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21 maio 2018

Reencontro com Mamãe - Antônio Carlos Navarro



REENCONTRO COM MAMÃE


O despertar de sono profundo se deu como que flutuando no interior de nuvens claras, com um sentimento de leveza até então desconhecido, vindo a acordar, plenamente, em ambiente desconhecido.

Recepcionado com voto de boa vinda, não compreendia do que se tratava, e nem onde estava, o que o levava a multiplicar os questionamentos íntimos, que tentava verbalizar na medida das possibilidades.

À medida em que foi se sentindo acolhido, informou que apenas se lembrava que estava internado em um hospital, mas que agora a situação o havia deixado confuso, e por isso desejava esclarecimentos.

Em verdade sentia-se bem, mas não conseguia administrar a situação em que se encontrava.

Sutilmente, foi sendo levado a entender que havia sido transferido para aquele ambiente, e que se tratava de uma reunião de irmãos em Deus, para esclarecimento e fortalecimento da fé sob a ótica do Espírito imortal, onde cada um trabalha para benefício de todos, em nome de Jesus, conforme as orientações da Doutrina Espírita.

Já mais ambientado, foi questionado se percebia mais alguém no entorno, e se se lembrava de sua mãe, ao que informou que ela já havia morrido. A morte não existe, ouviu como resposta, que foi acompanhada de esclarecimentos que o levaram a entender que também ele já havia “morrido”, e que o amor não se esvai com a separação física, e aqueles que nos precedem ao túmulo, tendo possibilidades, voltam para nos receber, acompanhar ou socorrer, quando é chegada a nossa vez de retornarmos à Pátria Espiritual.

Mamãe!!! Mamãe!!! Exclamou, então, surpreso e em prantos de saudade. Ao mesmo tempo, no entanto, em que reconhecia a situação, já pensava, com preocupação, sobre o impacto que sua transferência para o Mundo Espiritual teria sobre os que ficaram, ao que foi tranquilizado com a lógica insofismável da realidade espiritual.

Decorridos alguns instantes, e já mais assentado na nova situação, foi conduzido, sob o amparo maternal, às regiões mais altas do Mundo Espiritual, para dar continuidade a sua vida de Espírito imortal.

O relato acima é verídico, e é experiência corriqueira nas sessões mediúnicas de esclarecimento de espíritos que ainda não possuem maiores conhecimentos sobre a realidade espiritual.

Paralelamente, as palestras e reuniões de estudos nas Casas Espíritas fornecem amplas possibilidades de esclarecimento para nós, Espíritos que somos, que assim como um dia nascemos na carne, mais dia menos dia, haveremos de deixá-la para voltar à pátria de origem, e será bom que saibamos algo a respeito, para nossa melhor e mais rápida adaptação, embora, como nos ensinam os Espíritos Superiores, a prática constante do bem é que nos garante melhores condições no retorno.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro
 

20 maio 2018

A Suprema Bondade! - Francisco Rebouças



 A SUPREMA BONDADE!



Em hipótese alguma podemos achar que a nossa existência tenha mais ou menos importância que a vida do nosso irmão em caminhada evolutiva na Terra. Da mesma forma, não faz sentido sequer supor que nossas necessidades sejam mais ou menos atendidas que as dos demais indivíduos, é preciso entender que não estamos esquecidos ou sem a assistência devida, assim como também não nos achamos em situação de privilégios em relação ao nosso semelhante.

Deus sendo a Inteligência Suprema, a própria perfeição, não comete erros ou injustiças e Ama todos os seus filhos encarnados ou desencarnados com a mesma intensidade, assim fica fácil perceber que as providências que ELE toma em relação as suas criaturas levam em conta o selo dessa perfeição absoluta.

Quando nos julgamos abandonados ou desatendidos em nossos anseios de conquistas materiais, nada mais demonstramos senão a nossa infantilidade espiritual, porque ainda não compreendemos que os nossos ideais de Ter cada vez mais em detrimento de Ser como devemos, mantêm-nos apegados aos atavismos seculares do homem velho que nos escraviza há milênios.

