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13 dezembro 2017

O que a raiva faz conosco? - Adriana Machado



O QUE A RAIVA FAZ CONOSCO?


Pensando de cabeça fria, respondo a essa pergunta sobre a raiva com uma resposta muito simples: ela nos incomoda! Mas, saindo de um momento de turbulência, eu descreveria que a raiva faz muito mais do que isso: ela nos devasta! Ela acaba com a nossa paz, com a nossa alegria, ela nos adoece e... como é difícil voltar a serenidade anterior!!

A raiva não é sentida à toa. Ela só aparece porque algo acontece. E esse algo, vindo de fora ou de dentro, atinge alguma coisa, no nosso mundo interior, que é muito importante para nós, mesmo que não saibamos o que tenha sido. Na maioria das vezes, ficamos com raiva sem conseguirmos identificar o que foi mexido em nós.

Mas, a raiva não é um sentimento natural nosso! Se alguém vive com raiva o tempo todo, algo está mais do que “errado”. Talvez, essa pessoa não esteja percebendo as suas emoções e age assim por acreditar que é um proceder que o ajudará a alcançar o seu objetivo (seja ele qual for). Exemplifico melhor: uma pessoa muito quieta sofre muito com as ações alheias. Então, em um determinado momento, ela reage com raiva e violentamente contra alguém e descobre nele a reação de respeito ou medo. Como ela somente conseguiu agir assim porque estava com raiva, em seu inconsciente, sempre buscará tal emoção para alcançar o seu intento. Então, por várias outras vezes, ela reagirá da mesma forma e gostando do que vê, não parará. Por um tempo, isso dará certo, mas, quando alguém começa a exagerar na raiva ou na violência, a reação natural daqueles que não se sintonizam com essas energias é se afastar. Enquanto, ela não perceber que as pessoas que valem a pena (para ela) estão se afastando, ela, possivelmente, continuará a agir no equívoco, porque foi a forma que percebeu dar certo.

A raiva se impregna em suas ações como uma doença altamente arrebatadora, ficando ali, manifestando os seus sintomas para quem quiser ver, inclusive o próprio raivoso que, no início, está cego para ela. Se ele a percebe, pode querer limitá-la ou extirpá-la, mas levará um tempo razoável para se descontaminar, porque ela fica encubada produzindo o efeito da insatisfação e da tristeza, da indignação e da impaciência. Tudo isso é devastador e viciante em nosso campo interno. Para nos descontarminarmos, para não cairmos realmente doentes em razão de a cultivamos em nós, precisaremos da compreensão do que é viver com ela e as suas consequências.

Ainda assim, somos seres que desejamos a paz, porque a paz faz parte de nosso ser divino, mas em razão de nossa ignorância, ainda não compreendemos isso. Ainda, nos iludimos acreditando que o nosso orgulho é sábio e o usamos como conselheiro para as nossas próximas ações (pós raiva) e aí fica tudo pior... Melhor responder a célebre frase do poeta maranhense, Ferreira Gullar: “Você quer ter razão ou ser feliz?” No momento do seu distúrbio, se você fizer essa pergunta para si, possivelmente, não agirá tão impulsivamente e se dará uma chance de evitar sofrimentos desnecessários. Quando entramos nestes embates, na maioria das vezes, o objeto da discussão não é tão relevante e sair vencedor não lhe trará nenhuma vantagem. Ou seja, é nada prático.

A raiva é uma consequência, uma reação, e o autor dela seremos somente nós mesmos. Sendo assim, a boa notícia é que podemos amenizá-la, podemos transmutá-la porque se fomos nós que a produzimos no nosso templo interior, somente nós, e tão somente nós, poderemos desconstrui-la. Essa é uma outra benesse da sabedoria divina atuando em nossa vida... somos os únicos responsáveis pelo nosso bem-estar!

Raiva... se ainda a temos, que a sintamos mais e mais levemente, abdicando do nosso orgulho e colocando como meta um resultado prático para as nossas ações: sermos felizes!


Autoria: Adriana Machado


12 dezembro 2017

Ansiedade - Divaldo P.Franco



ANSIEDADE


O nobre psiquiatra Emílio Mira y Lopez analisa, em sua obra monumental Os Quatro Gigantes da Alma, esses adversários do equilíbrio emocional da criatura humana, responsáveis por terríveis dramas do comportamento.

Parafraseando o emitente estudioso da psique, apresentamos a ansiedade como um aflitivo gigante que os tempos modernos acrescentaram ao mapa existencial e que domina expressivo número de indivíduos que jornadeiam aturdidos, sem a capacidade de fruírem paz.

