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20 outubro 2017

Obsessão simples segundo o Espiritismo - Eliseu Fortes



OBSESSÃO SIMPLES SEGUNDO O ESPIRITISMO


Essa influência ordinária a que se referia Kardec é a obsessão simples. Esse tipo de obsessão se dá quando o espírito inferior (obsessor) procura, através de sua persistência, interferir na vida dos seres encarnados (os vivos - obsediados) dando-lhes sugestões que, muitas vezes, são contrárias à sua forma de pensar.

A bem da verdade, o só fato de ser enganado, vez ou outra, por um espírito mentiroso, não significa que a pessoa esteja obsediada. A obsessão fica caracterizada com a ação persistente de um espírito, de forma que o obsediado não consegue dele se desembaraçar facilmente.

Convém ressaltar, ainda, que a obsessão simples é uma influência comum em quase todas as pessoas. Paulo, o apóstolo dos gentios, em sua epístola aos Hebreus, fazia referência a uma “tão grande nuvem de testemunhas que tão de perto nos rodeia”. E assim se dá, porque o intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual é algo natural. A humanidade (englobando vivos e mortos, encarnados e desencarnados) está em constante intercâmbio.

Em vista dessas informações, o importante é saber quando a interferência de um espírito desencarnado está gerando uma fixação, que nada mais é do que o aparecimento de uma ideia fixa que marca o início da instalação do processo obsessivo. Há que se ficar atento ao aparecimento de desconfianças excessivas, insegurança pessoal, enfermidades sem causas definidas, angústias, incertezas, perturbação interior, etc. Pode ocorrer, ainda, mudanças súbitas no temperamento habitual do obsediado, em razão das mensagens telepáticas emitidas pelo espírito obsessor.

Diante do que foi aqui informado, é correto dizer que somos todos “mais ou menos obsediados”, dependendo da nossa vibração mental, da nossa companhia espiritual, do esforço que fazemos para domar nossos pensamentos. Se uma pessoa quiser saber qual tipo de espírito a acompanha, basta se atentar para o que está pensando. Se o pensamento for mal, por evidente, a companhia espiritual não é boa. Aplica-se aqui o ditado: diga-me o que pensas e eu te direi que tipo de espírito está te acompanhando.

A proteção para se livrar da obsessão, seja ela qual for, é a reforma íntima e o apego aos bons pensamentos e às boas vibrações. Deus nos deu o livre arbítrio para escolhermos no que pensar. Se nos comprazemos em ter pensamentos ruins, evidentemente que iremos sofrer os efeitos da obsessão. Se decidirmos que vamos nos reformar interiormente, teremos a companhia dos nossos mentores espirituais que nos darão forças para sair do laço obsessivo.

Enfim, caros leitores, temos de ter inteligência para identificar a obsessão (sobretudo a simples), porque, muitas vezes, perdemos a qualidade de vida por não ficarmos alertas para essas influências que são corriqueiras. Cabe aqui a advertência do Cristo: vigiai e orai para não cairdes em tentação.


Eliseu Fontes 


19 outubro 2017

Suicídios e tiranos disfarçados - Luiz Carlos Formiga



SUICÍDIOS E TIRANOS DISFARÇADOS


“Muitos sobem ao monte da autoridade e da fortuna, da inteligência e do poder, mas para enganar o povo e esquecê-lo depois. Juízes menos preparados para a dignidade das funções que exercem, confundem-lhe o raciocínio. Políticos astuciosos exploram-no em proveito próprio”. “Tiranos disfarçados em condutores envenenam a alma da multidão e a arrojam ao despenhadeiro da destruição, à maneira dos algozes de rebanho que apartam as reses para o matadouro”.

Esse comentário de Emmanuel (*) parece que foi feito hoje.

Via Whats App, recebi ontem uma mensagem. Ela dizia que o atual Congresso é o pior da História do Brasil. Uma Instituição da República sem escrúpulos, sem caráter. Todos parecem legislar em causa própria. O missivista afirma que o Brasil mudou e que não basta mais contratar os melhores advogados. Termina dizendo, que mesmo assim, é melhor que eu escolha os que deverão ser eleitos do que deixar que escolham por mim. Passou-me pela tela mental a Venezuela e a Coréia do Norte, com sua bomba H.

Anteriormente, comentei que um grave erro era a substituição da ética pela ideologia. Na educação, objetivando o homem integral os valores éticos devem ter prioridade. Não basta perseguir a meta de formar homens instruídos, se não forem capazes de vencer vícios e paixões.

Políticos astuciosos podem se aproveitar de uma tragédia com fins políticos, com o intuito de manipular a opinião pública. Mas, a esperteza pode devorar o político esperto “demais”, conduzindo-o ao suicídio eleitoral, também pelo aumento do índice de rejeição. (1)

Políticos também não estão imunes aos pensamentos de autodestruição, quando se instalam o tédio e o vazio existencial. O Presidente Getúlio Vargas (1954), seu filho Maneco (1997) e seu neto, Getulinho (2017) suicidaram-se com revólver. (2)

O sórdido aproveitamento de uma tragédia com fins ideológicos é contrário à prevenção do ato suicida.

Sabemos que são medidas básicas o tratamento dos transtornos mentais; o controle de substâncias tóxicas; o controle de armas de fogo e a educação da mídia.

Jornalistas devem apresentar comportamento adequado, evitando o sensacionalismo e a glorificação do suicídio.

Estivemos no seminário Universidade e Suicídio (3) e nele não ouvimos nenhum relato semelhante ao caso recente, do ex-reitor da UFSC, afeiçoado ao Comunismo. O noticiário obrigou quatro Associações a se posicionarem, diante de sua exploração política e das controvérsias em relação aos fatos que o induziram. (4)

“O procedimento dos homens cultos para com o povo experimentará elevação crescente à medida que o Evangelho se estenda nos corações.

Vendo a multidão, o Mestre sobe a um monte e começa a ensinar...

É imprescindível empenhar as nossas energias, a serviço da educação.

Em todos os tempos, vemos o trabalho dos legítimos missionários do

bem prejudicado pela ignorância. Entretanto, para a comunidade dos aprendizes do Evangelho, em qualquer clima da fé, o padrão de Jesus brilha soberano.”

Ajudemos o povo a pensar, a crescer e a aprimorar-se, convida Emmanuel. (*).

Um político influente, hoje presidiário, resolve “assumir” e depois do mea culpa, mea culpa, minha máxima culpa, se defronta com um tribunal inquisitorial, dentro do próprio partido político e questiona: “somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou uma seita, guiada por uma pretensa divindade, onde quem fala a verdade é punido e os erros e ilegalidades são varridos para debaixo do tapete?” Diz que não poderia deixar de registrar a evolução e o acúmulo de eventos de corrupção que ocorreram no seu governo, que sucumbiu ao pior da política. 