Torna-se imprescindível despertarmos para a realidade da nossa estada no presente momento da vida em nosso planeta, porque não estamos aqui a passeio ou, simplesmente, para gozar das alegrias das conquistas materiais sem outra finalidade, conforme esclarecimento dos Espíritos Superiores em resposta ao codificador do Espiritismo na questão abaixo:

Questão 573 – Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?
“Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão, como o que governa, ou o que instrui. Tudo em a Natureza se encadeia. Ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da Providência.

Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade.” (1)

Dessa forma, é possível entender melhor o que Jesus nos propôs em seu Evangelho quando nos disse: “sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celeste” (2), conclamando-nos ao desenvolvimento de uma mentalidade cristã, através do trabalho no desenvolvimento das virtudes das quais somos portadores, a fim de que um dia possamos “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Nos dias de hoje, quando já temos grande capacidade para a compreensão das Leis Divinas, a consciência nos solicita ter mais cuidado com nossos pensamentos, palavras e atitudes, para que prestemos mais atenção aos ensinos e exemplos de Jesus; não nos cabe mais utilizar de desculpas infantis e infundadas para justificar nossa apatia diante de tanto que nos compete realizar.

“Segundo a ideia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados.

E assim, por exemplo, que o indivíduo, propenso a encolerizar-se, quase sempre se desculpa com o seu temperamento. Em vez de se confessar culpado, lança a culpa ao seu organismo, acusando a Deus, dessa forma, de suas próprias faltas. É ainda uma consequência do orgulho que se encontra de permeio a todas as suas imperfeições.

Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva.

O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? O homem deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nisso não pode atuar; mas, pode modificar o que é do Espírito, quando o quer com vontade firme. Não vos mostra a experiência, a vós espíritas, até onde é capaz de ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam sob as vossas vistas? Compenetrai-vos, pois, de que o homem não se conserva vicioso, senão porque quer permanecer vicioso; de que aquele que queira corrigir-se sempre o pode. De outro modo, não existiria para o homem a lei do progresso. – Hahnemann. (Paris, 1863.) (3)

Urgente se faz, empregarmos esforços para utilizar os incontáveis recursos com os quais a Divina Providência nos enriquece a vida, de maneira inteligente, para alavancar o nosso progresso em direção à finalidade para a qual fomos criados: a felicidade e pureza espiritual.


Francisco Rebouças


Referências Bibliográficas:

(1) KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos, FEB. 76ª edição;

(2) Evangelho de Mateus, 5:48;

(3) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB. 112ª edição, cap. IX, item 10.

19 maio 2018

O fracasso das relações está no excesso de perdão - Wellington Balbo



O FRACASSO DAS RELAÇÕES ESTÁ NO EXCESSO DE PERDÃO


Trabalho há algum tempo no atendimento fraterno de um Centro Espírita em Salvador e observo que um dos grandes desafios do ser humano é perdoar.

Pessoas chegam ao Centro Espírita acabrunhadas, irritadas, magoadas e até mesmo com ódio em seus corações.

E o mais grave: o objeto desses nefastos sentimentos são as pessoas mais próximas: pai, mãe, marido, esposa, irmão, primo, chefe ou colegas de trabalho.

Bom, de fato, perdoar não é tarefa fácil.

Por isso proponho o oposto: não perdoar!

Isso mesmo, deixar um pouco de lado essa conversa de perdão.

Perdoar demais, todos os dias, ininterruptamente, pode não ser uma boa coisa.

Como assim? É de espantar, não é mesmo?

Porém, reafirmo: perdoar, constantemente, não é nada bom.

E sabe por quê?

Simples.

Quem muito perdoa é porque muito se ofende.

E, convenhamos, ofender-se demais não é bom.

Tem gente que se ofende por tudo, na menor contrariedade fecha a cara, faz bico, passa dias e dias sem conversar com o outro, chantageia, não liga no aniversário, exclui das redes sociais, forçando-o, não raro, a pedir perdão por querelas ou por situações que não houve nada mais sério.

E quem suporta uma vida assim, pesada, densa, recheada de cobranças e de arrepiadores porquês?