A dinâmica dos dias atuais exige grande mobilidade, apurada atenção em torno dos acontecimentos, em face da rapidez com a qual as notícias são apresentadas, proporcionando incontrolável ansiedade nos menos resistentes e nos sentimentos da sociedade como um todo.

A falsa necessidade de estar-se informado a respeito de tudo quanto acontece no mundo impõe tormentosa inquietação emocional quanto insegurança pessoal, de modo a poder-se precatar das ciladas e desastres morais que surgem e são manchetes a cada momento.

Por outro lado, há uma inquietante ambição para ser-se visto, comentado, invejado nas redes sociais, que desequilibra completamente a conduta pessoal dos menos equipados de valores ético-morais.

Tudo ocorre com desastrosa rapidez no Facebook, tornando-se imperioso manter-se rico, famoso, motivo de comentários, especialmente em razão das extravagâncias cometidas.

Sempre estão onde não se encontram, porquanto a mente vive buscando a seguinte informação, aplicando valioso tempo na visita aos sites incontáveis e às notícias frívolas que lhes adquirem importância fundamental.

O paciente que tomba nessa armadilha logo se descobre insatisfeito e ansioso.

A ansiedade que decorre da expectativa de uma ocorrência que se espera, defluente de um fato de grande significado, é perfeitamente normal. Entretanto, quando produz taquicardia, sudorese, insônia já é patológica, tornando-se necessários cuidados especializados.

O ansioso deixa de viver o que sucede para encontrar-se aguardando o que espera acontecer. As suas expectativas, quando se tornam fatos, produzem um certo amargor, em razão de não haver fruído a alegria que pensava suceder. Isto porque futuros desejos tornaram-se primordiais em seu pensamento.

Na condição de Psicoterapeuta especial, Jesus prescreveu que vivêssemos cada dia, cada hora intensamente porque cada ocasião vale pelo que sucede. Propôs que fosse vivenciada cada experiência no seu momento próprio, mantendo-se irrestrita confiança em Deus.

Para que se possa viver em paz, faz-se imprescindível o trabalho de reflexão e análise dos significados existenciais, reservando-se momentos para pensar em torno da imortalidade e compreender-se o sentido da veste carnal, que é a felicidade.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 30.11.2017


11 dezembro 2017

Feliz do filho que é pai de seu pai antes da Morte - Fabricio Carpinejar



FELIZ DO FILHO QUE É PAI DE SEU PAI ANTES DA MORTE


Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. ”

Autor do texto: Fabricio Carpinejar

10 dezembro 2017

Fantasias do Ego - Fernando Rossit



FANTASIAS DO EGO


Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou notícias da mídia, mas se encontra julgando aqueles que lêem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego.

Sempre esteja consciente ao se sentir superior.

A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica.

O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorcê-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”.

Superioridade, julgamento e condenação.

Essas são armadilhas do ego.”

Mooji


Autor : Fernando Rossit

 

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


09 dezembro 2017

Preconceitos - Richard Simonetti



PRECONCEITOS


Diante do autor que autografava seu livro numa exposição, apresentou-se uma senhora mulata com o exemplar adquirido. Ele a cumprimentou, sorridente, e pediu seu nome.

– Iracema.

Passou, então, a escrever a dedicatória.

Em dado momento, ela o interrompeu:

– Por que o senhor escreveu meu nome com inicial minúscula?

– Desculpe, mas é assim que grafo o i maiúsculo. Pode notar que é maior do que as demais letras de seu nome.

– Não é nada disso! – respondeu ela, irritada.

E, tomando-lhe a caneta das mãos, rasurou seu nome na dedicatória, escrevendo por cima o que ela considerava a inicial correta. Livro debaixo do braço, afastou-se pisando duro, deixando aturdido o autor, bem como outras pessoas que aguardavam na fila.

***

Sabemos que o preconceito envolve vários segmentos da sociedade, nos aspectos cultural, espiritual, racial, religioso, algo que a reencarnação elimina.

Segundo a lei de causa e efeito, que sempre nos devolve o que fazemos ao próximo, não tenhamos dúvida de que o preconceituoso de hoje provavelmente estará amanhã, em futura experiência reencarnatória, vivenciando a condição daqueles que discriminou.

Lembro-me da revelação de um Espírito, em reunião mediúnica. Após ter sido cruel senhor de engenho no Brasil colonial, a judiar de seus escravos, reencarnou duas vezes no seio da raça negra, escravo também, para vencer o orgulhoso preconceito. E dizia:

– Foi uma bênção. Aprendi muito, principalmente a não discriminar as pessoas, independentemente de sua condição social, raça ou cor.

Nada melhor para nos ensinar a respeitar as pessoas do que a experiência de colher o desrespeito que semeamos.

No caso citado temos o preconceito invertido. Parte de alguém que fantasia atitudes discriminatórias do próximo a seu respeito, sempre com um pé atrás, procurando penugem em ovo.