Chega a rotular companheiros como adeptos de “uma seita que navega no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes”. (5) 

 Nestas condições “nada parece importar, nem mesmo o erro de eleger e reeleger um mau governo ou segurar uma rede de sustentação corrupta e alheia aos interesses do cidadão.”

Um mau governo pode levar um país à guerra, o que é muito grave. Mas pode também causar verdadeiro estrago interno. O Brasil passa por um destes momentos difíceis nas universidades, onde se faz ensino e pesquisa como visão de mundo. Alguns cientistas dizem que hoje, o país, faz “uma política estúpida, autodestrutiva”. Os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia “comprometem seriamente o futuro do Brasil”. Precisam ser revistos “antes que seja tarde demais”. (**)

Emmanuel (*) faz convocação: “estendamos os braços, alonguemos o coração na ajuda sem condições”.

O comportamento suicida representa um momento de crise, caracterizado pela desestabilização, ruptura, perturbação, conflitos e desordem, sendo uma emergência psiquiátrica. Quando estamos conscientizados, sob o ponto de vista político e da medicina preventiva, damos importância aos sinais de alerta, por isso a população tem de ser conscientizada. Se estiver mais consciente, passa a entender que o problema existe e que pode acontecer com uma pessoa que está próxima. Precisamos desenvolver nossa capacidade de perceber que uma pessoa está em risco e principalmente estar disposto a ouvi-la sem julgá-la.

Foi por isso, que em 1994 surgiu O “Programa de Prevenção de Suicídio Fita Amarela”. Desde 2014, no mês de setembro ocorre uma campanha de conscientização sobre a prevenção. Setembro Amarelo é “o Ano Todo” e tem como objetivo alertar sobre da realidade do suicídio em todo o mundo e ainda explicitar as suas formas de prevenção. (6)

Religiosos que possuem convicções apoiadas na razão, na pesquisa experimental, se surpreendem diante do suicídio, porque julgavam imunes os adeptos. Acontece que o suicidio é um problema de saúde pública, epidemiologicamente relevante e complexo, para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Resulta de uma intrincada interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais, ambientais e espirituais. Por isso, é difícil explicar porque alguns sofrendo dores extenuantes se suicidam e outros não o fazem.

Emmanuel diz que o “procedimento dos homens cultos para com o povo experimentará elevação crescente à medida que o Evangelho se estenda nos corações.” (*) Válido é o investimento no estudo da Ecologia da Alma, nos seus Princípios, o que certamente levará a mudança na “filosofia de vida”.

Estudos mostram uma associação frequente entre suicídio e doenças mentais, principalmente depressão, alcoolismo, transtorno bipolar, esquizofrenia e também traços impulsivos e agressivos de personalidade.

Diante de um diagnóstico de doença impactante, se a depressão manifesta não for adequadamente tratada pode levar a pessoa a cometer ato extremo. Fiquei perplexo diante de um espírito desencarnado e do seu desabafo: “eu não sabia, foi por isso que me suicidei!” (7)

O trabalho de educação para que a “consciência de sono” evolua à condição de “consciência desperta” é imprescindível nesse início de terceiro milênio. Ele só não é maior do que aquele realizado para que essa última dê o salto de qualidade à “consciência lúcida”. Jesus precisa de muitos voluntários, mas a recompensa “vale à pena”!

Atendendo ao chamado não passaremos pelo “mea culpa” saindo da prisão do ego.

Por que crianças se suicidam? Perguntei em 1981.

Hoje quero saber por que está aumentando também entre os adolescentes? (8, 9).

Nessa hora de dor extenuante do “ex-reitor” (4), que possamos colocá-lo em nossas preces, pedindo aos bons espíritos o recurso da anestesia do sofrimento, diante da decepção.

Na espiritualidade ainda podemos sentir dor na alma, como aquele ex-leproso que desabafou graças à generosidade do médium: “eu não sabia que hanseníase tinha cura, foi por isso que me suicidei!”(6) Disse Emmanuel, que quando o cristão pronuncia as sagradas palavras "Pai Nosso", está reconhecendo não somente a Paternidade de Deus, mas também todos da humanidade como irmãos.


Luiz Carlos Formiga


Referências:


(*) Fonte Viva. 104. Diante da Multidão. Emmanuel /Chico Xavier
Leia mais

9.   http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/09/10/noticias-saude,1


18 outubro 2017

Consequências do passado - Antônio Carlos Navarro



CONSEQUÊNCIAS DO PASSADO


Como podemos compreender os resultados de nossas existências anteriores? – Para compreender os resultados das existências anteriores, baste que o homem observe as próprias tendências, oportunidades, lutas e provas. (1)

Muito comum o desejo de se conhecer o passado espiritual. Justifica-se, inclusive, com o argumento de que conhecendo o passado melhor se comportaria no presente, e melhor se agiria em relação às situações e pessoas.

Ouçamos os Benfeitores Espirituais que trouxeram o Consolador prometido por Jesus à Terra:

“Por que perde o Espírito encarnado a lembrança do seu passado?

“Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, o homem é mais senhor de si”.

A resposta nos remete à necessidade de se tomar decisões fundamentadas não no conhecimento do passado, mas sustentadas em valores morais que se deve incrustar na consciência, por livre vontade, e não por obrigação causal.

Continuemos estudando com os Benfeitores:

“Em cada nova existência, o homem dispõe de mais inteligência e melhor pode distinguir o bem do mal. Onde o seu mérito se se lembrasse de todo o passado? Quando o Espírito volta à vida espírita, diante dos olhos se lhe estende toda a sua vida pretérita. Vê as faltas que cometeu e que deram causa ao seu sofrer, assim como de que modo as teria evitado. Reconhece justa a situação em que se acha e busca então uma existência capaz de reparar a que vem de transcorrer. Escolhe provas análogas às de que não soube aproveitar, ou as lutas que considere apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores que o ajudem na nova empresa que sobre si toma, ciente de que o Espírito, que lhe for dado por guia nessa outra existência, se esforçará por levá-lo a reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das em que incorreu. Tendes essa intuição no pensamento, no desejo criminoso que frequentemente vos assalta e a que instintivamente resistis, atribuindo, as mais das vezes, essa resistência aos princípios que recebestes de vossos pais, quando é a voz da consciência que vos fala. Essa voz, que é a lembrança do passado, vos adverte para não recairdes nas faltas de que já vos fizestes culpados. Na nova existência, se sofre com coragem aquelas provas e resiste, o Espírito se eleva e ascende na hierarquia dos Espíritos, ao voltar para o meio deles. (2)

Não temos, é certo, durante a vida corpórea, lembrança exata do que fomos e do que fizemos em anteriores existências; mas temos de tudo isso a intuição, sendo as nossas tendências instintivas uma reminiscência do passado. E a nossa consciência, que é o desejo que experimentamos de não reincidir nas faltas já cometidas, nos concita à resistência àqueles pendores”. (3)

Lidar com o conhecimento do passado não é tarefa fácil. Na atual encarnação, com o conhecimento que possuímos, ainda temos dificuldades de perdoar e conviver com determinadas pessoas, imaginemos, portanto, se soubermos o que deu causa ao que vivemos agora.