Por que você não fez isso? Por que deixou de fazer aquilo? Por que disse isso?

Por quê? Por quê? Por quê?

E cobra, de forma explícita ou implícita, a retratação do outro, gerando desgastes desnecessários.

A vida já é, por si só, repleta de situações que nos deixam tensos, imagine então receber, todos os dias, rajadas de cobrança lançadas pelo cônjuge, pais, amigos, filhos e etc.

O ideal é viver mais leve, utilizando-se da compreensão.

A equação é esta:

Compreender mais e ofender-se menos é igual a zero perdão.

Há um déficit de realidade que necessita ser trabalhado para que não fiquemos, a todo tempo, sentindo-nos ofendidos pelas pisadas na bola do outro.

Então, faz-se, fundamental, entendermos o local onde estamos.

E onde estamos? No planeta Terra, orbe de provas e expiações, habitado por Espíritos ainda muito limitados, que buscam por meio das provas reencarnatórias, evoluir em direção ao Pai.

O que quero dizer com isso?

Quero dizer o seguinte: errarão com você, pode ter certeza. Chegarão atrasados em compromissos vez ou outra, ou vez em sempre, falarão coisas que você não aprecia, pisarão em seu pé ao dançar, reclamarão de sua mãe, não escutarão quando você quer conversar, enfim, farão muitas coisas que você não gosta, porém utilize o conhecimento para safar-se da irritação.

Lembre-se: estamos num planeta de provas e expiações; seu companheiro, chefe, amigo, familiar, seja lá quem for, assim como você, não é perfeito, logo, irá errar um bocado.

Viva leve e deixe o perdão para as grandes questões. Até porque perdoar muito, cansa e chegará o momento que de tanto sentir-se ofendido pelos pequenos tropeços do outro você não mais o perdoará, e poderá deixar escorrer pelas mãos um relacionamento bacana, que tem suas dificuldades, mas que lhe proporciona doses de alegria.

E já que falamos para deixar o perdão para as grandes questões, recordo-me de uma amiga que flagrou o marido em adultério.

Situação complicada, tensa.

De início ela optou pela separação. Ele ficou arrasado. Todos os dias aparecia no trabalho dela pedindo para que reconsiderasse e o perdoasse.

Ela parecia decidida a não perdoar. Mas eis que uns 2 meses depois a vi com a aliança no dedo novamente. A amiga percebeu meu olhar e explicou:

Ah, coloquei tudo numa balança e pesei. Ele, marido carinhoso, pai desvelado, ótimo companheiro e, mais importante, réu primário, merecia o perdão, aliás, não apenas ele, mas eu também merecia perdoar para, enfim, reviver.

Foi um dos momentos mais emocionantes que pude presenciar.

Eis o perdão bem aplicado, o perdão para as grandes questões, pois naquelas ditas “pequenas” não vale a pena gastar “cartucho”.

Dessa forma, melhor que perdoar, é não se ofender.

Pensemos nisso, reflitamos e, mais importante, sejamos felizes!


Wellington Balbo



18 maio 2018

A maior necessidade do momento - Geraldo Campetti Sobrinho


A MAIOR NECESSIDADE DO MOMENTO


Amigo leitor!

O título deste artigo parece pretensioso. Talvez seja.

Seria demais, provavelmente, responder em poucas linhas qual a maior necessidade do ser humano aqui na Terra neste princípio de século, perante tantos desafios e problemas graves, como a miséria, a injustiça social, a criminalidade, a violência urbana, o preconceito, a corrupção, a ignorância, a maldade…

A lista é praticamente infindável. Afinal, estamos em um mundo de expiações e provas em plena transição para a regeneração.

A crise, por demanda imperiosa do progresso, evidencia as desigualdades e enfermidades morais, dando a impressão de que a sociedade terrena está falida nos valores educacionais do Espírito imortal.

Se nossa visão for limitada ao presente e restrita a fatores econômicos, políticos e sociais, a resposta tende a ser afirmativa: o mundo parece estar piorando.