Impossível ser feliz com semelhante comportamento. O problema é o orgulho. Se conjugarmos o verbo de nossas ações na primeira pessoa do singular, sempre cogitando de nossos interesses, estaremos propensos a cultivar preconceitos.

Podem vir de cima para baixo, das maiorias.

São aqueles que se julgam melhores que os outros, em face de sua etnia, da cor de sua pele, da posição social, da cultura, da profissão, da religião, do partido político…

Podem vir de baixo para cima, das minorias.

São pessoas que adotam postura de vítima, julgando-se perseguidas, injuriadas, incompreendidas, desprezadas… Tendem ao perturbador isolamento, imaginando que todos estão contra elas, sem perceber que, na realidade, elas estão contra todos.

O móvel das ações humanas é a felicidade. Em última instância, seria nos sentirmos bem, alegres, em paz, em qualquer situação.

Elementar que se trata de uma conquista interior. Por isso Jesus enfatizava que o Reino de Deus está dentro de nós.

Há um passo inicial, indispensável, enunciado pelo Mestre (Mateus, 5:3): Bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino dos céus.

A humildade é indispensável, a fim de que não nos imobilizemos no orgulho, que gera todos os preconceitos.

Se tenho consciência de minhas limitações, jamais me julgarei melhor do que ninguém, nem cultivarei a discriminação invertida que me leve a ficar ofendido porque alguém escreveu meu nome com inicial minúscula.

Richard Simonetti

08 dezembro 2017

5 Tarefas das Equipes de Desligamento para a Morte - Grupo Socorrista Obreiros do Senhor Jerônimo Mendonça Ribeiro



5 TAREFAS DAS EQUIPES DO DESLIGAMENTO PARA A MORTE


Somente alguns espíritos encarnados têm a capacidade de auto desligamento, ou seja, de desligar sozinho os laços que o prendem ao corpo físico. A grande maioria precisa de ajuda e amparo, pois o processo de desligamento é difícil para nós, que ainda estamos ligados “vibratoriamente” ao planeta.

Por esse motivo existe na espiritualidade equipes especializadas no desligamento. Elas realizam suas tarefas de acordo com o merecimento dos espíritos que estão desencarnando.

Quando o espírito é merecedor do auxílio que chamaremos de “completo”, eles realizam as seguintes tarefas:

1 – PREPARAÇÃO

O ambiente doméstico, os familiares e o próprio espírito que desencarnará em breve recebem visitas quase que diárias para auxílio magnético e preparação. Alguns recebem uma aparente melhora para consumação das sua últimas tarefas e para o último contato com os que lhe são queridos.

2 – PROTEÇÃO

Existem vampiros, obsessores e equipes das trevas especializadas em “vampirizar” os recém-desencarnados. A equipe espiritual tem como tarefa proteger o corpo físico e etérico (até o desligamento total) e o espírito contra as investidas das trevas.

3 – ENCAMINHAMENTO

Os espíritos recém-desencarnados são auxiliados para o encaminhamento ao local onde serão amparados, seja um Posto de Socorro, uma Colônia Espiritual ou, infelizmente, deixados entregues a si mesmo. Isso só acontece com os que não podem ser auxiliados, devido a grandes débitos ou apego em que se encontra. Ninguém pode ser levado para planos superiores do Astral sem estar preparado.

4 – CORTANDO OS LAÇOS

É comum a presença de espírito amigo ou familiar da última encarnação durante o desligamento. A maior parte dos espíritos de nível “médio” de evolução se mantém mais ou menos conscientes do que acontece (depende o grau de desprendimento e evolução). Por isso a presença da mãe, filho(a), irmã(o) etc, tranquiliza o espírito em processo de desencarnação.

5 – O ROMPIMENTO DO CORDÃO DE PRATA

A grande maioria dos espíritos em processo de desencarne ainda se acha ligada de alguma forma à matéria física, seja por amor à família, aos bens, preocupações com os que vão deixar etc. Em vista disso a desencarnação é gradual e o rompimento do cordão de prata, última etapa no processo de desligamento, só é realizado (na maioria dos casos) após algum tempo.

No livro Voltei e Obreiros da Vida Eterna (ambos de Francisco Candido Xavier) os espíritos são amparados por familiares, mãe e filha, respectivamente.

O tamanho das equipes é variado e geralmente organizado para amparar grupos de espíritos que desencarnarão em um período específico. Junto à equipe de desligamento encontram-se os amigos espirituais dessa ou de outras vidas, os familiares, os amigos espirituais de trabalho (no caso de médiuns) etc .

Não tenha medo de morrer. É voltar pra casa.