Também temos dificuldades com situações complicadas que se apresentam ao nosso espírito, e via de regra as justificamos como vinculadas às existências anteriores, o que nem sempre é verdade, mas, por viciação mental, evitamos raciocinar em termos de serem frutos de negligência atual. 

Claro está, nas orientações acima, que a situação atual é decorrente das necessidades do Espírito, seja por expiações relativas às faltas cometidas em existências anteriores, seja por provas solicitadas antes da atual reencarnação e, em tese, não haveria necessidade de se saber, no detalhe, as causas que as geraram. Bastaria que descansássemos nossa fé no conhecimento que nos é dado pela Doutrina Espírita, para termos paz de espírito e predisposição para enfrentarmos a vida, exatamente como planejamos fazer antes de reencarnarmos.


Referências:

(1) Emmanuel e Francisco C. Xavier, Livro Leis de Amor, Cap. VI, Consequências do Passado;
(2) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, item 392;
(3) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, item 393.



Antônio Carlos Navarro


17 outubro 2017

Reencarnação de Santos Dumont - Gerson Simões Monteiro



REENCARNAÇÃO DE SANTOS DUMONT



O leitor Gilson Machado me perguntou o seguinte: se o Espírito Santos Dumont já havia se comunicado por algum médium; se já estaria reencarnado; ou se estava no mundo espiritual assistindo às comemorações do centenário do primeiro vôo do seu avião 14 BIS em torno da Torre Eifel, em Paris. Bem respondendo à sua primeira pergunta, informo-lhe que em julho de 1948, Santos Dumont enviou pelo médium Chico Xavier uma oportuna mensagem, na qual diz em certo trecho: “Não há vôo mais divino que o da alma. 

Não existe mundo mais nobre a conquistar, além do que se localiza na própria consciência, quando deliberarmos converter-nos ao bem supremo. Alcemos corações e pensamentos ao Cristo”. O texto na íntegra está publicado no livro Trinta Anos com Chico Xavier.

Com relação à sua segunda pergunta, esclareço-lhe que ele reencarnou na cidade de Campos, em março de 1956, como filho de Clovis Tavares e de Hilda Mussa Tavares, com o nome de Carlos Vitor, segundo revelação de Chico Xavier. Aos nove meses de idade ele caiu de um carrinho de bebê, e com o tombo deslocou a vértebra cervical, ficando tetraplégico. Esse fato foi narrado por seu irmão Dr. Flavio Mussa Tavares, médico homeopata, ao ser entrevistado pelo jornal Folha Espírita de abril desse ano.

Dr. Flávio disse, também, que seu irmão, Carlos Vitor, a partir daí passou a depender totalmente de seus pais, dele e de sua irmã, vindo a desencarnar aos 17 anos de idade, em fevereiro de 1973. 

Como se sabe, em agosto de 1914 a França foi invadida pelas tropas do Império Alemão. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra, primeiro para observação de tropas inimigas e, depois, em combates aéreos. 

Os combates aéreos ficavam mais violentos, com o uso de metralhadoras e disparo de bombas. Santos Dumont viu, de uma hora para a outra, seu sonho se transformar em pesadelo. Daí começava a guerra de nervos de Dumont. Em 1932 ocorreu a revolução constitucionalista, em que o estado de São Paulo se levantou contra o governo revolucionário de Getúlio Vargas. Mas o conflito aconteceu e aviões atacaram o Campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente, sobrevoaram o Guarujá, e a visão de aviões em combate pode ter causado uma angústia profunda em Santos Dumont que, nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade. Os médicos legistas Roberto Catunda e Ângelo Esmolari, que assinaram seu atestado de óbito, registraram a morte como ataque cardíaco. Entretanto, as camareiras que acharam o corpo, relataram que ele havia se enforcado com a gravata. Não suportando ver o seu invento sendo usado para matar, cometeu o suicídio.

Foi por isso, diz Chico Xavier, que o Espírito Santos Dumont, antes de reencarnar, decidiu expiar a sua morte pelo suicídio, por meio de uma vida curta como paraplégico. Eis por que a queda acidental sofrida por Carlos Vitor, aos nove meses de idade, deslocou a sua vértebra cervical. Chico Xavier disse, também, num programa de TV, que a vértebra já estava deslocada no seu perispírito, isto é, no corpo semimaterial que envolve o Espírito, lesada ao se enforcar. 

Esse depoimento, aliás, encontra-se registrado no livro Jesus e Nós.



Autor: Gerson Simões Monteiro
Fonte: (Grupo Fechado) Irmã Scheilla - A Enfermeira do Alto


16 outubro 2017

Casas velhas, velhas casas - Momento Espírita



CASAS VELHAS, VELHAS CASAS


É comum, quando se viaja pelo sul do Brasil, encontrarmos velhas casas de madeira.

Não se trata de casas que tenham sido tombadas pelo patrimônio histórico, por qualquer razão, mas, simplesmente, casas antigas.

A madeira envelhecida, as telhas de barro enegrecidas pelas intempéries e os anos rolados, a pintura um tanto desbotada.

Em algumas, ainda persistem as latas vazias de azeite de cozinha, abertas, penduradas com capricho, cheias de flores. Vasos improvisados que resistiram ao tempo.

Enquanto o automóvel vai cobrindo os quilômetros, permanecemos na observação, que nos leva a cogitar de quantos amores ali viveram.v Quantas vidas nasceram entre aquelas paredes, quantas crianças cantaram, brincaram, gritaram, se divertiram, correndo de um lado para outro, saindo pela porta da frente, dando a volta pelo jardim e entrando pelos fundos.

Quantos pais viram seus filhos partir, olhando-os até desaparecerem na curva da estrada, dali, do portão também de madeira.

Filhos que não retornaram ao lar, por alcançarem estradas internacionais, conquistando lauréis. Ou por terem ingressado no mundo espiritual, levados pela morte.

