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19 fevereiro 2018

Escândalos - Momento Espírita



ESCÂNDALOS



Em determinada passagem do Evangelho, Jesus afirma serem os escândalos necessários no mundo, mas Ai de quem os provoca.

No sentido vulgar do termo, escândalo significa evento ruidoso, que causa alvoroço ou estrépito.

Nessa linha, o problema residiria não no conteúdo da conduta, mas na sua repercussão.

Desde que uma ação má não gerasse alarde, não haveria maiores problemas.

Ocorre que esse sentido valoriza as aparências e a hipocrisia, em franco desacordo com as lições do Cristo.

Jesus afirmou, ao tratar do adultério, por exemplo, que o mero pensar com impureza já era condenável.

Que se dirá então de ações francamente nefastas, apenas cometidas na surdina?

Parece possível interpretar a palavra escândalo, na acepção evangélica, como tudo o que causa tropeço ou embaraço nos caminhos próprio ou alheio.

Tudo o que resulta dos vícios e imperfeições humanas, tudo o que viola os deveres de pureza e fraternidade, isso é um escândalo perante as Leis Divinas.

Mas qual a razão para os escândalos serem necessários?

O cerne da questão reside na evolução ainda incipiente dos habitantes da Terra, mormente no que diz respeito à moral.

O planeta, ainda por um tempo, será morada de Espíritos rebeldes às Leis Divinas.

Mais do que em decorrência das condições materiais da Terra, a vida aqui é difícil por conta dos nossos inúmeros vícios.

Violência, corrupção, promiscuidade, tudo isso gera infelicidade e transtornos.

Muitos são os escândalos produzidos diariamente pelos homens, em sua imperfeição

Salvo o caso das almas missionárias, os Espíritos radicados na Terra têm afinidade de sentimentos e valores, em maior e menor grau.

O contato recíproco de criaturas viciosas tem variados efeitos.

Ele provoca inevitável sofrimento pelo contínuo entrechoque de interesses.

É cansativo defender-se cotidianamente da maldade alheia e conviver com esperteza e deslealdade.

Esse contato também propicia o acertamento de dívidas cósmicas.

No longo processo de aprendizado da vida, o Espírito comete equívocos que precisa reparar.

Ele necessita acertar-se com sua consciência, a fim de habilitar-se para estágios superiores da vida imortal.

Também precisa adquirir paciência e generosidade e isso apenas se consegue perante criaturas falhas.

Afinal, os anjos não desafiam a paciência de ninguém e nem necessitam de favores ou clemência.

Finalmente, o contato com o vício faz com que os homens lentamente se desgostem dele.

O espetáculo das baixezas humanas é triste. Com o transcorrer do tempo faz surgir o ideal de vivências diferentes, plenas de pureza e compaixão.

Assim, nos estágios ainda inferiores da vida moral, o escândalo é infelizmente necessário.

Mas ai do escandaloso, pois responde por todo o mal que causa, ainda que deste surja indiretamente o bem.

Quando os homens se depurarem, o escândalo se tornará desnecessário e desaparecerá.

Eventuais acertos com a justiça cósmica se processarão na forma de efetivo trabalho no bem, a consubstanciar o amor que cobre a multidão de pecados, no dizer evangélico.

Assim, para alcançar a libertação de injunções dolorosas, cuide para não causar escândalo.

Se alguém lhe fizer o mal, saiba que o verdadeiro prejudicado é o escandaloso.

Ele desafia as Leis Divinas e desencadeia graves consequências na própria vida.

Quanto a você, perdoe e siga adiante.


Redação do Momento Espírita


18 fevereiro 2018

E se um dia o mundo acabar? - Octávio Caúmo Serrano



E SE UM DIA O MUNDO ACABAR?


Muitos se referem ao mundo como sendo o Universo, quando na verdade o nosso mundo é apenas este pequeno planeta. E como cada um tem sua própria humanidade, não acontecerá o mesmo nos diferentes mundos. A cada um segundo suas obras, sua destinação e sua era!

Mas se o nosso planeta acabar? O que vai acontecer conosco? Imaginemos que uma guerra nuclear destrua a vida na terra. Vamos todos morrer, evidentemente. Mas o que é morrer? Os espíritos dizem que é desencarnar, ou seja, morre o corpo, mas o espírito, eterno e imortal, continua vivendo. Não há força bélica que possa destruir as almas.

E o que vai ser de nós, espíritos, se a vida na Terra terminar? Ficaremos na erraticidade (o plano espiritual) aguardando transferência para outro planeta similar ao nosso, já que existem inúmeros, a fim de lá reencarnarmos e continuar nossa espiritualização. A ciência já os está descobrindo e dizendo até onde estão alguns deles. Nunca vamos desaparecer nem ficar órfãos de oportunidades de aprimoramento. Além disso, não nos esqueçamos de que também evoluímos no plano imaterial. Já diz o Livro dos Espíritos que o mundo material é secundário e nem precisaria existir (questão 86). Serve apenas para apressar nosso progresso.

E para o planeta quais seriam as consequências? Ficaria um tempo impróprio para a vida humana devido à radiação, águas poluídas, impossibilidade de nascer alimento, ar impróprio, como já aconteceu no início da sua criação. Mas com o tempo também se renovaria e ficaria adequado para receber novamente corpos similares aos nossos para a vida de espíritos em processo evolutivo. Jesus, o Governador da Terra, que a administra com tanto carinho e tudo oferece aos seus irmãos, ficaria certamente decepcionado com a ingratidão da humanidade terráquea porque, mesmo em se considerando que a tragédia seria da autoria de uns poucos fanáticos, traria consequências para todos os continentes.

Depois de mais de quatro bilhões de anos para chegar a este estágio, quando se prepara para progredir e ser um mundo de regeneração, voltaria à estaca zero; retrocederia aos tempos da formação quando a vida era impossível como a conhecemos na condição atual. Mas nós, seus atuais habitantes conservaríamos a nossa individualidade e o conhecimento que já acumulamos. Nada perderíamos do que conquistamos com nosso esforço. Seria como se mudássemos de um bairro, escola, emprego, cidade ou país; continuaríamos nós mesmos com tudo o que já aprendemos. Ou como se saíssemos de uma região que é alagada para a construção de uma represa e fôssemos transferidos para um novo local, onde ocuparíamos novas casas. O espírito nunca perde o que conquistou e não retrograda. Nesse sentido, já aprendemos com o Espiritismo no comentário da pergunta 194 a.

Há uma apreensão na espiritualidade quanto a esta possibilidade e os auxiliares de Jesus empenham-se em aconselhar os homens, inspirando-os a pensar de maneira menos egoística e mais fraterna, mostrando-lhes que se matam pelos supérfluos e se esquecem de crescer como almas. Pena que andemos meio surdos. Mas algo de bom já está acontecendo. Quando vemos depois de tanto tempo os Estados Unidos e Cuba entendendo-se, concluímos que já houve algum despertar.