Fonte: Grupo Socorrista Obreiros do Senhor Jerônimo Mendonça Ribeiro

07 dezembro 2017

A criança livre é a semente do malfeitor




A CRIANÇA LIVRE É SEMENTE DO MALFEITOR


Bethany Thompson lutou contra um câncer no cérebro quando tinha apenas 3 anos de idade, e sobreviveu. A cirurgia que retirou o tumor foi um sucesso, mas deixou uma pequena sequela em seu rosto: a boca ficou levemente repuxada para a direita. Isso foi suficiente para ela se tornar alvo de comentários maldosos de outras crianças na escola. Bethany, 11 anos de idade, sofria bullying implacável na escola, até que chegou a um ponto em que não suportou mais e tirou a própria vida com um tiro. [1]

Caso semelhante ocorreu no Colégio Holy Angels Catholic Academy, em Nova York, Estados Unidos. Aí estudava Daniel Fitzpatrick, um aluno de 13 anos, que estava sofrendo bullying. Resultado: Daniel acabou se suicidando. Deixou uma carta de despedida e dentre outros bramidos de dor moral escreveu: “Eu desisto”! Disse ainda que os seus colegas da escola o atormentavam há muito tempo e a direção do colégio não fazia nada a respeito, mesmo após ele e os seus pais terem feito uma reclamação formal. A resposta do Holy Angels teria sido “Calma, tudo vai ficar bem. É só uma fase, vai passar”.

Como esquecermos a chacina na Escola Municipal Tasso da Silveira, de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, em que meninos e meninas ficaram irmanados num trágico destino. Suas vidas foram prematuramente ceifadas num episódio de insonhável bestialidade. O assassino Wellington Menezes de Oliveira, embora com a mente arruinada e razão obliterada, fez sua opção de atirar contra os alunos que o incomodavam. Numa fita gravada, Wellington alegou ter sofrido bullying anos antes, na mesma escola; neste caso houve uma reação violentíssima.

O bullying é uma epidemia psicossocial e pode ter consequências graves. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem ter queda do rendimento escolar, somatizar o sofrimento em doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade.

Os fatos, chocantes e tristes, trazem dois alertas a todos os pais e mães: o primeiro deles é estar atento às mudanças de comportamento dos filhos e buscar ajuda profissional sempre que necessário. O segundo alerta é falar com o filho sobre o respeito às diferenças. Ensinar sobre diversidade e tolerância. Essas lições, quando assimiladas desde cedo, formam pessoas mais empáticas e sensíveis à dor do outro – além, é claro, de evitar comportamentos agressivos como o bullying.

Urge estabelecer limites aos nossos filhos. Desde os primeiros anos, devemos ensiná-los a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo amando-os, independentemente de como se situam na escala evolutiva.

Crianças criadas dentro de padrões de liberalidade excessiva, sem limites, sem noções de responsabilidade, sem disciplina, sem religião e muitas vezes sem amor, serão aquelas com maior tendência aos comportamentos agressivos, tais como o bullying, pois foram mal-acostumadas e por isso esperam que todos façam as suas vontades e atendam sempre às suas ordens.

Por isso mesmo, importa ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois a infância é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. A criança livre é a semente do malfeitor. A própria reencarnação se constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo.

Pensemos nisso!


Jorge Hessen

Referência:



06 dezembro 2017

Ainda a gentileza - Divaldo P.Franco



AINDA A GENTILEZA


Nestes dias agitados e que se apresentam ricos de desencanto, de ansiedade, de loucura, é perfeitamente válido que voltemos a reflexionar em torno de valores morais e comportamentais que vão ficando à margem...

A perda de valores ético-morais e a ausência de respeito pelo próximo vêm transformando a nossa sociedade em diversas tribos de seres primitivos que se caracterizam pela agressividade e pelo exacerbado egoísmo.

Não se respeitam os direitos do outro, não se obedecem às leis, escasseiam os gestos de civilidade e quase todos somos consumidos pelo espírito de autodefesa, como se pertencêssemos a etnias diferentes que se detestassem.

Discute-se mais do que se conversa e armados não perdemos a oportunidade de um desforço, mesmo quando o motivo não é credor da mínima consideração.

Recordo-me de um fato curioso em que fui envolvido. Caminhava tranquilamente por uma das nossas ruas, quando fui atropelado literalmente por um esportista que corria no passeio fazendo cooper. Chocou-se comigo, porque a sua atenção estava na música que ouvia com audífonos modernos. Bati na parede, e, quando me recuperei e olhei para o cidadão, ele se encontrava quase em fúria porque perdera o ritmo a que se entregava.

Não me permitindo perturbar, disse-lhe: – Desculpe-me, porque estava à sua frente... De outra vez terei muito cuidado, a fim de não ser atropelado... E sorri.