Quantos casais envelheceram juntos, vendo o progresso tomar conta das lavouras, das estradas, do mundo.

Quantos dramas terão suportado aquelas paredes, que permanecem em pé, desafiando os anos que se somam, e se multiplicam.

Algumas, um tanto abandonadas, se apresentam tomadas pela hera que as abraça, como desejando reter ali todo o amor que foi vivido, todos os risos e as alegrias experimentadas.

Fica a madeira encoberta pelo verde que insiste em se apoderar dos espaços, mais e mais, como a dizer: Se ninguém aqui mais reside, farei minha essa morada.

Ou talvez porque, em descobrindo a riqueza das vidas ainda presente, dela se deseje nutrir, e preservar essas vibrações tão felizes entre a ramagem que espalha.

Casas velhas. Velhas casas.

Olhando-as, nos pomos a reflexionar em como, por vezes, nos estressamos, nos preocupamos com tantas coisas pequenas, sem importância.

Brigamos, nos desentendemos porque queremos impor nossas vontades. Discutimos porque o quadro deveria ser pendurado nesse local e não naquele.

Criamos um clima tenso porque não aprovamos a cor da tinta que outros escolheram para nossa casa.

Choramos porque o sofá da sala foi manchado, a fina porcelana quebrou, o vaso se partiu.

E, no entanto, a vida passa tão rapidamente. E tudo o que é material e pelo qual nos empenhamos, fica para trás.

Alguém, depois que partirmos, assumirá esse patrimônio e o modificará, a seu bel-prazer.

Zelará pela sua conservação ou o passará adiante, ou o abandonará.

Ou talvez nem tenhamos, de verdade, a quem legar tudo isso que, ciumentamente, guardamos, e de que nem nos servimos de forma adequada, para não gastar, para não deslustrar.

Pensemos nisso e aprendamos a usufruir dos bens materiais que a Divindade nos permite possuir.

Eles existem para que nos deem prazer, conforto, aconchego, proteção.

E, de verdade, nos empenhemos em amealhar tesouros da alma, os únicos que levaremos conosco, quando a morte vier nos convidar para adentrarmos a Espiritualidade, outra vez...

Pensemos nisso, agora.


Por Redação do Momento Espírita


15 outubro 2017

Obsessão na Casa Espírita - Márcio Martins da Silva Costa



OBSESSÃO NA CASA ESPÍRITA


Felisberto era encarregado do Departamento Doutrinário da Casa Espírita em que frequentava. Assumiu esta tarefa pela indicação unânime de todos os demais colegas, os quais o consideravam um exemplo de conhecimento da Doutrina. Sempre que havia alguma dúvida nos estudos, Felisberto era solicitado. Quando o Centro se preparava para algum seminário ou outro evento, era também Felisberto que indicava os livros de referência.

Anos se passaram, e o que era a satisfação e exemplo de trabalho foi transformando-se aos poucos em um orgulho velado por parte de Felisberto. O que antes era simplicidade passava a dar lugar a expressões imponentes, tais como: -“…e você não sabe isso? Não leu ainda?”, franzindo o rosto de maneira amarga.

Entre o vai-e-vem dos participantes dos grupos, novas pessoas foram chegando a Casa Espírita, conhecendo Felisberto como sendo uma das “autoridades” do Centro. Os mais novos nem se atreviam a se contrapor com questionamentos e perguntas, pois sabiam que poderiam ser rechaçados diante dos demais irmãos se o distinto coordenador estivesse por perto.

Sem encontrar pessoas dedicadas como ele à leitura detalhada da Doutrina, passou a assumir uma postura mais fechada. Quase não sorria mais. No seu entender, aquele seu perfil exemplificava a seriedade com a qual os estudos deveriam ser conduzidos.

Logo sua postura contagiou alguns confrades que também passaram a adotar um posicionamento mais sério. As reuniões da Diretoria, que antes eram realizadas em clima fraterno e feliz, passaram a ser conduzidas com certo constrangimento dos integrantes. Só havia espaço para a prece de abertura, as propostas de Felisberto, a apresentação de detalhes administrativos por outros membros e o encerramento com uma curta prece.

Anos de pequenas mudanças, imperceptíveis pela maioria, passaram a influenciar a psicosfera da Casa. O que antes representava acolhimento figurava-se agora como constrangimento. Iniciativas dos mais novos trabalhadores costumavam ser tolhidas, na justificativa de que eram necessários anos de estudo para estar à frente de qualquer atividade. A Casa já não lotava suas fileiras como antes.

Felisberto agora já exibia cabelos grisalhos e o rosto enrugado, quando uma mensagem fora recebido em uma reunião mediúnica. O tema da comunicação era o afastamento das pessoas do Centro. De acordo com o mentor espiritual da Casa, espíritos de regiões entenebrecidas pelo ódio e pela inveja do bem há anos se incomodavam com os resultados sublimes angariados pelos trabalhadores. Eles queriam impedir a continuação daquelas atividades redentoras. Mas precisavam partir de algum ponto.

Sem adentrar em detalhes, a comunicação destacava que um dos antigos e influentes trabalhadores do Centro fora escolhido para o início do ataque, em face de suas imperfeições morais sedimentadas ainda no orgulho e na vaidade. Assim, uma turba de espíritos passariam a obsidiá-lo com frequência até que houvesse a possibilidade de obsidiar outros também.

A mensagem se encerrava dizendo que ainda havia tempo para mudar todo aquele cenário. Mas deveria haver o concurso de todos na auto-vigilância e na prece contínua à luz dos ensinamentos do Evangelho.

Quando terminou a reunião, alguns dos presentes criaram em suas telas mentais a imagem de Felisberto. Mas poucos se mostraram inclinados a levar a mensagem para ele.

* * *

Allan Kardec detalha os processos obsessivos no Capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns. De acordo com a classificação proposta pelo codificador, os processos podem ser de obsessão simples, fascinação e subjugação, aumentando a sua gravidade, seguindo esta ordem [1].

O primeiro caso é negado por muitos, mas pode ocorrer com vários de nossos irmãos pelo natural intercâmbio existente entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Basta criarmos conexões deletérias, geradas por pensamentos de baixo teor moral, tais como a inveja, a raiva, a ganância, o orgulho, etc. que estaremos propensos a abrir as portas para os espíritos inferiores que desejam nos dominar. Como efeitos, podemos perceber no obsidiado ideias fixas, desconfianças, desentendimentos em excesso, enfermidades, dentre outros.