O entendimento e a aceitação do que foi dito neste texto, dá-nos mais esperanças e leva-nos a uma serenidade que não poderíamos ter sem conhecer os desígnios de Deus em relação aos seus diletos filhos. Como podemos nos imaginar abandonados por um Pai misericordioso como esse que nos criou como a sua obra suprema?

Ninguém se aflija, pois o caos não existe e o fim de tudo representa o começo de algo. É um constante vir a ser. Depois da escuridão da noite só nos resta aguardar um novo amanhecer e contemplar a beleza dessa nova alvorada. Depois da tempestade vem a bonança. Quando o sol se deita e lua vem clarear-nos. Nunca estamos na escuridão; a menos que a nossa alma esteja em trevas.

Queremos crer que ainda reste um pouco de bom senso na nossa equivocada humanidade e ela já se deu conta de que é preciso rever valores para que o mundo tenha mais harmonia. Mas jamais percamos a fé.


Octávio Caúmo Serrano
Tribuna Espírita - janeiro fevereiro 2017


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


17 fevereiro 2018

Bancar as cobiças dos filhos? - Jorge Hessen



BANCAR AS COBIÇAS DOS FILHOS ?


Atualmente paira sobre as famílias modernas uma grave ameaça em torno da cultura do prazer. O instituto familiar necessita de grande choque de modelo e, sobretudo, de muito apoio religioso para alcançar seu equilíbrio moral. Infelizmente, muitos pais querem que os filhos tenham prazer sem responsabilidade.

O estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que a maioria das mães não resiste às solicitações dos filhos quando eles exigem a compra de brinquedos, roupas e doces. A rigor, muitas crianças tem noção sobre quais astúcias utilizar para persuadir seus pais a comprarem o que elas querem.

Muitas vezes, os rogos “ingênuos” aparecem em forma de pirraça, intimidação, choradeira, induzindo alguns pais à sujeição. Contudo, ceder a todas as vontades dos filhos (no caso das compras) pode não apenas desequilibrar o orçamento familiar e levar os pais a contrair dívidas, porém também pode contribuir para instalar nas crianças uma série de comportamentos inadequados e tornar os filhos manipuladores e menos tolerantes à frustração, prejudicando seu desenvolvimento e suas relações sociais presentes e futuras.

Concordamos que uma das estratégias para evitar contendas com os filhos durante as compras pode ser combinar regras sobre o que poderá ou não ser comprado antes do passeio. Para que essa solução seja eficiente, a mãe deve ser clara e firme na hora do acordo. Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto às más, manifestadas na intimidade do lar. Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amando-os, independentemente, de como se situam na escala evolutiva. Devemos transmitir segurança aos filhos através do afeto e do carinho constantes. Afinal, todo ser humano necessita ser amado, gostado, mesmo tendo consciência de seus defeitos, dificuldades e de suas reais diferenças.

A regra é clara, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. É preciso impor a obrigação de que o filho faça isso, deste modo, cria-se a noção de que ele tem que participar da vida comunitária. Um detalhe é muito importante: os espíritas sabem que a fase infantil, em sua primeira etapa (dos 0 aos 7 anos), é a mais importante para a educação, e não podemos relaxar na orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Sob nenhuma hipótese, essa primeira etapa reencarnatória deve ser enfrentada com indiferença e ou insensibilidade.

Principalmente a mãe que “deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus. Desde a infância, deve prepará-los para o trabalho e para a luta que os espera. Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.”(1)

Para Emmanuel a mãe “não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo. Na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seus labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoará as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.”(2)

Os filhos rebeldes são filhos de nossas próprias obras, em vidas anteriores, cuja Bondade de Deus, agora, concede a possibilidade de se unir a nós pelos laços da consanguinidade, dando-nos a estupenda chance de resgate, reparação e os serviços árduos da educação. Dessa forma, diante dos filhos insurgentes e indisciplináveis, impenetráveis a todos os processos educativos, “os pais depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação deles, é justo que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”(3)

Os pais, após esgotar todos os recursos a bem dos filhos e depois da prática sincera de todos os processos amorosos e enérgicos pela sua formação espiritual, sem êxito algum, “devem entregá-los a Deus, de modo que sejam naturalmente trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar, não obstante o serviço inestimável do afeto paternal, humano. Eis a razão pela qual, em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que os pais estejam revestidos de suprema resignação, reconhecendo no sofrimento que persegue os filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”.(4)

O Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram, a todos, o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade consequente de seus atos. Por todas essas razões, precisamos aprender a servir e perdoar; socorrer e ajudar os filhos entre as paredes do lar, sustentando o equilíbrio dos corações que se nos associam à existência e, se nos entregarmos realmente no combate à deserção do bem, reconheceremos os prodígios que se obtêm dos pequenos sacrifícios em casa por bases da terapêutica do amor.

Em últimas instancias quando os filhos são rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos, “os pais, depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa dos filhos, sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”(5)

Jorge Hessen


Referências bibliográfica:

(1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, per. 189

(2) Idem per. 189

(3) Idem per. 190

(4) Idem per. 191

(5) Idem per. 190

16 fevereiro 2018

O que somos perante a nossa (in)utilidade? - Adriana Machado




O QUE SOMOS PERANTE A NOSSA (IN)UTILIDADE



Durante toda a vida, crescemos trilhando o caminho equivocado da busca da nossa utilidade.
E isso se dá porque escutamos os sons da sociedade a nos hipnotizar, dizendo que só teremos o que desejamos, que só merecemos ser felizes se formos produtivos para nós, para a nossa família, para os amigos, para toda a sociedade. Esses sons não estão totalmente errados!
Vivemos toda a vida tentando ser produtivos para atender às nossas (e às dos outros) necessidades exteriores, não parando para nada. E mesmo que pareça um contrassenso ao que já afirmei, não paramos nem para nós mesmos! Esquecemos de nos dedicar ao nosso ser interior, alimentando tão somente com as nossas atitudes às paixões e carências externas que este nosso Eu material exige.
Vocês podem pensar assim: “mas, eu faço muito pelo outro! Isso não é bom?” Claro que é, mas a pergunta certa dentro deste contexto é: “porque eu me dedico tanto a esse alguém?” Se estivermos fazendo isso para que tenhamos um retorno, estamos, inconscientemente, reproduzindo o ciclo da utilidade x inutilidade, porque enxergamos no próximo o ser produtivo que é hoje ou amanhã. E se ele se transformar num inútil? Um exemplo bom é a história de termos filhos para que eles nos amparem amanhã. 
Quem gostaria de usufruir de algo que não foi merecedor de conquistar? Estou aqui dando umas risadinhas, porque a resposta da minha mente foi “Muita gente”... Mas, relevando essa nossa tendência (rsrsrs), refaço a minha pergunta: “existe sentimento mais gostoso do que aquele que temos ao usufruir de algo que conquistamos com o nosso próprio esforço?” Realmente, é impagável. Mais ainda quando percebemos que o resultado de nossa construção foi o amor dos que amamos e que eles nos valorizam pelo que somos, não pela nossa utilidade. Mas, como não determinamos nada na vida do outro, só dependerá do outro como agirá conosco no futuro! E a nós, não nos magoarmos ou nos decepcionarmos se esse alguém não agir como gostaríamos.
Ainda, temos a providência divina atuando a nosso favor. Lembremos que recebemos a todo instante do nosso viver a incidência da Lei do Trabalho, natural e divina, que nos move a não nos dominarmos pelas tendências preguiçosas e a nos transformarmos em trabalhadores assíduos para a nossa evolução. Mas, ela não se resume só nisso. Em razão da nossa imaturidade e ignorância espiritual, ainda não entendemos que tudo que é divino (e isso nos inclui) tem sua utilidade. Nós ainda não compreendemos que o trabalho que está descrito nessa lei é mais do que estarmos úteis nas atividades de nosso cotidiano, é também estarmos vivos, interagindo com os nossos sentimentos, desejos e intenções com o próximo, com a vida. Este reflexo na vida do outro, seja ele qual for (bom ou não tão bom), serve de aprendizado para ele (e para nós) e, neste toar, também estaremos trabalhando.
Todavia, no mundo material que vivemos, a verdade é que não dá para sermos produtivos (da forma que entendemos o seu conceito) o tempo inteiro. Teremos um tempo de utilidade e, depois, nos tornaremos “inúteis” para a sociedade, até para a nossa família. Adoeceremos, vez por outra, envelheceremos, se Deus quiser, e já não conseguiremos fazer tudo o que antes era muito fácil fazer. Quando isso acontecer, com a visão que temos da vida, tenderemos a ser os primeiros a nos crucificar, a acreditar que para nada mais servimos e que não temos mais merecimento de continuar vivendo. 
Só que nós somos aquilo que construímos a vida toda. Não importa que não sejamos mais “lucrativos”, ainda merecemos o nosso respeito e amor por tudo o que já produzimos, seja no mundo exterior, seja no interior dos nossos e nos demais corações.
Admito, todavia, que, diante da minha pequenez, peço a Deus, todos os dias, que eu possa construir muito amor e respeito nos corações alheios para que, quando eu não puder fazer o que faço hoje, possa ter alguém que aguente a minha “inutilidade” pelo valor que eu tenho em sua vida. Mas também peço que eu não deixe, mesmo só, de ser feliz por enxergar o quanto fui e sou útil somente pelo fato de existir, de me amar.


Quem somos diante de nossa (in)utilidade? Somos aqueles que souberam construir amor.




15 fevereiro 2018

Livre Arbítrio - Luiz Sérgio

LIVRE ARBÍTRIO




Nós, os Espíritos desencarnados, não temos o direito de nos intrometer na vida dos encarnados, a não ser para colaborar no sentido de não deixar que cometam enganos que os prejudiquem. Por esse motivo, também sou bastante cuidadoso em relação aos meus familiares. Ninguém deve mover-se exclusivamente sob a ação de outro. Todos nós possuímos livre arbítrio e raciocínio, baseados no aprendizado que fizemos. Além disso, nossa vontade é imperiosa e necessária para imprimir direção aos nossos atos. Só assim eles terão valor. Nós podemos esclarecer e indicar os melhores caminhos que conhecemos, mas a escolha é do interessado.


Bem, esse preâmbulo é para explicar que a pessoa não precisa condicionar suas atitudes à atuação dos Espíritos. Freqüentemente, ouve-se dizer que praticam bons atos, ou proferem uma bela oração, porque estavam intuídos. Desejo explicar bem como agem os Espi ritos.


Nos trabalhos dos Centros, em reuniões de doutrinação, é comum haver um mentor encarregado da distribuição de doutrinadores espirituais, cada qual se incumbindo de um setor. O doutrinador espiritual responsável se acerca do doutrinador encarnado para ajudar no encadeamento dos argumentos que poderão ser mais apropriados ao caso. Isso acontece porque o encarnado precisa saber qual o mal que aflige o doente espiritual, para poder ser-lhe útil. Então, a doutrinação é feita por intuição.


Cabe, aqui, uma pergunta bastante lógica: porque o mentor não faz a doutrinação diretamente ao espírito necessitado?


Então, vou responder.


Sim, grande parte do trabalho é feita pelos mentores diretamente com os Espíritos sofredores. Mas são inúmeros os casos especiais que têm de ser trazidos para as sessões mediante a cooperação dos médiuns encarnados. Todos os que freqüentam Centros e assistem a reuniões conhecem de sobejo a necessidade que se tem de atender os Espíritos doentes, revoltados, indecisos. 
Os motivos são muitos:


a) doentes que precisam da força do médium para iniciar seu tratamento;


b) defeituosos da fala e da visão que necessitam da impressão de um corpo para relembrarem a maneira de exercer a faculdade física da qual se viram privados na última encarnação;


c) incrédulos que se surpreendem quando um encarnado lhes explica o mesmo que nós tentamos dizer-lhes sem que nos dessem atenção;


d) Espíritos indóceis que, ao atentarem para o que dizemos, precisam estar ligados a um corpo;


e) Espíritos que não se aperceberam de que estão desencarnados e continuam na sua faina costumeira, muitas vezes ocasionando distúrbios na vida das pessoas com quem teimam em conviver.



Uma infinidade de casos formariam uma longa lista, desde os débeis e suicidas até os maus e rancorosos. Há Espíritos que, embora sem o corpo, só vêem e ouvem o que procede do mundo físico.


Por tudo isso é que são necessárias as reuniões espíritas. É uma grande caridade que se presta ao próximo, orientando grande número de espíritos, aliviando os encarnados de uma grande carga negativa, representada pelos maldosos e sofredores que permanecem vivendo na Crosta, confundindo-se com os homens e os influenciando de forma maléfica.


Quando aparece, em uma reunião, um Espírito necessitado, o dirigente do trabalho precisa inteirar-se do mal que o aflige, de quem se trata, qual o seu grau de compreensão em relação ao seu novo estado. Os conselhos, as palavras aplicáveis ao caso, podem ser sugeridas pelo mentor ou partir da mente do próprio dirigente, principalmente se ele já é tarimbado no serviço e possui dotes mediúnicos que permitam captar as deficiências, males e intenções do desencarnado. Só no caso de ser absolutamente necessário é que se pode influir no sentimento ou pensamento de um irmão.