O pseudoatleta desconsertou-se e pediu-me desculpas, reconhecendo-me e perguntando-me: – Você não é o Divaldo Franco? – Sim, respondi-lhe.

E ele, eufórico, concluiu: – É um grande prazer conhecê-lo pessoalmente. Eu também sou espírita...

Fiquei imaginando se ele sendo espírita, encontrava-se tão agitado, como seria se não adotasse uma doutrina de paz e solidariedade como é o Espiritismo.

Nunca será demais uma atitude gentil, compreensiva e fraternal.

O cansaço que toma grande número de pessoas é mais agitação e ambição de triunfos vazios na existência sem sentido, do que resultado de ações nobilitantes.

Necessitamos de reflexionar em torno do sentido da nossa existência na Terra e buscar viver conforme os padrões do equilíbrio e da harmonia interior.

Há poucos dias o Papa Francisco declarou com severidade que a missa era um culto respeitável, que exigia concentração e não algo turístico para fotografias...

A falsa necessidade de aparecer como triunfador, realizado nas redes sociais, agridem e aturdem os vencedores de mentira.

Gentileza para com eles e com todos: um semblante suave, um sorriso afável, um aperto de mão, um muito obrigado, uma saudação, constituem pequenos gestos de vida saudável.

Igualmente, ser gentil consigo, evitar intoxicar-se pela ira é recurso para a sociedade melhor.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no Jornal A Tarde, coluna Opinião, de 16.11.2017.

05 dezembro 2017

O que faz o espírito escolher ficar próximo ao plano material após a morte do corpo? - Regis Mesquita



O QUE FAZ O ESPÍRITO ESCOLHER FICARA PRÓXIMO AO PLANO MATERIAL APÓS A MORTE DO CORPO?


"As motivações para o espírito ficar próximo ao plano material logo após a morte do corpo são todas negativas, pois o caminho natural do espírito é se afastar, distanciar. Portanto, a escolha da proximidade corresponde a um uso intensivo dos recursos negativos que um espírito cultivou ao longo do tempo. Este uso maciço de negatividades geralmente gera confusão mental, percepção fantasiosa da realidade e um grande número de sentimentos negativos. É um mergulho no “fundo do poço” que cobrará um grande esforço para o espírito se reerguer. (Este raciocínio não vale para os espíritos mais evoluídos.)"  - Trecho do livro Nascer Várias Vezes

O fluir natural dos acontecimentos que se sucedem à morte do corpo é o desligamento do perispírito e do espírito deste corpo. Esta separação física é seguida de uma separação espacial. Ou seja, o espírito desloca-se para outros lugares.

O encarnar é um momento especial, o desencarnar também o é. Em condições normais, o espírito aceita o auxílio de outros espíritos, o que facilita sua adaptação à realidade de espírito desencarnado. Esta readaptação inclui a retomada de memórias que estavam isoladas e sem ação no período encarnado. Esta retomada de memórias afeta profundamente sua identidade, ou seja, (em condições ideais) o espírito deixa de se identificar com a última encarnação e passa a se identificar com sua única vida, a vida do espírito.

Um espírito pode ter tido centenas de encarnações, com qual delas irá se identificar no plano espiritual? Com nenhuma. Ele irá identificar-se com a vida do espírito, a menos que esteja patologicamente apegado à uma encarnação qualquer. O espírito não é pai, não é irmão, não é homem, nem mulher. Não é rico ou pobre, feio ou bonito. Com o desencarne (morte) e a retomada das memórias muito amplas do espírito, a vida encarnada passa a ser como um barco que aos poucos vai sumindo no horizonte.

Portanto, o fluir de um desencarne é o desapego e a desidentificação. A vida continua em outras condições e com outras necessidades evolutivas imediatas. A vida do espírito torna a experiência encarnada recente uma entre centenas de outras encarnações. (Para o espírito a vida encarnada atual é importante; mas, é importante como as outras centenas.)

Quanto menos evoluído é o espírito mais difícil é ele se desapegar e se desidentificar. Espíritos atormentados, dominados pelas emoções e pelos traumas, costumam se agarrar ao máximo à vida que existia antes do fim do corpo. Chegam a viver uma vida de delírio, mantendo-se próximos fisicamente ou energeticamente e, ao mesmo tempo, delirando uma realidade que não existe.

Um pai que falece pode ter a necessidade compulsiva de proteger seus filhos. Seu esforço será por manter o máximo de proximidade, procurando influenciar suas vidas. O apego pode torná-lo um obsessor de sua família. Irá prejudicar seus familiares e pouco ajudará. Com o tempo terá que aprender a necessidade do desapego e a importância de deixá-los seguir suas próprias vidas.