No segundo caso, a fascinação, as consequências são mais graves. O obsidiado é envolvido em uma falsa percepção dos fatos, sendo iludido pelo espírito fascinador. Ele então passa a ter uma confiança cega naquilo que faz, acreditando que não está sendo influenciado. A crítica o perturba. Irrita-se com o próximo que se opõe a ele. Às vezes até crê que os demais em sua volta é que estão envolvidos em processos obsessivos. Achando-se dono da verdade, o obsidiado, muitas das vezes, sob a influência do espírito obsessor, procura afastar as pessoas que potencialmente poderiam lhe “abrir os olhos”, a fim de evitar a contradição e se manter na razão. Este processo geralmente é difícil de ser tratado, pois o obsidiado nem sempre aceita que está nesta situação.

No último caso, o obsidiado fica sob verdadeiro jugo, ou seja, sob domínio do espírito obsessor. Nesta situação, a vítima pode tomar decisões absurdas e comprometedoras; pode realizar atos motores involuntários e até perder a lucidez.

O pequeno conto apresentado, enriquecido com ingredientes potencialmente reais, apresenta um caso onde a invigilância do trabalhador abre gradativamente as portas para um processo obsessivo mais grave. Sem a observância da prece e da sintonia com os bons espíritos protetores e amigos, o obsidiado permite, sem se dar conta, de que suas imperfeições passam a criar conexões mentais com a espiritualidade inferior, a qual se aproveita da oportunidade atingir os demais trabalhadores da Casa.

De acordo com Allan Kardec, os meios de se combater os processos obsessivos variam de acordo com a situação estabelecida. Começar pela contínua vigilância e prece, procurando se desvencilhar de nossas más tendências e inclinações, já será um indicativo para o obsessor de que suas investidas são uma perda de tempo. Sendo paciente e persistente neste processo de melhoramento das condições morais fará o obsessor perceber de que não adianta dar continuidade ao processo.

Dependendo da insistência do obsessor, o processo ainda pode levar um tempo demasiado. Assim, devemos também buscar o acolhimento de nossos Espíritos protetores e o auxílio dos Espíritos simpáticos e amigos que nos assistem. Nunca estamos sozinhos e em cada encarnação sempre temos uma falange que torce pelo nosso êxito nesta vida. Juntemo-nos a eles.

Podemos, ainda, também receber preces de outros que, com certeza, nos ajudarão enviando mais amigos espirituais para nos apoiar. Mas nenhuma das preces será maior do que aquela oriunda do fundo de nossa alma, buscando o melhoramento de nossos atos e ações (não só físicos, como mentais), como também, em prol daqueles irmãos infelizes que estão ali tentando nos incomodar. Rezemos por nós, mas também rezemos pelos nossos obsessores. O desejo do bem a eles também os fará perceber o quanto perdem tempo em nos tentar iludir.

Durante o dia, busquemos manter a sintonia com pensamentos felizes, de amor, paz e caridade pelo próximo, seja ele encarnado ou não. Busquemos também identificar as nossas imperfeições, tentando mudá-las no momento em que elas ocorrerem, ou até mesmo evitá-las. À hora de dormir, façamos uma reflexão sobre o que poderíamos melhorar em nós mesmos. O que fizemos naquele dia que poderia ter sido mais produtivo para nós e para quem nos cerca.

Os nossos esforços no bem nos ajudarão a ascender nossas condições morais. Sob condições morais mais elevadas não seremos alvo de espíritos inferiores. Lembremo-nos de Jesus, nossa guia e modelo, cuja superioridade moral inquestionável afastava quaisquer possibilidades de obsessão.


Márcio Martins da Silva Costa

Referência:

[1] A. Kardec, O Livro dos Médiuns. 1861.



Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
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14 outubro 2017

Masturbação á luz do Espiritismo - Espírito Eugênia



MASTURBAÇÃO Á LUZ DO ESPIRITISMO



Pergunta – Eugênia, seria abusivo perguntar sobre masturbação?

Resposta – Claro que não. A forma de me perguntar já revela a necessidade de se ventilar a temática. Tudo deve ser falado, sob a perspectiva da Espiritualidade, principalmente o que é foco de tabu, porque, então, os automatismos neuróticos e destrutivos, bem como as fixações culturais e sociais, agem mais livremente a prejuízo de comunidades e indivíduos.

Pergunta – No passado, Eugênia, tratava-se a masturbação como pecado ou como desequilíbrio que até poderia causar distúrbios mentais e físicos. A medicina (auxiliada pela psicologia e pela sexologia) eliminou os fundamentos de tais crendices populares (que tiveram muito apoio de gente instruída, em tempos idos), mas, no meio espírita, ainda se considera a masturbação como vampirismo ou desvio de função das energias sexuais, um desperdício, qual se todo ato masturbatório indicasse uma queda em tentação. Poderia nos falar algo sobre estas considerações?

Resposta – Sim. É gritantemente necessário que o postulado básico de acompanhar a ciência seja lembrado entre aqueles que desejam, sinceramente, desposar o Espiritismo como filosofia de vida. Apegar-se a velhos conceitos, por tradição, por medo de enfrentar o novo ou por receio de ser plenamente responsável pelos próprios atos, é de tal modo descompassado com a modernidade, que nos eximimos de expender mais comentários a respeito. Importante lembrar que médiuns acabam filtrando, inconscientemente, o pensamento das entidades que se manifestam por seu corpo mental, de modo que refrações sutis e graves podem se dar (e se dão sempre, em algum nível). Eis por que a vigilância deve ser acentuada, sobremaneira quando condicionamentos culturais e convenções muito cristalizadas estão envolvidos.

O que tem dito a ciência sobre o assunto? Que a masturbação é algo natural e até desejável para o indivíduo adulto; e que, mesmo entre aqueles que já têm a vida afetiva disciplinada nos corredores da educação conjugal, é compreensível aconteça o fenômeno do onanismo (para os dois gêneros), que se revela mesmo imperioso, amiúde, quando os ritmos sexuais dos parceiros não se alinham, a fim de que um não incomode o outro na satisfação de suas necessidades de fundo psicofisiológico, nem alguém se frustre na quota de libido que lhe não seja possível imediatamente canalizar para atividades não-sexuais, sem gerar recalques indesejáveis.

Seja na tenra idade, seja em idade avançada, para solteiros ou casados, hétero ou homossexuais, o fenômeno masturbatório pode ser comparado à ida ao banheiro para a excreção dos detritos alimentares. Há abusos, sem dúvida, como os há em tudo na existência humana. Os ritmos sexuais podem ser exacerbados, na compulsão, ainda que se não tenha parceiro para a prática. Cada caso é um caso, e, somente com profundo autoconhecimento, a criatura descobre o sistema apropriado ao seu modo de ser, em função do bem-estar geral, da produtividade, da criatividade e do sentimento de equilíbrio íntimo, que constituem alguns dos resultados da vida sexual resolvida.