Os grandes e luminosos Espíritos, quando desejam auxiliar, aproximam-se das pessoas e as envolvem com sua aura brilhante. Em conseqüência, a paz e a tranqüilidade tomam a criatura assim envolvida e tornam mais livre sua mente, que pode exprimir melhor seus sentimentos mais puros e agir em consonância com eles. Cria-se o ambiente espiritual para o Espírito agir livremente. Isso, é claro, só dá resultado em pessoas que já possuem algum conhecimento e aprimoramento moral.


Infelizmente, os Espíritos malévolos também usam essa técnica, com uma agravante: após haverem envolvido o encarnado, usam a força da mente para influir em sua vontade, tentando obrigá-lo a agir de forma diversa da habitual. Esses são os obssessores.


Quando a pessoa não possui aprimoramento moral nem conhecimento, cede aos impulsos sugeridos e apresenta um comportamento anormal.


Como se pode observar, todas as técnicas que aprendemos com o intuito de ajudar, de colaborar, quando postas em prática por mãos maldosas, transformam-se em ação destruidora. é igualzinho ao que acontece no mundo físico. Um homem inventa uma máquina de voar para encurtar distâncias — o outro usa a máquina para destruir mais rapidamente e seu semelhante. Descobrem-se inúmeras drogas que auxiliam o tratamento dos doentes — outros usam as mesmas drogas para perverter as pessoas e a si próprios.


Cada criatura, imbuída do desejo de divinizar os espíritos humanos, deve, primeiramente, procurar enlevar a si próprio. Após contar com respeitáveis conquistas, aí, então, poderá tentar auxiliar outros Espíritos carentes de atendimento e esclarecimento.


Assim, termino minha mensagem, que se resume em dois pontos principais: ninguém deve agir sob a influência exclusiva de outro e, em questões morais devemos iniciar auxiliando a nós próprios para depois cuidar do alheio.


Livro Intercâmbio, cap. Livre Arbítrio, Espírito Luiz Sérgio – psicografia de Alayde Assunção e Silva, Lucia Maria Secron Pinto.

14 fevereiro 2018

A vida gloriosa - Joanna de Ângelis

 


A VIDA GLORIOSA


Nada mais pungente e doloroso do que contemplar-se um corpo sem vida, distendido à nossa frente, em silêncio perturbador.

Aqueles olhos que brilhavam e transmitiam expressões variadas, os lábios que enunciavam palavras, os braços operosos e os movimentos com calor irradiante estão agora paralisados pela terrível constrição da morte.

O enigmático fenômeno que interrompeu a existência orgânica terminou por triunfar sobre a vida gloriosa, rica de bênçãos e encantamentos, de pensamentos grandiosos que modificaram a estrutura do planeta e facultaram conquistas dantes jamais imaginadas.

Agora se apresentam inermes, em processo de decomposição, e logo mais terríveis modificações substituirão o antigo sorriso, a beleza, a vivacidade e o encantamento existenciais.

Essa fatalidade de aparência destruidora tem sido a razão de estudos e dramas que esfacelam sentimentos e civilizações.

No entanto, constitui um dos mais belos capítulos existenciais, em razão do seu significado profundo e nem sempre compreendido.

É natural que tudo que nasça morra, vibrando durante um ciclo de energia a que denominamos como existência.

Não fosse assim, o caráter que se lhe desse de indestrutibilidade constituiria inimaginável desar, em razão da própria transitoriedade do mundo físico.

Se, de um lado, a dor da saudade é quase insuportável, a permanência de uma doença irreversível por todo o sempre constituiria uma desgraça imensurável.

O envelhecimento natural com a perda das faculdades que constituem os períodos iniciais se transformariam numa carga impossível de ser suportada. A superpopulação dos incapacitados para viver terminaria em tentativas alucinadas de destruição coletiva e desvarios de todo porte.

Impensável essa hipótese absurda de vida.

Desse modo, o fenômeno da morte merece mais acuradas reflexões, proporcionando estabilidade emocional e compreensão mental, especialmente se for considerada a realidade da existência do Espírito, que sobrevive ao processo celular depois da atividade que lhe diz respeito na experiência material.

*

Ninguém morre, porque todas as transformações fazem parte do projeto da evolução eterna.

O ser humano, de forma alguma, é o corpo de que se utiliza.

Criado por Deus simples e ignorante, o Espírito evolve por etapas até alcançar a plenitude a que se encontra destinado.

Tudo quanto existe permanece em movimento de transformações, do grosseiro para o sutil em incessantes modificações.

O Espírito possui a essência da vida e se desenvolve através de experiências que o fazem alcançar os mais elevados patamares da angelitude.

Em razão disso, é importante o processo de crescimento moral e intelectual durante a vilegiatura orgânica.

Desde o momento quando adquire a razão, o conhecimento, as emoções, torna-se responsável pelas futuras experiências a que será submetido, passando pelas vicissitudes ou aquisições nobres de que se fez responsável.

As Divinas Leis estabelecem os códigos de evolução, e cada qual assume a responsabilidade de atendê-las.

Mediante o entendimento dessas ocorrências, torna-se fácil e ditoso o esforço de autoiluminação, que constitui a meta a que cada qual está submetido.

Sob esse aspecto, a reflexão em torno da existência física e da sua temporalidade prepara o Espírito para o momento inevitável da desencarnação.

Cada qual desencarna conforme experienciou a existência, prosseguindo de acordo com os hábitos que foram cultivados no corpo físico.

Somente a matéria se transforma, cedendo lugar a novas experiências evolutivas no processo de crescimento para Deus.

Em todas as épocas da Humanidade a Vida ofereceu informações sobre a imortalidade do ser, nos variados cultos e através dos missionários do bem, que se encarregaram de anunciar a perenidade do existir.

Dentre todos, Jesus foi quem melhor demonstrou essa realidade, voltando do túmulo para confortar os amigos que ficaram na retaguarda, assim confirmando os seus enunciados.

Vive, portanto, com a certeza da tua indestrutibilidade, laborando com alegria e vencendo, etapa a etapa, os desafios existenciais.

A morte não interromperá os teus projetos, que continuarão após o decesso celular.

Vive com a tranquila segurança de que continuarás conforme os padrões da tua evolução.

*

Diante da morte de um ser querido, permanece confiante no Amor de Deus.

Não deplores, portanto, aqueles seres amados que a morte arrebatou dos teus sentidos físicos, porque eles continuam estuantes de vida, esperando por ti, ajudando-te ou não conforme as possibilidades que os caracterizam.

