.

É o déspota com que lutam todos os seres, mas, para saírem sempre triunfantes. Não haveria penumbra, se não houvesse luz. A treva só existe transitoriamente - é a ausência dos raios solares. A luz, pois, e não as trevas, é que tem existência própria. Assim o Bem, irradiação astral, vencerá o Mal, que é sombra apenas e não existe nas paragens siderais. Mas, como a escuridão oculta todos os corpos, menos os radiosos, as verdades divinas ficam apenas eclipsadas, enquanto o Sol da Virtude não penetrar os corações lapidados pelo Dever e pelo Sofrimento...

Somos Espíritos milenares. Esta é a realidade fulgurante que, no transcurso dos Evos, não será refutada por mais nenhum ser racional. A criatura humana não tem uma, porém inúmeras existências ou avatares, solidárias entre si, tal como o eco é o produto ou a repercussão do som.

Aqui é onde o Sol se oculta todos os dias aos olhos materiais; onde há sempre um hemisfério mergulhado em sombra; onde há prantos, flagelos, calamidades, ranger de dentes, e as flamas dos padecimentos morais torturam, sem calcinar, os corações sensíveis.

Mas essas dores podem ser consumidas, todos os delitos remidos com a prática do Bem e do Dever, com o cinzelamento da alma. Não há, pois, crimes irremissíveis, punições ilimitadas ou infindas.

Como este planeta - há outros mundos esparsos no Infinito, e todos destinados ao progresso e apuro da Humanidade.

As almas os percorrem em estágio incessante, qual se fossem eles uma cromática maravilhosa - a da Regeneração anímica. Adquirem, em cada um, conhecimentos preciosos; retemperam os nobres sentimentos, mergulhados em paz e pureza, como barras de aço em forjas flamejantes, diluindo os instintos nocivos; conquistam as ciências, as artes, a felicidade interminável... 


Espírito de Victor Hugo
Médium: Zilda Gama 
Obra: Redenção


19 julho 2017

Opta sempre pelo teu sacrifício - Alexandre Herculano


 

OPTA SEMPRE PELO TEU SACRIFÍCIO



Não te importes com as coisas daí. Se não tens feitio para elas - que não tens - abandona-as e entrega-te somente àquelas que te não são desagradáveis de todo. Quebra essa indolência da tua vontade e liquida a tua situação.

Para que serve andares numa atafona (1), se não consegues com isso aditar mais um poalho (2) de farinha à tua moenda? Torna simples a tua vida. Afasta do teu cérebro as lucubrações permanentes, de ordem inferior, em que ele se gasta e estraga, como fino instrumento que trabalha obra grosseira.

Cada dia tem a sua ralação e bem te basta essa para te limar a vida. Não necessitas de as conservar em reserva, alimentando assim um mal-estar que te contorce a alma, como o fogo contorce uma barra de ferro.

Se não és ambicioso, que móbil te impulsiona para que te tragas numa luta permanente contra fatos que não podem influir favoravelmente no teu futuro?

Bem gasta ao teu viver os amargores que o sentimento lha dá. A esses não podes fugir. São da tua idiossincrasia. Provêm do teu modo de ser moral, que não é de fácil corrigenda. Esses não há que dar-lhes volta. Tens de aturá-los e só deves buscar moldá-los, quanto possível, ao teu bem-estar, quero dizer, tirar deles todo o proveito possível, com o menor dispêndio de energia e atribulação.

Compreendes muito bem que te não aconselho transigência com o que neles haja de mau. E tu deves saber muito bem já até onde vai neles o inofensivo e onde começa o prejudicial. Sabes, seguramente, que esse mal começa onde começa a ofensa consciente ou conhecida ao teu semelhante.

Quando vejas que um sentimento teu ou um teu ato, por melhor que se te afigure - vai, sem intenção nenhuma meritória ou útil, chocar com alguém, abstém-te de o animares ou executares. Entre um fato que te prejudique e outro que prejudique a outrem, não hesites em praticar o que te prejudica. Entre o sacrificares-te ou sacrificares os outros inutilmente, opta sempre pelo teu sacrifício.

Acima de tudo não te esqueças que junto a ti tens um guia ótimo: tua consciência. O que ela reprovar, não faças.

Procura, porém, saber sempre quando é a tua consciência que fala. Não a confundes com o egoísmo, com a fraqueza, com a falsa dignidade, com a convenção social, ou com qualquer outro dos cilícios que o homem inventou para se castigar.