Quanto ao vampirismo, pode acontecer também na vida afetiva a dois, sempre que os desajustes da perversão e da promiscuidade invoquem, para a alcova do casal, presenças extrafísicas de baixo calão vibratório, pelo próprio diapasão de desequilíbrio em que se expressam em seu momento de intimidade.

Pergunta – Que bom, Eugênia! Creio que estas suas colocações esclarecedoras vão ajudar muitas pessoas. Entretanto, você aludiu a “perversão”, e este conceito me parece muito amplo e difuso, pelo mesmo motivo de os preconceitos adentrarem este departamento valorativo. Temos muita dificuldade em aceitar e conviver com nosso lado animal, e muitos são os que têm vergonha e não se soltam em funções elementares de sua própria fisiologia, tudo tendo como sinal de depravação, primitivismo e imoralidade. O que você quis dizer por “perversão”? Digo, porque, inclusive, na temática “masturbação”, está em jogo, normalmente, o fator “fantasia”, que pode incluir itens que não sejam desejados também na relação concretizada a dois – estou certo?

Resposta – O tema é muito complexo, e, sem dúvida, não o esgotaremos nesta nossa primeira fala a respeito. Por outro lado, não somos autorizados por Nossos Maiores, ainda, a discorrer abertamente sobre o assunto, porque mentes menos amadurecidas, levianas, despreparadas para nos ouvir, poderiam fazer mau uso de nossas afirmações. O que podemos dizer é que tudo que lese física, emocional ou moralmente alguém pode ser enquadrado no capítulo “perversão”, ao passo que tudo quanto promova o bem-estar biopsíquico, o crescimento psicológico e a boa relação entre as criaturas não pode ser considerado como distúrbio moral ou patologia psíquica.

O quesito “fantasia” é ainda mais intrincado, porque, freqüentemente, melhor que se liberem certos conteúdos indesejados (e ainda não de todo domesticáveis) da psique, por meio das ferramentas imagéticas, do que fazê-los colapsarem no próprio comportamento, em surtos que se chamam, em psicologia junguiana, de “possessão pela sombra” (*). Os princípios de civilização, entretanto, devem sempre reger tais processos mentais, na promoção da educação e da melhoria progressiva dos indivíduos, dos mais ínfimos aos maiores gestos, dos mais secretos aos públicos. A gerência de tais impulsos – que, como disse, não podem, em sua totalidade, ser de pronto sublimados – corre por conta da responsabilidade de cada um, em função do próprio e do bem comum.

Pergunta – Algo mais desejaria dizer, por ora?

Resposta – Que se procure, em tudo, o ponto de vista do bom senso, do equilíbrio, da visão de conjunto, e dificilmente se incorrerá em erros graves de conduta, seja consigo mesmo, seja nas relações interpessoais.


Por Espírito Eugênia por meio da mediunidade de Benjamim Teixeira

13 outubro 2017

Transtornos alimentares em uma visão Espírita - Olinta Fraga



TRANSTORNOS ALIMENTARES EM UMA VISÃO ESPÍRITA


Embora pareçam transtornos modernos, suas origens podem ser encontradas muito tempo. De forma sintética, podemos encontrar a anorexia nos antigos jejuns como também nos períodos de muita precariedade, como durante guerras, e mortes por inanição. A bulimia relembra a indução à gula e vômitos provocados nos festejos entre os poderosos. O culto ao corpo tem suas bases na Grécia;

Conforme nossos estudos, na busca da etiologia espiritual desses transtornos, assistidos por Orientadores Espirituais, muitos foram aqueles que levaram à morte, por inanição, escravos, inimigos, etc., ou que praticaram a antropofagia, ou envenenamentos. Criaturas com poder religioso convenceram escravos ao jejum, com o intuito de diminuir os gastos dos donos de propriedades.

São resultado de diversas reencarnações, que deixaram comprometimentos em nosso corpo astral, de forma mais definida nos chacras gástrico e frontal. No chacra gástrico, está o centro de nosso poder pessoal e o controle de nossa energia emocional. Sua disfunção pode levar à falta de ânimo, de confiança e de vontade e também às dificuldades afetivas. No chacra frontal, está o centro da compreensão, memória, imaginação. Sua disfunção dificulta a empatia e a criatividade.

São transtornos de difícil recuperação. No entanto, conforme estudiosos, se o problema surge na adolescência, as chances são maiores do que quando surgem na fase adulta.

É extremamente importante a terapia individual e também em grupo, pois favorecerá a socialização e a reflexão por meio do espelho do outro. O trabalho com os familiares também é importante, uma vez que é preciso criar espaço para que esses revejam as relações no ambiente doméstico.

É também indicado as terapias magnéticas, como o passe e a água fluidificada, que favorece na organização energética, facilitando a abertura e aceitação para o movimento de mudança. As tarefas beneficentes proporcionam experiência de trocas gratuitas e nutridoras.


Olinta Fraga - Psicóloga
 Adaptado da Revista Saúde da Alma nº 04



12 outubro 2017

Mártires, Pulgas e Leões - Rocelito Paulo




MARTÍRES, PULGAS E LEÕES


Segundo o Jornalista Marcel Souto Maior, consta “que uma senhora chegou perto do Chico Xavier feliz da vida porque tinha feito uma descoberta.
- Fui mártir. Morri na arena devorada por um leão. E você, Chico?
- Ah, eu fui a pulga do leão.”

Situações semelhantes à narrada pelo Jornalista se repetem pelo movimento espírita, e concorrem para afastar o Espiritismo da essência de Kardec, porque descobertas dessa natureza revelam muito mais uma curiosidade individual e egoísta, do que propriamente a captação de aprendizado espírita. A consequência negativa é o fato de aceitarmos a manifestação de mártires, pulgas e leões.

Sabemos que o tema da reencarnação não é uma criação Espírita. Outros sistemas mais antigos que o Espiritismo já defendiam a possibilidade das múltiplas existências corporais, todavia, somente Kardec conseguiu proporcionar ao referido tema, um objetivo coerente com a Criação e a Justina Divinas.

Descobrir tão somente os mártires que fomos em passagens anteriores, não representa um dado significativo à atual existência encarnatória, até porque a maioria das descobertas, na forma como tem sido reveladas, se reporta à vultos importantes da história ou a signatários de status social importante e invejável para os dias de hoje.