Acarinha as emoções da saudade, ternura e gratidão, lembrando-te de Jesus retornando da morte em ressurreição luminosa para demonstrar-nos com o Seu exemplo a grandeza do Amor do Pai Celestial.

Aguarda a oportunidade de comunicar-te com o ser amado, fazendo todo o bem que te esteja ao alcance e, em sua memória, ama a tudo e a todos, tornando-te digno do reencontro feliz.


Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na tarde de 1º.9.2017, no Rio de Janeiro.

13 fevereiro 2018

Carnaval - Divaldo P.Franco



CARNAVAL



E o Carnaval chegou com todos os seus ruídos e paixões primárias, anunciando alegria e felicidade, essa felicidade ilusória da embriaguez dos sentidos.

Ante a miséria que alarga a sua capacidade de destruir as massas ao lado da violência voluptuosa e destruidora, recordamo-nos do período imperial de Roma, que abria o circo para a generosidade do tirano que governava anestesiando os desditosos com o célebre panis et circensis.

A situação atual é pior do que aquela, porque se oferece apenas o circo de grandes proporções, nem sempre gratuita, mas vendidas as suas concessões.

Embriagadas, as multidões assumem o descontrole dos sentidos e atiram-se na ufania dos poucos dias de loucura e prazer, para depois retornar à normalidade impossível de ser mantida. E o carnaval, de certo aspecto, continua dominando aqueles que preferem a ilusão que se desvanece rapidamente à realidade do enfrentamento para a conquista dos valores que realmente proporcionam felicidade.

Algumas cidades do nosso país, considerando os desafios e sofrimentos que sobre elas se abatem, estão transformando as despesas carnavalescas do agrado quase geral, por se tratar de fuga para lugar nenhum, em pagamento aos funcionários que padecem atraso dos salários, aos hospitais onde os pacientes morrem nos corredores ou nas portas de entrada, às escolas em abandono, ante o reproche e desagrado de muitos foliões que preferem o padecimento dos filhos e deles mesmos à pobre educação proporcionada pelo poder público.

Afinal, nada temos contra o Carnaval, essa catarse periódica quase com finalidade terapêutica. Mas, a libertinagem em que foi transformado, de alegrias e festas em bacanais sexuais do mais nível servil, a larga e quase oficial ingestão e uso de drogas aditivas, ao contágio de enfermidades perversas e de novos tormentos emocionais, defluentes dos falsos amores dos dias fugazes nas vigorosas garras dos dias de trabalho e enfrentamento existencial.

O ser humano deve descobrir a finalidade da sua existência, encontrar um significado psicológico, raciocinar a respeito da brevidade em que ela se desenvolve, trabalhando-se para superar os sofrimentos e as inevitáveis contrariedades de cada dia. Cabe-lhe mergulhar na rapidez com que passa o prazer e eleger aqueles que produzem plenitude e têm duração real.

O discernimento deve ser desenvolvido para não se enganar com os denominados quinze minutos de holofotes a que a maioria humana aspira, perdendo-se logo depois nas frustrações dos sonhos - pesadelos.

O Espírito humano está destinado à fatalidade do Bem, à conquista da harmonia, da beleza, da saúde e da fraternidade no seu sentido pleno.


Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 8.2.2018


12 fevereiro 2018

Largo Equívoco - Orson Peter Carrara



LARGO EQUÍVOCO


Os comportamentos lamentáveis que povoam a mídia nacional, diariamente, decorrentes de atos indecorosos – bem distantes da dignidade que deve nos caracterizar como seres humanos racionais –, onde se incluem a violência em larga escala, as extorsões de todo tipo, a corrupção e seus infelizes desdobramentos, com total descaso pelos autênticos valores da vida humana, traduzem um largo equívoco de uma mentalidade coletiva construída e incentivada pelo materialismo, pelo egoísmo, pela vaidade ou pela ganância.

Indiferença, omissão, ganância, sedução pelo poder e escravidão à posse, com total alheamento às mínimas noções do dever – aí incluídos os deveres inclusive com a pátria, com o semelhante, com a vida, com o cargo, autoridade ou atribuição que se está investido – significa em última análise plantio de aflições para o futuro, cuja colheita é absolutamente obrigatória.

Os velhos ditados e ensinos sobre semeadura e colheita não são apenas poéticos. Refletem a realidade da lei que rege a vida e que outra não é senão a Lei de Amor.

Medir o momento atual por critérios econômico ou político, de poder ou de posse, é pequenez de raciocínio. Esses são fatores secundários. O principal aspecto a ser considerado como objetivo de vida, é moral. A ausência dela é a causadora do caos que se verifica.

Os que se dedicam a atos lesivos – de qualquer grau, natureza, alcance ou gravidade – não supõem que um dia terão de se reparar moralmente perante si mesmos? Ou que todo prejuízo causado a si mesmo ou a terceiros gerará sempre efeitos desastrosos e normalmente de difícil e penosa reparação?

Não percebemos ainda que quando desequilibramos um ponto – qualquer que seja – isso gerará consequências?

Tenhamos cuidado, prudência. A lei que nos rege é de amor! Aprendamos a respeitar a vida para que tenhamos equilíbrio, harmonia e paz no dia a dia da vida, cujo objetivo é justamente a felicidade de todos, sem quaisquer aspectos de privilégio, preferência ou vantagens sem méritos.

São ilusórias as descabidas pretensões de domínio, ganância ou poder, ganhos fáceis ou tolas vaidades. A vida material é muito frágil e curta e o corpo nada mais é que uma veste que gradativamente apodrece. Prevalece sobre todos os interesses a vida moral, esta sim permanente, contínua, geradora de felicidade quanto pautada no bem e no cultivo das virtudes, com esforço para sermos melhores. Tudo isso por uma simples razão sempre esquecida: não somos o corpo, estamos nele. A vida é imortal e sempre nos depararemos com a nossa própria consciência. 

Respeitemos a vida, pois, para termos felicidade que advém da paz de consciência.


Orson Peter Carrara

11 fevereiro 2018

Fé cega pode virar faca amolada - Wellington Balbo




FÉ CEGA PODE VIRAR FACA AMOLADA


O profeta, médico e pintor Mani – fundador do Maniqueísmo – nascido na Mesopotâmia, viveu no século III e sua religião teve milhares de adeptos, perdurando por mais de 1.000 anos.

Naquela distante época, Mani gozou de grande prestígio, atraindo inclusive a simpatia de reis ,como Sapor e Hormidas.

Mani tentou reunir as mais conhecidas religiões: Cristianismo, Islamismo, Budismo, Zoroastrismo, todas em torno do pensamento de que há um dualismo a reger as criaturas.

De um lado o Bem, de outro lado o Mal.