Antes de pôr por obra um ato que à tua primeira impressão se afigure digno de reparo, perscruta bem o teu íntimo, não sejas ludíbrio de qualquer tentação de ruim sentimento com a falsa aparência de virtude. Não procures enganar a ninguém, mas a ti menos do que aos outros. Não deves jamais pensar coisa que não possas repetir em voz alta a ti próprio sem receio de reprovação. Sei que o cérebro é um prodigioso cadinho, onde se funde tudo que há de bom e mau, e que não está em nossa mão fechar a porta por onde entram os pensamentos condenáveis. Mas, se é um cadinho que sirva para depurar o que nele se lançar, de modo a poder deitar-se fora as impurezas e recolher só o metal puro; e se não temos meio de impedir que más ideias povoem o nosso pensamento, temos meios eficazes e enérgicos de os repelir e rechaçar. O que o não fizer, por prazer, faz mal; o que não fizer, por fraqueza ou por comodismo, não fará melhor.

Não queiras nunca mascarar as tuas conveniências inconfessáveis aos avisos e rebates da tua consciência. Não é a esta que iludes: - é o teu futuro que prejudicas.

Eu sei que há atos suscetíveis de uma reprovação momentânea e que não têm a menor influência no futuro de uma alma; mas é porque essa reprovação não parte da consciência. A consciência conserva-se-lhes indiferente; a reprovação parte só do egoísmo, da falsa moral, da convenção, da ambição, da avareza, do comodismo, ou de outro fator semelhante, que a falta de observação rigorosa pode fazer confundir, ao primeiro exame, com a consciência.

É necessário não baralhar. Desentranha a consciência da aluvião de preconceitos e cálculos que se lhe foram misturando e aderindo pela tua vida adiante. Aperta-a, desconfunde-a, forma-lhe altar separado e deixa-te guiar por ela, ainda que o mundo te lapide.

Não te importes com as vozes do mundo, quando elas vão de encontro à tua consciência. Não é por essas vozes que tens de responder, mas pelo que ela te acusar.

Despreza as pompas, as veneras (3), os elogios, os turibulários (4), quando se não ajustem à impressão clara e nítida da tua consciência; e ri-te dos seus apodos (5), das suas imprecações e dos seus desprezos, quando intimamente sentires que não procedeste mal. Há escuros na alma que nenhum esplendor terreno pode iluminar.

Deixa que os outros falem. Será louco quem aspirar a bem merecer de todo. Não te dou novidades no que te digo, mas tenho a satisfação de supor que te faço bem em dizer-to. Quando mais não seja, dando-te o prazer, que toda a gente sente, ao ver as suas opiniões partilhadas por mais alguém.

E, por agora, meu amigo, nada mais.


Espírito de Alexandre Herculano*
Médium: Fernando de Lacerda - Do País da Luz


Notas do compilador: 

1 - atafona = moinho manual ou movido por cavalgaduras; 
2 - poalho = poeira leve em suspensão no ar; 
3 - veneras = condecorações; 
4 - turibulários = aduladores; 
5 - apodos = comparações ridículas, zombarias, alcunhas

*Alexandre Herculano, historiador, romancista e poeta português (1810-1877), de vasta erudição, estilo grave e solene, e de linguagem de vernaculidade modelar, foi o criador do romance histórico português. Dentre suas obras destacam-se o "Monge de Cister" e "Eurico, o presbítero". A presente mensagem foi dirigida ao médium que passava por sérios apuros com os seus detratores.


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


18 julho 2017

O Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais - Jorge Hessen




O ESPIRITISMO NECESSITA RETORNAR ÀS SUA ORIGENS PRIMORDIAIS



Após a desencarnação  de Allan Kardec o Movimento Espírita francês e mundial sucumbiu, devido à imaturidade doutrinária de Pierre G. Leymarie. A ele foi incumbida a administração do espólio da família de Kardec, assumindo a obrigação de sustentar a propagação do Espiritismo, mas em vez disso mistificou a propaganda doutrinária, e para descrédito do Espiritismo teve que amargar uma cadeira por comprovadas fraudes veiculadas na Revista Espirita. Leymarie era um apaixonado praticante da Teosofia de Blavatsky e defendia as ridículas obras de J.B. Roustaing e para variar era deslumbrado pela maçonaria. Ora, com tal “curriculum vitae”, as suas atuações suscitaram o desfalecimento do Movimento Espírita mundial.