Na maioria das vezes, o príncipe ou o rei da reencarnação anterior não se representa no plebeu de hoje, a não ser no orgulho, e o mártir de outras eras não repete a abnegação santificante e a devoção sacrificial à promessa de Jesus, a não ser na hora da dor intensa. Se depender dessas revelações na verdade todos nós teremos sido leões, nenhum de nós foi pulga, muito menos mártir. A proposta da reencarnação na Doutrina Espírita não se resume em satisfazer puramente a curiosidade do que fomos, que profissão tivemos, que cargo desempenhamos, a quem assassinamos, a quem amamos, a quem ofendemos, a quem odiamos, a quem empobrecemos, com quem casamos, onde vivemos, que cor da pele tivemos, a que raça pertencemos.

O reencarnar espírita tem duplo objetivo: primeiro o de permitir ao ser reencarnante que ele alimente a sua própria evolução em duas dimensões, ora na intelectual, ora na moral; e o segundo objetivo é o de permitir ao referido ser que ele participe da Criação Divina no momento em que é lhe dada a responsabilidade de promover a evolução do próximo: é assim que o pai se torna responsável pela evolução do filho, o professor pela do aluno, o político pela da comunidade, o padre pela da igreja... É assim que se justifica a coexistência de mártires, pulgas e leões.

Nós temos a necessidade intrínseca de aprender, e por mais incrível que isso possa parecer, quanto mais aprendemos mais descobrimos que nada sabemos... quanto mais leão, ainda mais pulga e aí surge a oportunidade dos mártires.

Nós temos a necessidade premente da ética e da justiça, e no entanto, só entendemos o que é justo ou injusto quando somos nós os ofendidos: nesta hora, bramimos feitos leões, saltamos feitos pulgas e passamos a sacrificar os mártires.

É por isso que não sabemos tudo e, de alguma forma, em algum momento qualquer, vamos precisar da cooperação de quem sabe o que não sabemos, e do amparo e do auxílio de quem já é o que ainda não somos, para que possamos alcançar o progresso do qual necessitamos: nessa hora, não há leões, não há pulgas, não há mártires.

Por outro lado, se olhássemos no espelho da nossa alma, e procurássemos honestamente identificar os pontos negativos que em nós persistem, descobriríamos o quanto cruel nós ainda somos, e facilmente descobriríamos o ser primitivo e animalesco que somos e que fomos nas reencarnações anteriores e que não deveremos repetir nas futuras encarnações.

Também se buscássemos na nossa alma as atitudes nobres que já conquistamos, sem o exagero da autopromoção e sem qualquer caracterização de personalismo, verificaríamos o que bem soubemos aproveitar nas oportunidades que abençoadamente já nos foram concedidas.

Dentro da evolução espírita, não interessa se o espírito encarnou engenheiro ou pedreiro, se general ou soldado, se cientista ou analfabeto. Interessa quantos lares se foi capaz de ajudar a construir na pedra e no coração. Interessa quantas guerras se foi capaz de evitar entre países ou entre vizinhos. Interessa quantas oportunidades de melhorias se foi capaz de proporcionar para um mundo ou para um homem.

Na história e no estudo do tema da reencarnação, temos muitos exemplos de espíritos notabilizados no contexto material, os quais a sociedade atual venera as ideias e conserva o exemplo, todavia, quando entrevistados no mundo espiritual, se revelam eles próprios decepcionados com a oportunidade santa que simplesmente desperdiçaram na ilusão da matéria.

Mas há também aqueles outros espíritos que a sociedade atual julga, critica e condena ao ostracismo no pior dos infernos, mas que, no entanto, já reencarnaram e retomaram a prova material e aproveitaram a bênção da segunda oportunidade, e assim conquistaram na esfera espiritual uma luminosidade que os torna transcendentes aos ambientes que visitam.

E como Deus é justo e paciente, reencarnaremos quantas vezes nos for necessário espiritualmente para que possamos conquistar, de forma plena, o conhecimento e a moralidade úteis à nossa perfeição.

É assim, que pela bondade de Deus, através do processo de reencarnações sucessivas, um dia nós aprenderemos a nos amar e respeitar fraternalmente como irmãos e deixaremos de nos comportar como mártires, pulgas e leões.


Por Rocelito Paulo


11 outubro 2017

A difícil prova do livre arbítrio - Carmem Paiva de Barros



A DIFÍCIL PROVA DO LIVRE ARBÍTRIO


O maior filósofo de todos os tempos, Sócrates (469-399 a.C), ensinava aos seus discípulos que “o bem e a virtude eram conseqüências naturais do saber”.

Assim, se o conhecimento leva o Espírito humano à conquista da sabedoria e também à prática da injustiça e da maldade, essa conduta amoral tem sua causa na ignorância do verdadeiro saber, ou seja, o mal nada mais é que a falta de conhecimento pleno e racional do bem.

Daí a razão de tantos delitos graves que provocam a perda de vidas humanas preciosas, principalmente de jovens orgulhosos do seu saber, cheios de ambição, com brilhante futuro pela frente.

Os pais, mesmo os espíritas, não têm sobre seus filhos completo domínio de suas ações pessoais. Esses filhos são Espíritos dotados de um mecanismo poderoso que determina a sua trajetória de vida terrena, seja para o bem ou para o mal: o livre arbítrio. Mostramo-nos como bons exemplos de conduta e comportamento. Aconselhamos e orientamos dentro de uma filosofia pedagógica marcada pela simplicidade de nosso próprio aprendizado de vida. Criamos e educamos nossos filhos com a melhor parte do nosso amor, de nossa afetividade, de nossa extremada dedicação, antevendo um amanhã próspero e feliz para cada um deles.

Nossos filhos sabem que estamos querendo o melhor para eles, mas nem sempre eles querem esse “melhor” para si mesmos. As boas ou más tendências que revelam são frutos do próprio caráter e de sua natureza espiritual.

Quando são maleáveis e sensíveis aos nossos conselhos, crescem dóceis e disciplinados para enfrentar com equilíbrio as provas e expiações a que se submeterão no decorrer da existência terrena.

Difícil mesmo é educar o Espírito orgulhoso do seu saber, rebelde sem causa, indisciplinado e irônico com o sofrimento alheio. Imaginamos quantos pais e mães, espíritas ou não, carregam silenciosamente sua angústia e seu medo com aquele filho, “criado com tanto amor”, mas que não respeita nenhum código social, ético, moral ou religioso.

Os “filhos do mundo” acreditam que são “donos” de suas vidas e que podem manipular o livre arbítrio sem o menor constrangimento. No entanto, quase sempre são surpreendidos na plenitude da vida pelo desencarne imprevisível e doloroso para suas famílias. A maioria é assassinada por conta da ambição e do orgulho ferido de outros Espíritos mais inferiores moral e intelectualmente. Esses Espíritos arrebatam tudo daqueles que lhes cruzam o caminho sem pressentir a maldade dissimulada e a brutalidade injustificável do seu gesto criminoso.