Duas forças antagônicas que se digladiam para controlar o universo: Deus e Demônio, Bem e Mal, Certo e Errado…Um antecessor da dialética hegeliana e a sua busca por uma síntese de opostos.

De ideias ambiciosas, pregava a igualdade das castas e a extinção dos privilégios das classes dominantes.

Obviamente que, ao contrariar interesses dos poderosos, atraiu intensos inimigos. Não é difícil de imaginar o que aconteceu com o profeta, em tempos mais diretivos, digamos assim.

Mani foi feito prisioneiro e entregue à morte pelo mago Kirdir e pelo rei Vahram, e como Sócrates e John Huss, teve o destino dos que tinham discursos anti hegemônicos.

Mas, se Mani estivesse entre nós, encarnado, veria que sua visão de mundo, passados tantos séculos, ganhou adeptos fervorosos, um caráter hegemônico de nos organizarmos pela dualidade incomunicável. E nos dias de hoje, embora o maniqueísmo tenha sido extinto como religião, trazemos impregnados à nossa maneira de pensar essa cultura dualística, de polarização, de heróis e vilões.

O governo é mau. O povo é bom.

O governo diz que é bom e afirma que maus são os membros da oposição.

A oposição, por sua vez, sinaliza o contrário.

O empregado julga-se injustiçado e afirma que o empregador está errado, por sua vez, o empregador diz o inverso.

São falas localizadas em determinado espaço-tempo, que levam grupos a essas visões, que por óbvio tem um grau de fragmentação, mas surgem como verdades para esses, alimentando uma fé cega em seus pressupostos, inamovível de seus pontos de vistas, esquecidos que no mundo, tudo muda, com um sopro, sem pedir licença. Jesus mesmo indagava o que seria a verdade.

Por questões diversas, e algumas ainda ignoradas, atualmente vivemos em um mundo, e também um país, dominado pelos extremos. Você é direita ou esquerda, gosta de azul ou vermelho, aprecia montanha ou praia e etc…Nos polarizamos, como um reflexo de rótulos e categorizações, como um efeito também de uma profusão de informação e opiniões, que na busca de padronizar o que é bom ou ruim, exalta reações, por vezes bem violentas. Decanta facas amoladas.

Uma sociedade um tanto quanto maniqueísta, que perdeu (talvez nunca teve) o gosto pela reflexão de que há vida além dos “muros” de suas concepções. Posso apreciar um pouco do preto sem deixar de gostar do branco, e nesta mistura obtenho o cinza, ou seja, o caminho do “meio”, que pode ser representado pela ponderação para que se atinja o bom senso. Posso, inclusive, gostar de azul, mas respeitar o direito do meu amigo de gostar de verde, entendendo que cada um tem uma visão.

E quando se abandona a ponderação, abre-se espaço para os desentendimentos por questões que poderiam ser resolvidas de maneira inteligente e respeitosa. Em realidade os desentimentos tomam enormes proporções porque os extremistas não são diferentes, porém, semelhantes, bem parecidos na forma de pensar e agir. Beirando a truculência.

Obviamente, que estamos falando de ideias, em torno de princípios, mas é muito simples vaticinarmos a empatia e a compreensão em temas amenos, mas é difícil quando esses afetam diretamente interesses e valores das pessoas, como nas recentes discussões em torno de gênero, sexualidade, crimes, laicidade etc

São trade-offs, são dilemas, nas quais temos argumentos válidos e concepções consistentes em ambas as polarizações, cada um segundo a sua visão de mundo, e seguem temas como esse causando polarizações, e vemos pouca esperança de que sobre eles se deite um consenso.

Mas a questão não são os temas, as verdades, e sim o que estamos fazendo com elas em nossas esferas de existência. Os grandes entraves ocorrem não com os diferentes, mas, sim, com os semelhantes, que agem de forma similar, ou seja, maniqueísta. Por que brigas acontecem? Porque essas verdades são o motor da briga, quando se que brigar e não buscar mediações.

A história da sociedade também é uma trajetória de tentarmos pontos de equilíbrio, de esferas de conciliação e de harmonização de questões controversas, por meio de debates, câmaras, conselhos, revistas, programas de auditórios, todos instrumentos que buscam dar vazão a essa pluralidade de ideias, aos argumentos, para que amadureçamos e como grupo venhamos a escolher nossos caminhos. Essa é, inclusive, uma das bases da democracia, da construção de espaços de diálogo e de consensos, para que os limites se construam.

Mas quando esse tecido de equilíbrio se enfraquece, surgem iniciativas apaixonadas para defender o ponto de vista e, nesse sentido, Kardec fala de se fazer concessões. Em realidade, ele utiliza o termo “mútuas concessões”, para que haja a reconciliação, a fim de que a paz reine. O problema é que a busca de verdades tem suplantado o desejo de harmonia.

Esse longo e filosófico preâmbulo (ou um pouco mais que isso), vem para refletirmos sobre a realidade que, imersos nesse mundo polarizado, nós, como movimento espírita, nos vemos invadidos por essa postura, seja por conta de questões da política partidária que se refletem em nossos temas, seja por polêmicas que já nos são conhecidas, algumas com nova roupagem, e que recheiam as nossas páginas nas redes sociais.

E esse movimento de dissensos se torna, por vezes, agressivo, cego e afiado, negando diálogos e cortando relações, fazendo com que se perca o sentido racional, reflexivo do espiritismo, em troca, valoriza-se uma ideia de convencimento, de censura, de proscrição, estranho ao nossoethos, e que já levou muita gente a fogueira em outras épocas.

Se Kardec estivesse entre nós, encarnado, como ele reagiria diante desse enxame de obras espíritas nas livrarias, algumas questionáveis em seus pressupostos? E como Jesus se portaria diante da defesa por espíritas de linchamentos de criminosos nas ruas das cidades grandes? Será que iriam estes nossos dois exemplos para as redes sociais com textões para fomentar longos e cansativos debates polarizados? Bem, na época deles, já existiam essas polêmicas, algumas ainda atuais, e não nos parece que eles reagiram assim. Vejam em O Livro dos espíritos como Kardec trata de temas como o Aborto e a Pena de Morte e verifiquem se essa abordagem se reflete nesse modelo de discussão que vivemos atualmente.

A revolução das informações, da tecnologia, aproximou ideias, paradigmas, a globalização juntou povos e culturas, e isso nos agride de alguma forma, pela nossa própria pluralidade, e pelo caráter inconciliável de determinadas visões, e ainda, por traumas e dores que trazemos no imo de nossa alma, mas não se alimenta nesse breve texto a ilusão de que conseguiremos a harmonização de todas as tensões humanas, mas sim que saibamos lidar com estas pautados em princípios de diálogo e de respeito, ouvindo, sendo ouvido e se posicionando como cada um julgar melhor, respeitando as instâncias para as quais convergem cada uma delas, como ponto de equacionamento de casos concretos.