Cinco décadas após a desencarnação de Kardec, nos primórdios do século XX, houve um surto de renascimento do Movimento Espírita francês e mundial até meados da década de 1920, graças às lideranças de Leon Denis, Gabriel Delanne, Gustave Geley e Camille Flammarion, desaparecendo porém rapidamente, quando esses quatro baluartes desencarnam. Logo após, durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu desmontagem e quase o total aniquilamento do Movimento Espírita nas plagas de Kardec. Sobre esse cenário, André Luiz indagou ao Espírito Gabriel Delanne: “qual a opinião acerca do Espiritismo, na França?”. Delanne respondeu: “Não nos é lícito dizer haja alcançado o nível ideal (…) mas, complementando que legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, porém igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano”.[1]

Sobre o translado do “Espiritismo” para o Brasil, estamos convencidos de que a transposição da respetiva “direção” do Movimento Espírita mundial, da França para o Brasil, sobreveio após a desencarnação dos quatros baluartes supramencionados, no período entre o final da década de 1920 e o início da década de 1930, aliás, coincidindo com o início da missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier. Antes desse período, o Espiritismo que era praticado no Brasil seguia o modelito Laymareano, portanto, obrigatoriamente inspirado pela teosofia e pelo roustanguismo, introduzido e apoiado por Luiz Olímpio Teles de Menezes, em seguida liderado pela entidade (edificada a partir do Grupo “Confúcio”) que decidiu autoproclamar-se “mãe”das instituições espíritas do Brasil.

Retornemos à França. O Movimento Espírita francês voltou a se recuperar com certa debilidade por volta dos anos de 1950 e 1960 em razão do regresso ao país de alguns espíritas que residiam no Norte da África (Argélia, Marrocos) e começaram a retornar para a terra de Kardec, arriscando remontar o Movimento Espírita. Nesse sentido, sob a batuta de Roger Perez houve uma breve “oxigenação” do Movimento Espírita francês, porém, a bem da verdade, nunca se recuperou, pelo menos em Paris.

Hoje há diferentes núcleos espíritas no interior da França, mas sem as características daquelas propostas por Allan Kardec. Sobre isso, recebi de notícias de Charles Kempf, um líder espírita francês, residindo na França e participando do Movimento Francês desde os anos 1990, afiançando-me que as dificuldades continuam as mesmas até hoje, por causa do personalismo exagerado de alguns dirigentes, e desinteresse pessoal na atuação no movimento. Tudo isso por falta de estudo das obras básicas da codificação.

Do exposto, pois, indagamos: quais os desafios para o progresso do Espiritismo? Segundo Gabriel Delanne (Espírito) a divulgação e o progresso do Espiritismo na Terra terão de efetuar-se de pessoa a pessoa, de consciência a consciência. A verdade a ninguém atinge através da coação. A verdade para a alma é semelhante à alfabetização para o cérebro. Um sábio, por mais sábio, não consegue aprender a ler por nós. Talvez esse “progresso” do processo de propaganda espírita seja moroso demais para a humanidade, mas, ainda segundo Delanne (Espírito), uma obra-prima de arte exige, por vezes, existências e existências para o artista que persegue a condição do gênio. Como acreditar que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal se faça tão só por afirmações labiais de alguns dias? [2]

César Perri, ex-presidente da FEB no Brasil, lembra-nos que muitos espíritas e diversos dirigentes jamais leram obras psicográficas de Chico Xavier (não consultam as fontes primárias – os livros), pois estão presos anos seguidos a estudo de “apostilas”. A liderança “oficial” do movimento espírita brasileiro não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas. Há muito a ser realizado para a compreensão da união entre os espíritas – como laço moral, solidário e espiritual. Deve-se observar o respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. O trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento, ou seja-os centros espíritas. [3]

Em suma, cremos que o progresso da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio de lideranças federativas, com insuficientes lastros morais, hierarquizadas, emblemáticas e mercantilistas. Aliás, para quem conhece as opiniões de Leopoldo Cirne, após sua saída voluntária da FEB, identificará muitos pontos convergentes que esteamos cá no artigo.

Nossa proposta, e eis aí o grande desafio, é a propagação do Espiritismo no interior do centro espírita através do intercâmbio fraterno do “boca a boca”, “pessoa a pessoa”, “consciência a consciência”, “ombro a ombro”, sem nenhuma necessidade das algemas burocráticas impostas pelas “autoridades” e lideranças federativas “oficiais”, quase sempre sem os lastros de amor e humildade. Lideranças “oficiais” que nada mais fazem do que digladiarem entre si na busca de poderes, de mandos, desmandos e apropriação indébita da coordenadoria do Movimento doutrinário, que deve ser livre, categoricamente distante dos ranços ultramontanistas da pretensa “casa mãe” dos espíritas.