Espíritos de luz costumam ajudar estes espíritos. Tentam resgatá-los para um bom caminho. Quando aceitam ajuda tudo fica mais fácil. Por outro lado, quando se revoltam, não aceitam e não se adaptam à nova realidade, tudo fica mais difícil.

A morte é, portanto, acompanhada de descobertas e desafios. A nova vida do espírito deve se impor. Esta vida continua em outras condições e em outros locais. Todos nós já fizemos esta transição do desencarne centenas de vezes. Não há porque ter medo. Somente não lembramos, pois estas lembranças estão protegidas e só devem ser acessadas através da ampliação da consciência ou como terapia.

Na realidade, quando o espírito encarnado evolui as memórias de encarnações passadas ficam MENOS protegidas. Milhões de pessoas, que estão evoluindo espiritualmente, estão tomando consciência de várias encarnações e de vários desencarnes. Sabemos mais sobre nós mesmos à medida que a consciência é ampliada.

Devemos nos preparar psicologicamente para aceitar o falecimento, seja nosso, seja de um membro querido. O processo de vida encarnada finalizou e não aceitar o que é real somente aumenta o sofrimento e dificulta a retomada/evolução da vida.

Deve-se cultivar a gratidão à todos os antepassados desencarnados. Ser grato facilita a transmissão de energia entre encarnados e desencarnados. Isto torna mais agradável a vida de todos.

OBS: o último capítulo do livro Nascer Várias Vezes tem o seguinte título – “Fim: qualquer dia a gente se vê por aí”. E trata do tema da despedida. Um tema essencial para todos, já que a vida nos obriga a despedir de muitas pessoas próximas.


Autor: Regis Mesquita 


04 dezembro 2017

Tomadas Obsessivas - Antônio Carlos Navarro



TOMADAS OBSESSIVAS


“…e não nos deixei cair em tentação mas livra-nos do mal” – Jesus (Mateus, 6:13)


Os processos obsessivos nem sempre se traduzem por vingança praticada por um ou mais Espíritos, embora estas sejam em maior número, conforme elucida Allan Kardec:

“Em muitos casos, os Espíritos desejosos de vingança, no além-túmulo, movidos por seu ódio, perseguem aqueles contra os quais conservaram seu rancor. Por isso, o provérbio que diz: “Morta a cobra, cessa o veneno”, é falso, quando aplicado ao homem. O Espírito mau aproveita o fato de que aquele a quem ele quer mal esteja ainda preso ao corpo e, portanto, menos livre, para mais facilmente atormentá-lo e atingi-lo em seus interesses ou afeições mais caras. Esta é a causa da maior parte dos casos de obsessão, principalmente daqueles que apresentam uma certa gravidade, como a subjugação e a possessão. O obsediado e o possesso são, quase sempre, vítimas de uma vingança, à qual eles deram motivo por sua conduta e cuja ação se acha numa vida anterior. Deus consente esta situação como uma punição pelo mal que fizeram ou, se não o fizeram, por terem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando”. (1)

Notemos que o obsediado de hoje foi o algoz de ontem, e o agressor, vítima.

No entanto, todos estamos, no dia a dia, sujeitos a processos obsessivos diversos, que a partir de pequena influenciação podem atingir situações críticas em termos de comportamento e sofrimento.

Essas influenciações se concretizam a partir de pequenos pensamentos e pequenas atitudes praticados diante das experiências da vida, atraindo para junto de si Espíritos que simpatizam com os valores exarados, e que não necessariamente tenham alguma incompatibilidade com o encarnado.

A esse respeito o Benfeitor Emmanuel nos orienta terminando por nos apontar a solução correspondente (2):

“Nem sempre conseguimos perceber.

Os processos obsessivos, vastas vezes, porém, principiam de bagatelas:

O olhar de desconfiança…

Um grito de cólera…

Uma frase pejorativa…

A ponta de sarcasmo…

O momento de irritação…

A tristeza sem motivo…

O instante de impaciência…

A indisposição descontrolada…

Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na moradia da alma:

A desarmonia em casa…

A discórdia no grupo da ação…

O fogo da crítica…

O veneno da queixa…

A doença imaginária…

A rede da intriga…

A treva do ressentimento…

A discussão infeliz…

O afastamento de companheiros…

A rixa sem propósito…

As obsessões que envolvem individualidades e equipes quase sempre partem de inconveniências pequeninas que devem ser evitadas, qual se procede com o minúsculo foco de infecção. Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam a dieta do silêncio, a vacina da tolerância, o detergente do trabalho e o antisséptico da oração”.

Pensemos nisso.