Livros duvidosos, estudemos mais. Posições polêmicas sobre temas políticos, guardemos nosso posicionamento íntimo a luz da vida imortal. Apelo a soluções radicais, lembremos que a vida é eterna. Só assim, nos resguardaremos dos perigos e das manipulações advindas de posturas extremas, e mais, do desperdício de energia que poderia ser utilizado na construção pelo estudo e no aprimoramento pelo amor ao semelhante. Aliás, muitas dessas tensões acabam por minar valorosos trabalhos espíritas.

Se Deus nos quisesse assim, extremos, radicais, não nos dava seguidas encarnações para avançarmos. Mas se também nos quisesse sempre passivos, “maria-vai-com-as-outras”, não nos daria a dor para nos impulsionar. A vida é luta, mas é preciso saber lutar.


Autor: Wellington Balbo


10 fevereiro 2018

"Nascer, Morrer, Renascer... " Adolência e Suicídio - Jorge Hessen



“NASCER, MORRER, RENASCER…” ADOLESCÊNCIA E SUICÍDIO



A juventude é uma grande fase de descobertas, de experiência de novas emoções e sensações. É compreensível, neste período de transição entre os estágios infantil e adulto, que o vendaval dos mais diversos anseios e pensamentos se torne presente na mente do jovem, erguendo opiniões, preconceitos, tabus e outros temas que eram tidos como certos e inalteráveis. A estrada sedimentada com a presença dos pais até então vai se dissipando sob seus passos, estabelecendo que ele, depressa, construa os alicerces do seu próprio caminho.

Nesse contexto de deliberação e meditação, o jovem ingênuo ou o adolescente imaturo, que jamais teve um calçamento firme e estruturado por onde pudesse caminhar se desorienta e busca, em atitudes extremas, debelar sua perturbação e tédio com o mundo. Diante do desafio de viver com as diferenças, pode brotar então a conduta suicida, que se consubstancia através de acenos psicológicos aos ensaios para a morte.

A depressão é, seguramente, o diagnóstico psiquiátrico mais notado em jovens que tentam o autoextermínio. Desfalecimento, consumo de drogas, desarmonia no lar, desordens de conduta, fatos estressantes, violências físicas, sexuais ou psicológicas e causas fisiológicas podem ser avaliados como os fundamentais agentes geradores desse distúrbio. Mesmo com o avanço significativo da ciência médica, algumas manifestações permanecem obscuras no campo da psicologia. A mente humana guarda mistérios ainda não desvendados.

Quase sempre o jovem que pensa em suicídio dá sinal dessa ideia através de um comportamento diferente no seu modo de viver, passando a buscar refúgio na solidão, isolando-se de tudo e de todos. A maioria das tentativas e das realizações de suicídio entre jovens acontece sobretudo em lares desarmonizados, com famílias desestruturadas, ou procedentes de grupos familiares que apresentam herança de enfermidades somáticas e/ou mentais. Os atos dos jovens buscando a auto eliminação podem ser formas desesperadas de pedir carinho, de chamar a atenção para si. Desse modo, a função da família deve funcionar como decidido antídoto contra o suicídio.

O autocídio é transgressão às leis de Deus, considerado dos mais graves que o ser humano pratica ante o seu Criador. Muitas são as consequências para os que atentam contra a própria vida; são, porém, variáveis para cada espírito, pois há de se levar em conta os pretextos da opção pelo autoextermínio e as formas empregadas para praticá-lo.

Os espíritos de suicidas são enfáticos e unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam, a agonia da situação em que se abalam, decorrentes do seu impensado gesto. Como atitude de suprema rebeldia ante o Criador, ainda que com atenuantes ou agravantes, nenhum suicida se liberará do resultado sinistro da ação que praticou em face da desobediência às leis da Criação, e fatalmente uma nova reencarnação o esperará, seguramente em condições mais problemáticas do que aquela em que destruiu a si mesmo.

O suicídio é circundado de complexos e sutilezas imprevisíveis, cercado por circunstâncias e consequências gravíssimas, embora possam variar de grau e intensidade diante das ocorrências. As leis de Deus são incorruptíveis e ajuizadas, solicitando de cada um de nós o máximo bom senso para analisá-las e aprendê-las sem decompô-las através de nossos desejos e paixões.

Sob o ponto de vista espírita, recordamos que a obsessão espiritual igualmente se constitui numa das causas de jovens matarem-se. Quase sempre a perseguição espiritual exprime a desforra que um espírito exerce e que, com obstinação, se enraíza nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor em vidas pregressas. Portanto, a ideia recorrente de autocídio, que vez por outra surge na mente de muitos jovens, pode ser reflexo de experiências de encarnações antecedentes.

No debate, garantimos que o Espiritismo é um dos maiores preservativos contra o suicídio. Quando o jovem consegue assimilar as lições dos Bons Espíritos, o suicídio deixa de fazer sentido para ele, mormente quando o adolescente reflete de forma madura a máxima “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a lei”. Sim! O moço perceberá que está diante de um Código Divino que encerra a transcendência da vida, sendo, portanto, o maior defensivo contra o suicídio.


Jorge Hessen


09 fevereiro 2018

Ligação espiritual entre almas - Hugo Lapa



LIGAÇÃO ESPIRITUAL ENTRE ALMAS


A ligação espiritual entre duas almas, ou dois espíritos, sejam encarnados ou desencarnados, frequentemente é um assunto que gera muitas dúvidas, curiosidade e interesse. Para aqueles que estudam a teoria da reencarnação e a existência das “famílias espirituais” este tema não é nenhuma novidade.

Quando levamos as pessoas a perceberem por si mesmas as suas vidas passadas, fica claro para a pessoa e para o terapeuta, como se dá o surgimento e o estreitamente dos laços que unem duas ou mais almas ao longo de diversas existências corpóreas.

Uma forte ligação espiritual entre duas almas vem de muitas vidas passadas em conjunto. A experiência conjunta de alegrias e tristezas, de prazer e dor, de construção e destruição, vida e morte, vai gerando nas almas sentimentos mais profundos, laços cada vez mais próximos, onde a história de um vai começando a se confundir com a história do outro. Todo esse processo vai criando uma sintonia, com simpatias e antipatias, amor e ódio, prazer e dor, desejo e repulsa, entre outros sentimentos que aos poucos vão formando laços. Esses laços podem ser mais fortes tantas quantas forem as experiências agradáveis ou dolorosas vividas pela dupla evolutiva.