Assim como Deus não pode se servir do cego para fazer compreender a luz, os pais e as mães do nosso mundo não tem como impedir que seus filhos passe pelo crivo da prova ou da expiação mais dolorosa.

O livre arbítrio de cada um é fator determinante no processo de reparação moral a que estão sujeitos diante da vida equivocada e leviana assumida como “boa e correta”.


Por Carmem Paiva de Barros

 

10 outubro 2017

A Educação Espírita é sinônimo de liberdade? - Heloísa Ferraz Pires,



EDUCAÇÃO ESPÍRITA É SINÔNIMO DE LIBERDADE?


Considerando que libertar-se é ficar independente de todos os vínculos primários da matéria, de todas as seduções da carne, a Educação Espírita é sinônimo de liberdade.

Liberdade é responsabilidade. O exemplo maior de liberdade, de homem livre, foi Jesus de Nazaré. Porque ele era livre dos preconceitos de sua época, dos condicionamentos rígidos do povo hebreu, dos conceitos absurdos de pureza e impureza. Livre é o homem que se dirige à luz da razão, e não cai, na lama dos vícios do passado. Livres, foram Francisco de Assis e Paulo de Tarso. O homem que se considera livre para agir como um animal, na verdade é escravo de seus instintos. A mulher que se diz livre para se entregar a atos menos dignos, é escrava de si mesma. Ser livre é caminhar na vertical, procurando estrelas, e não curvado ao barro da terra.

Ser livre é integrar-se na harmonia universal. (...)

Liberdade é opção e capacidade de discernir o que lhe dará felicidade. Só pode discernir aquele que sabe o que lhe faz bem. (...) O Nirvana de Buda é, exatamente, esse domínio das paixões inferiores. Sócrates, Platão, Confúcio e outros grandes vultos pregaram a necessidade do homem superar suas paixões rasteiras, e de conseguir o domínio completo de suas emoções para ser feliz na Terra. Deus nos criou para a felicidade. Assim procedendo, estaremos aptos para tornar melhor a vida em nosso planeta de provas. Melhor seria chamá-lo de planeta de desenvolvimento espiritual, para não nos atermos a só evoluir pela dor. Diz A Gênese: “Se o homem agisse sempre de acordo com as leis de Deus, seria feliz sobre a Terra, e evitaria para si os males mais amargos. Mas, como contraria as leis, cria as situações difíceis, as provas dolorosas” (...)

Educar é despertar o homem cósmico.

Educado é o ser que se controla, que é fraterno, paciente, que ama o próximo como a si mesmo. Que sabe que somos todos irmãos, com direito à educação, à alimentação, ao trabalho. Educado é o ser que não fere, não lesa, não faz guerras e é incapaz de odiar. (...) Disse Jesus: “a minha paz vos dou...” Será o desenvolvimento do Reino de Deus em nosso interior. A possibilidade de nos tornarmos uma nota harmoniosa no concerto universal. Não mais as notas dissonantes, mas música suave, divina, que permitirá a nossa integração com o Todo.

Por: Heloísa Ferraz Pires

09 outubro 2017

Desfazendo confusões a respeito do "carma" - Rita Foelker



DESFAZENDO CONFUSÕES A RESPEITO DO "CARMA"

"Carma" é um termo muito usado e muito pouco compreendido. A palavra carma não pertence propriamente à terminologia da Doutrina Espírita. Sua origem é o sânscrito, um antigo idioma da Índia.

Nas filosofias hindus, carma é definido como conjunto das ações de uma pessoa e suas conseqüências.

Alguns companheiros espiritualistas e espíritas importaram este termo vindo de tão longe e passaram a utilizá-lo. No meio espírita, por exemplo, ele viria substituir a expressão "conseqüências da lei de causa e efeito".

Mas de maneira geral, o carma só é entendido em seu aspecto negativo, o que é um grande equívoco.

Conforme podemos observar na definição acima, o carma não se restringe às conseqüências negativas de nossas ações, porém ao conjunto de nossas ações (positivas e negativas) e suas conseqüências (positivas e negativas).

Uma segunda confusão envolve o emprego desta palavra. É quando se diz que tudo o que acontece a uma determinada pessoa é devido ao "carma".

Isto é um engano, nem tudo o que se passa conosco neste planeta é fruto do cumprimento da lei de causa e efeito, e nem tudo é fatídico e imutável como geralmente se pensa.

Que nos diz o Espiritismo a este respeito? Dentro da concepção espírita de vida, podemos afirmar que as condições atuais de nossa existência na Terra são definidas basicamente por três fatores:

1- A escolha, pelo próprio Espírito, antes de encarnar, do corpo ao qual se unirá e do estilo de vida que terá aqui na Terra, a qual incluiu elementos que definem, de forma bastante genérica as provas que vai enfrentar (O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Questões 334 e 335). Esta escolha poderá ser mais ou menos condicionada pela necessidade de reparação de suas faltas havendo, inclusive, certos casos em que a encarnação num determinado corpo poderá ser imposta por Deus (idem. Questão 337);

2- As escolhas feitas na existência atual e seus desdobramentos (O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Cap. V, Itens 4 e 5);

3- Os resultados de nossas ações do passado remoto, em cumprimento da lei de causa e efeito, fazendo com que colhamos, agora, frutos do amor ou do egoísmo plantados em outra encarnação (O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Questão 921; O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Cap. V, Itens 6 e seguintes).

O determinismo dos acontecimentos, portanto, não existe de maneira absoluta. Ele existe, devemos admitir, nas escolhas de que falamos no item 1, quando se trata de provas de natureza física (ex.: grupo familiar, enfermidades congênitas).

Quanto às provas morais, o Espírito conserva o livro-arbítrio, sendo possível ceder ou resistir às tentações e, mesmo, modificar no presente resoluções tomadas no Mundo Espiritual, antes de encarnar.

Em relação ao item 3, aos fatos que resultam de coisas que fizemos por ato de livre vontade, não há como fugir de suas conseqüências, sejam boas ou ruins. Mesmo que a nossa vontade nos desvie momentaneamente, cedo ou tarde, nossa própria consciência nos levará a responder por eles.

A fatalidade, neste caso, existe somente quanto à responsabilidade em si, à qual não pode o homem subtrair-se de modo algum, mesmo que séculos e distâncias o separem do ato causador. Mas não há fatalidade quanto à ocasião, nem quanto ao modo como se efetuará a reparação do mal a que se deu causa.

Por: Rita Foelker