Inspirando-nos em Herculano Pires, reafirmamos que o Espiritismo no Brasil não terá salvação se permanecer sob o tacão das diretrizes oriundas do sofisticado colégio cardinalício (CFN) e das hierarquias impostas pelos ditos órgãos oficiais. Razão pela qual reafirmamos que o Espiritismo necessita retornar às suas origens primordiais (pré-desencarnação de Kardec) que é a SIMPLICIDADE! Ou seja, sem absoluta necessidade de concessionárias “oficiais”[4].




Referências bibliográficas:

[1]XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA Waldo. Entre irmãos de outras terras, Entrevista realizada pelo espírito de André Luiz com o espírito de Gabriel Delanne, RJ: Ed. FEB, 1970

[2] idem


[4] que não tem nada a ver com a presumida Comissão Organizadora do Espiritismo, segundo Allan Kardec.


17 julho 2017

Perigo à vista - Passos Lírio



PERIGO À VISTA


Pensar que já fizemos muito ou pelo menos o necessário.

Julgar-nos superiores ou inferiores a quem quer que seja.

Lembrar situações e circunstâncias em que falimos.

Recordar o mal que alguém nos fez ou nos quis fazer.

Mentalizar maus juízos que os outros possam fazer a nosso respeito.

Admitir que temos defeitos e viciações incorrigíveis.

Imaginar a existência de perseguidores espirituais a nos assediar implacavelmente, cuja indesejável companhia não podemos evitar.

Acreditar que progredimos em proporções tais, que já podemos afrouxar um pouco em nossos esforços de realizações construtivas.

Fixar passagens e cenas em que companheiros nossos tropeçaram e caíram.

Supor que somos por demais decaídos ou degenerados, para tentar a nossa recuperação e nela insistirmos.

Ajuizar que há fatores e forças imponderáveis que conspiram nas sombras contra a nossa felicidade, trabalhando sempre pela frustração dos nossos sonhos e aspirações, sem que tenhamos meios e modos de fugir-lhes à ação perniciosa.

Achar que a nossa condição humana, longe de nos propiciar a ascensão, favorece-nos a queda.

Crer que devemos proceder bem, mas que nem sempre podemos fazê-lo.

Tal como no campo atmosférico, antes de desabar um temporal, há sinais que o prenunciam, possibilitando-nos providências e resguardo, também nos domínios da alma há claros indícios de perigosas situações, de que nos é dado acautelar, buscando em nosso santuário interior recursos de preservação que nos facultam superar a crise em esboço, sempre de tremendas conseqüências em nossa existência, se não conjurada a tempo.

Passos Lírio 
Reformardor” – outubro de 1997

16 julho 2017

Aja enquanto é tempo - Momento Espírita


AJA ENQUANTO É TEMPO


Os homens são os artífices de seu destino.

Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que os cerca.

O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências.

Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações.

O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender.

Vagas que exigem maiores qualificações permanecem abertas por longos períodos, embora haja muitos desempregados.

Sem dúvida, ninguém está livre de percalços.

Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis.

Mas as crises são mais frequentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente.

Assim, quem opta por assistir novelas em vez de estudar não pode reclamar se o sucesso não bater em sua porta.

Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as consequências de seus atos.

Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca.

Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades.

A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa.

Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor.

Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca.

Não é difícil verificar a lei de causa e efeito atuando.

Comportamento digno e sensato traz tranquilidade e boa reputação.

Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos.

Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes.

Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas.

As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir atual refletem o acertamento de antigos equívocos.

A justiça Divina reina soberana no Universo.

Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções.

Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz.

Muitas vezes, a consequência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência.

A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu.

Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia.

Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários.

E principalmente aguarda que ele se resolva quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor. Como afirmou o Apóstolo Pedro, o amor cobre a multidão de pecados.

Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros.

Mas é imperioso resgatar todo o mal feito.

Ciente dessa realidade e de seu viver milenar, dedique-se a fazer o bem.

Viva de forma honrada.

Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais.

Seja um bom exemplo para todos que convivem com você.

Mas vá um pouco além disso.

Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes.

Em seu passado espiritual há certamente muitos erros.

Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta.

Aja enquanto é tempo.

A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde.

Mas é uma tolice aguardara dor cobrar a conta que o amor pode pagar.

Pense nisso.


Redação do Momento Espírita