Essa conexão entre as almas pode se expressar em afinidades de pensamentos, sentimentos e crenças, ou podem gerar tendências quase que opostas, onde uma complementa a outra naquilo que ambos necessitam de uma unificação ou diversificação. Toda essa conjuntura anímica pode criar laços tão fortes e significativos que se expressam vibratoriamente de várias formas. Não apenas despertando em nós uma variedade de sentimentos, por vezes confusos e contraditórios, como também uma afinidade profunda, uma sintonia que se manifesta como fenômeno paranormais, sendo o mais comum deles a telepatia.

Aqui devemos entender a telepatia em seus vários níveis. A telepatia não pode ser considerada apenas uma troca de pensamentos, ou de ideias. A telepatia é até mais comum quando ela passa a ser o veículo não apenas de pensamentos de um a outro, mas principalmente de sentimentos. Esse fenômeno ocorre muito mais em casais do que geralmente se imagina. Pode acontecer também entre pai e filho, irmão e irmã, etc.

Em nossos atendimentos terapêuticos, assim como nos casos que analisamos de pessoas que nos procuram para esclarecimentos, é possível encontrar relatos fascinantes dessa incrível sintonia entre as pessoas. Talvez a forma de sintonia mais comum seja de pessoas que pensam ou lembram da outra num momento, e no instante seguinte aquela pessoa que veio à nossa mente nos telefona. A pessoa atende o telefone e diz: “estava pensando em você agora”. Ou quando estamos na rua, caminhando, e subitamente lembramos de alguém. Alguns momentos depois encontramos a pessoa caminhando na rua e a cumprimentamos. Este fenômeno nada tem de raro, e acontece mais do que a maioria acredita. Trata-se de uma forma freqüente de telepatia entre pessoas, e se torna ainda mais constante com pessoas que já possuem uma sintonia natural, principalmente que vem de outras vidas.

Ocorre também de estarmos em nosso aposento, descansando, ou realizando alguma atividade, e de repente surgir um sentimento de tristeza, depressão, vazio, desânimo, etc. Pode aparecer também sensações físicas, como calor, frio, desconforto, formigamento, taquicardia, aperto no peito, etc. O caráter repentino de um sentimento que brota sem explicação pode ter várias explicações, como sentimentos nossos que emergiram por alguma razão desconhecida, ou a intervenção de espíritos, ou ainda as energias do nosso ambiente imediato. No entanto, também pode acontecer de algum conhecido, ou pessoa de nossa estima esteja com problemas, e passamos a sentir o que ela também está sentindo. Isso pode se agravar quando a pessoa está deprimida e fica focalizando o seu pensamento em nós.

Isso acontece por duas razões: em primeiro lugar, quando duas pessoas têm uma afinidade, uma ligação forte, seja positiva ou negativa. Em segundo lugar, porque um dos dois, ou ambos, possuem uma forte capacidade magnética ou uma considerável sensibilidade. No entanto, mesmo quando não há uma forte sensibilidade psíquica ou magnética, quando dois indivíduos possuem laços kármicos de vidas passadas, parece que a energia de um está como que “aberta” a energia da outra pessoa, e assim sendo, a sintonia se estabelece juntamente com a troca de energias. Um karma de vidas passadas pode tornar nossa energia vulnerável a energia outra pessoa, e o mesmo pode não acontecer com outras pessoas com as quais não possuímos um karma de vidas passadas. É como se o karma desse livre acesso as energias de ambos, podendo um e outro partilhar dos mesmos sentimentos, pensamentos e trocar energias. Isso ocorre porque há uma forte ligação e também uma necessidade de ambos sintonizarem um com o outro, por isso ambos passam a se atrair para que possam viver experiências conjuntas, a fim de aprender e evoluir com elas.

Isso também é frequente em atendimentos terapêuticos com a terapia de vidas passadas. Um caso que ilustra bem esse fenômeno foi de um homem de meia idade que atendi. Ele era apaixonado por uma moça casada, e queria ficar com ela. Eles tinham uma forte ligação, e ela também queria que ficassem juntos, mas ainda não tinha tomado coragem suficiente para largar um casamento de vários anos. Numa das regressões, tratamos uma vida passada onde eles conviveram juntos. Ao final do tratamento dessa vida passada, resolvemos unir ambos no plano espiritual trazendo a presença dessa moça para dialogar com ele, e para que se desse o perdão e a reconciliação. Eles se perdoaram e encerramos a regressão.

Na sessão seguinte, ele me contou que conversou com essa moça, de quem ele gostava, e no momento exato em que estávamos realizando a regressão, ela se sentiu “puxada” de seu corpo físico, teve várias sensações e emoções, sentiu energias espirituais positivas fluindo pelo seu corpo e teve uma visão desse homem, o paciente. Tentei confirmar com ele o horário que ela havia tido essas sensações e visões, e ele disse que ela atestou que os horários batiam. Fizemos o atendimento às 19:30 mais ou menos e no mesmo dia, no mesmo horário, ela conseguiu sentir tudo o que nós fizemos e um contato espiritual com ele. Perguntei se ele havia contado a ela sobre o dia e horário da terapia e ele afirmou que ela sequer sabia que ele estava fazendo uma terapia de regressão. Esse fato, assim como vários outros semelhantes que já presenciamos na terapia de vidas passadas, provam que existe uma ligação mais profunda entre duas pessoas e que transcende o tempo e o espaço.

Há alguns casos de pessoas que já conversaram comigo sobre isso que dizem coisas do tipo: “É incrível como eu sinto quando ele (ou ela) está bem ou mal” ou “Posso sentir quando ele está precisando de ajuda” ou ainda: “Sinto quando ele está em depressão, pois eu acabo captando o mesmo sentimento que emana dele e chega até mim”. Relatos como esses são bastante comuns entre pessoas que se amam, que tem uma forte ligação espiritual, ou mesmo que tem algum tipo de karma positivo ou negativo de vidas passadas.

Certa vez nos chegou um relato em que essa ligação espiritual chegou a um certo extremo. Uma moça contou que, quando ela e o homem que ela ama estão distantes, ela não apenas sente o homem que ama, como algumas vezes sente seu toque fisicamente. Há um contato de sentimentos, mas também há um contato que chega a se expressar fisicamente. Esse caso, obviamente, precisaria ser analisado com mais calma e profundidade, no entanto, pode se tratar de uma médium de ectoplasmia onde ela inconscientemente doa a substância ectoplasmática que permite a materialização do toque de outra pessoa sobre ela.

Casos parecidos com esses demonstram que a ligação entre as almas é algo muito forte, e frequentemente rompe as barreiras físicas e temporais. A conexão entre dois espíritos é algo que se mantém em várias vidas e que não se perde com morte, ou com o distanciamento espacial.

Hugo Lapa