Porém, torna-se imprescindível ampliar os horizontes, enxergando realidades além daquelas percebidas quando nos restringimos a aspectos materiais da existência terrena.

Nós, que somos aprendizes do Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo, já temos as informações suficientes para entender que a recomendação maior do Cristo foi e continua sendo o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ainda, o Mestre inovou, enfatizando que deveríamos amar o semelhante como Ele nos amou.

Deixou a recomendação e a receita.

Resta-nos apenas cumpri-las.

Simples assim… para falar.

Tão complicado, entretanto, para vivenciar.

O amor deve estar na base de todas as nossas ações, palavras e pensamentos. Tudo estaria resolvido se amássemos, verdadeiramente, a nós mesmos, ao próximo e a Deus, pois assim o respeito e a solidariedade universais estariam garantidos na promoção da paz e felicidade geral.

*

 Acontece que o tempo não para. As coisas ocorrem em velocidade cada vez mais célere. As transformações estão surgindo tão rapidamente que temos tido sérias dificuldades em saber lidar com o mundo atual.

Parece que a loucura se generalizou!

As pessoas estão perdidas, sem rumo, não sabem para onde ir, sequer têm compreensão de onde se encontram e o que lhes cabe fazer.

E isso tem nos afetado também, pois ninguém está imune à influência, seja de qual natureza for, nem despojado da capacidade de influenciar pessoas próximas ou distantes.

Temos nos deixado perturbar e temos sido instrumentos da perturbação.

Somos incompreendidos pelo nosso irmão e nos tornamos agentes da incompreensão em nossas relações interpessoais.

Temos sido relegados por terceiros e atuado como ferramentas da indiferença diante do sofrimento alheio.

Está nos faltando viver a mensagem ensinada por Jesus há dois mil anos e renovada pelas claridades do Espiritismo desde os idos do século XIX. Esta mensagem nos recomenda o respeito e a solidariedade a todos. E mais, por extensão, ensina-nos que devemos ser gratos àqueles que nos antecederam na realização de importantes trabalhos. Cumpre-nos reconhecer que, se não fossem tais pioneiros, enfrentaríamos hoje grandes dificuldades para fazer o que estamos tentando empreender. Gratidão e respeito, portanto, nunca serão demais.

*

A maior necessidade do momento, perante tantas outras que entendemos importantes, é a de discernir, adotando o equilíbrio e o bom senso, tão escassos atualmente no comportamento pessoal, inclusive na postura de boa parte dos formadores de opinião.

Discernir, segundo o dicionário eletrônico Houaiss, é: a) perceber claramente (algo, diferenças etc.); distinguir, diferenciar, discriminar; b) compreender (conceito, situação etc.); perceber, entender; c) formar juízo; apreciar, julgar, avaliar; d) identificar (algo) com conhecimento de causa.

Depreendemos dessas quatro acepções principais do verbo discernir que não podemos ouvir, ler, ver e sentir tudo como se fossem verdades absolutas.

Há que se redobrar a vigilância quanto aos cavaleiros do apocalipse que, em tempos de transição, pululam em diversos cantos causando discórdia e levando pessoas, instituições e povos a se confrontarem como se estivessem em plena guerra.

A quem interessa a divulgação de notícias bombásticas, descobertas assombrosas, revelações impactantes, furos jornalísticos?!…

Quem são os agentes da confusão, da balbúrdia, da dúvida, da insegurança, do desrespeito?!…

Discernir é saber escolher, decidir, posicionar-se, adotando o Evangelho de Jesus como roteiro e o esquecimento do mal como estratégia. É fomentar a união e a paz, a concórdia e o bem, a felicidade e a realização.

Na atualidade, correm soltas a irresponsabilidade e a insanidade, a desesperança e a precipitação, a ignorância e a confusão.

Por isso mesmo, o momento é propício ao discernimento, com emprego do bom senso e do equilíbrio. Vamos fazer a nossa parte?!