Os processos obsessivos nem sempre se traduzem por vingança praticada por um ou mais Espíritos, embora estas sejam em maior número, conforme elucida Allan Kardec:

“Em muitos casos, os Espíritos desejosos de vingança, no além-túmulo, movidos por seu ódio, perseguem aqueles contra os quais conservaram seu rancor. Por isso, o provérbio que diz: “Morta a cobra, cessa o veneno”, é falso, quando aplicado ao homem. O Espírito mau aproveita o fato de que aquele a quem ele quer mal esteja ainda preso ao corpo e, portanto, menos livre, para mais facilmente atormentá-lo e atingi-lo em seus interesses ou afeições mais caras. Esta é a causa da maior parte dos casos de obsessão, principalmente daqueles que apresentam uma certa gravidade, como a subjugação e a possessão. O obsediado e o possesso são, quase sempre, vítimas de uma vingança, à qual eles deram motivo por sua conduta e cuja ação se acha numa vida anterior. Deus consente esta situação como uma punição pelo mal que fizeram ou, se não o fizeram, por terem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando”. (1)

Notemos que o obsediado de hoje foi o algoz de ontem, e o agressor, vítima.

No entanto, todos estamos, no dia a dia, sujeitos a processos obsessivos diversos, que a partir de pequena influenciação podem atingir situações críticas em termos de comportamento e sofrimento.

Essas influenciações se concretizam a partir de pequenos pensamentos e pequenas atitudes praticados diante das experiências da vida, atraindo para junto de si Espíritos que simpatizam com os valores exarados, e que não necessariamente tenham alguma incompatibilidade com o encarnado.

A esse respeito o Benfeitor Emmanuel nos orienta terminando por nos apontar a solução correspondente (2):

“Nem sempre conseguimos perceber.

Os processos obsessivos, vastas vezes, porém, principiam de bagatelas:

O olhar de desconfiança…

Um grito de cólera…

Uma frase pejorativa…

A ponta de sarcasmo…

O momento de irritação…

A tristeza sem motivo…

O instante de impaciência…

A indisposição descontrolada…

Estabelecida a ligação com as sombras por semelhantes tomadas de invigilância, eis que surgem as grandes brechas na organização da vida ou na moradia da alma:

A desarmonia em casa…

A discórdia no grupo da ação…

O fogo da crítica…

O veneno da queixa…

A doença imaginária…

A rede da intriga…

A treva do ressentimento…

A discussão infeliz…

O afastamento de companheiros…

A rixa sem propósito…

As obsessões que envolvem individualidades e equipes quase sempre partem de inconveniências pequeninas que devem ser evitadas, qual se procede com o minúsculo foco de infecção. Para isso, dispomos todos de recursos infalíveis, quais sejam a dieta do silêncio, a vacina da tolerância, o detergente do trabalho e o antisséptico da oração”.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro


03 dezembro 2017

Não se Justifica – Orson Peter Carrara



NÃO SE JUSTIFICA


Valores como a honestidade, a decência, a compostura e naturalmente que a plena identificação deles com as crenças que dizemos defender, revelam a coerência no comportamento social. Como conciliar atitudes indecorosas, violentas ou de atentado aos bons costumes em homens e mulheres que se dizem cristãos?

Sim, imagine o leitor um cidadão – seja qual for a religião a que se filie – que age em discordância com os ensinos que diz seguir. Existe aí uma grande incoerência entre o que “prega” e o que vive. Por sua vez, as religiões não podem responder pelo comportamento de seus seguidores. Todo comportamento contrário aos ensinos da religião, da moral, deve ser creditado à insânia humana que insiste em burlar a própria consciência.

Vários exemplos podem ser citados: a) Bêbados que fazem arruaças e responsabilizam o governo ou justificam-se reclamando da sorte; b) Violências de toda ordem, espancamentos em casa, traições conjugais ou gritos incontroláveis, levados a conta de gênio ruim; c) Desordens sociais, roubos e vandalismos considerados como meros divertimentos; d) Corrupção espalhada, permanecendo-se a noção do correto e do respeito às pessoas e às instituições.

Na verdade, nada é falta de sorte, culpa do governo ou de quem quer que seja. Age-se dessa ou daquela forma porque se permite a si mesmo adotar este ou aquele comportamento. Nada justifica um gesto de violência, de desrespeito ou de imoralidade senão a própria decisão individual marcada de desequilíbrio.

É comum, por exemplo, alguém justificar um comportamento agressivo e incontrolável por conta de suposta influência de espíritos, responsabilizando-os por atos desrespeitosos e antissociais. Ora, assim é fácil justificar! Pode acontecer momentaneamente, mas o domínio do próprio comportamento pertence a cada um. Os espíritos são os homens – antes de virem e durante a vida no mundo ou depois de partirem dele – e conservam, portanto, suas qualidades ou defeitos morais. Podem ser sábios ou ignorantes, bons ou mal intencionados, mas todos são senhores da própria vontade. Quem se deixa levar a atitudes agressivas, a atos desrespeitosos, imorais, prova por si só que é ele mesmo agressivo, imoral, desrespeitoso. Justificar o próprio comportamento à conta da presença de espíritos é atitude de fuga que não condiz à própria realidade individual.

Não se pode creditar responsabilidade à Doutrina Espírita, por exemplo, diante de atitudes de supostos médiuns ou pseudoespíritas desconhecedores da proposta essencial do Espiritismo: a renovação moral do ser humano. O espírita sincero é aquele que preocupa-se em melhorar a si mesmo. É alguém em luta consigo mesmo para aperfeiçoar-se, melhorar o comportamento e agir coerentemente com o Evangelho de Jesus, base da Doutrina Espírita. O espírita, como qualquer outro cidadão, é homem comum, que reconhece os próprios limites e sabe que tem o dever de progredir moralmente e trabalhar para um ambiente melhor no planeta.

O dever, portanto, continua sendo nosso. Não se justificam apelações, desculpas ou tentativas de transferir responsabilidades, em todos os ângulos da vida individual, social, familiar ou profissional.

Orson Peter Carrara

02 dezembro 2017

Somos Todos Sugestionáveis: pelos Homens e pelos Espíritos - Richard Simonetti



SOMOS TODOS SUGESTIONÁVEIS PELOS HOMENS E PELOS ESPÍRITOS

  

Eu retornara de um ciclo de palestras. Chegara tarde. Dormira pouco. Não obstante, levantara bem disposto. Fizera a habitual caminhada e desenvolvera minhas atividades diárias, com excelente disposição.

À tarde um amigo comentou:

-Você está com fisionomia abatida. Parece cansado. Algum problema?V Resposta negativa.

-É apenas impressão. Estou ótimo.

Estava.

A partir dali meu ânimo murchou. Em casa, diante do espelho, vi-me com olheiras, fadiga tomando conta.

À noite o corpo pedia cama. Foi com muito esforço que compareci às tarefas habituais no Centro, lutando contra renitente indisposição.

Incrível!

Simples observação inspirada na amizade, sem nenhuma intenção maldosa, evidenciando até preocupação com minha saúde, gerou a indesejável situação.

O episódio demonstra como a natureza humana é sugestionável. Raros possuem raízes de estabilidade emocional dentro de si mesmos. Nossos estados de ânimo flutuam ao sabor das influências que recebemos.

Há até um princípio, em Psicologia, segundo o qual as pessoas tendem a se comportar da maneira como as vemos. Imaginemos a sutilização dessa influência.

Não mais visível.

Algo que parece nascer dentro de nós mesmos.

Voz interior, insistente, insidiosa, que se mistura aos nossos pensamentos, a alimentar temores e dúvidas relacionados com nosso bem estar. Temos aí uma das opções preferidas dos perseguidores espirituais, quando se dispõem a explorar, na obsessão simples, personalidades hipocondríaca.

O paciente reclama: – Doutor, meu problema é complicado. Nem sei por onde começar. Sinto-me um compêndio de patologia, tantos são os males que me afligem!

Pior é a facilidade para assimilar sintomas. Horroriza-me o contato com doentes. Logo começo a sentir algo de seus padecimentos.

Jamais vou a velório. Saio com a sensação de que tenho a enfermidade que vitimou o defunto.

Há duas semanas um amigo foi acometido por fulminante enfarte. Desde então experimento doloroso peso no peito, vendo-me na iminência de um colapso cardíaco!

Esse é o tipo hipocondríaco, alguém excessivamente preocupado com a própria saúde, vítima fácil das sugestões das sombras.

Assim como o fazem com os indivíduos empolgados pela usura e a ambição, os obsessores exacerbam suas inquietações.

Se o vêem conversando com um tuberculoso, atacam: Cuidado! Os bacilos da tuberculose propagam-se facilmente. Você lhe deu a mão ao cumprimentá-lo. Vá lavá-la imediatamente. Desinfete-a.”

Se após alguns dias a vítima sente ligeira fadiga, fruto de indisposição passageira ou leve pontada nas costas, nascida de um golpe de ar voltam à carga:

“Cuidado! Sua saúde está debilitada. É preciso procurar um médico! Submeter-se à radiografia dos pulmões!

Eis o obsidiado inteiramente apavorado.

Equivale dizer: inteiramente dominado pelos obsessores.

Uma das consequências desse tipo de influência é o aparecimento de males físicos variados, resultantes de suas tensões e temores.

“Namorando” a doença, o obsidiado acaba “casando-se” com ela.

O obsessor é o “oficiante”.


Autor: Richard Simonetti
Obra: Quem tem medo da Obsessão?