Geraldo Campetti Sobrinho


17 maio 2018

Bullying problema de saúde pública e de segurança sociaL - Jorge Hessen



BULLYING PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA E DA SEGURANÇA NACIONAL [1]


Vítima de abusos e bullying em sua escola na Califórnia, a adolescente Rosalie Ávila, 13 anos, tirou a própria vida: “sou feia e perdedora“, escreveu, em um bilhete encontrado por seus pais depois da tragédia. Estudante do oitavo ano em uma escola pública em Calimesa (114 km ao leste de Los Angeles), Rosalie se enforcou em seu quarto depois de deixar o bilhete de despedida para os pais: “me desculpem, pai e mãe. Eu amo vocês“.[2] (grifamos)

Ao todo, 5.900 menores, entre 10 e 24 anos, tiraram a própria vida nos Estados Unidos em 2015, segundo números oficiais. O site governamental “Stop Bullying” indica que 28% dos estudantes nos Estados Unidos sofrem esse tipo de abuso entre o 6º e 11º ano, e 9%, agressão pelas redes sociais. [3]

Os fatos, chocantes e tristes, trazem dois alertas a todos os pais e mães: o primeiro deles é estarem atentos às mudanças de comportamento dos filhos e buscar ajuda profissional sempre que necessário. O segundo alerta é falar com o filho sobre o respeito às diferenças. Ensinar sobre diversidade e tolerância. Essas lições, quando assimiladas desde cedo, formam pessoas mais empáticas e sensíveis à dor do outro – além, é claro, de evitar comportamentos agressivos como o bullying.

Importa ressaltar que o bullying é considerado uma questão de saúde pública e de segurança social. Por essa razão o tema tem sido discutido com pujantes cores por especialistas das áreas do direito, da psicologia, da medicina, da sociologia, da pedagogia e outras. Tal prática está por trás de muitas tentativas e consumação de homicídio e suicídio de adolescentes. Em setembro de 2017, um adolescente matou um colega e feriu outros três em sua escola no estado de Washington, em mais um caso de “bullying” [4]

As vítimas são os indivíduos considerados psicologicamente mais frágeis da relação entre crianças e jovens, transformados em objeto de diversão e “prazer” por meio de “chacotas” maldosas e intimidadoras. Há crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas que os levam a ter queda do rendimento escolar, somatizar o sofrimento em doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencia traços da personalidade.

Via de regra, os filhos que praticam o bullying quase sempre são insurgentes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos; por isso, “os pais [espíritas] de tais rebeldes, depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa deles, e sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas amargas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.” [5]

O Espiritismo não nomeia soluções mágicas, peculiares e simplificadas, refreando ou regulamentando cada atitude, nem impõe fórmulas ilusionistas de bom comportamento, sobretudo para os jovens. A Terceira Revelação elege consentir, e explica em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio), porém com a responsabilidade consequente de cada ato.

Jorge Hessen


Referências bibliográficas:

[1] No Brasil, o bullying é traduzido como o ato de bulir, tocar, bater, socar, zombar, tripudiar, ridicularizar, colocar apelidos humilhantes e etc. A violência é praticada por um ou mais indivíduos, com o objetivo de intimidar, humilhar ou agredir fisicamente a vítima.




[5] XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995

16 maio 2018

"Quem deixou meus pais envelhecerem? - Ruth Manus



QUEM DEIXOU MEUS PAIS ENVELHECEREM?



Meus pais não são velhos.

Quer dizer, velho é um conceito relativo.

Aos olhos da minha avó são muito moços.

Aos olhos dos amigos deles, são normais.

Aos olhos das minhas sobrinhas, são muito velhos. Aos meus olhos, estão envelhecendo.

Não sei se lentamente, se rápido demais ou se no tempo certo.

Mas sempre me causando alguma estranheza.

Lembro-me de quando minha mãe completou 60 anos. Aquele número me assustou.

Os 59 não pareciam muito, mas os 60 pareciam um rolo compressor que se aproximava.

Daqui uns anos ela fará seus 70 e eu espero não tomar um susto tão grande dessa vez.

Afinal, são apenas números.

Parece-me que a maior dificuldade é aprendermos a conciliar nosso espírito de filho adulto com o progressivo envelhecimento deles.

Estávamos habituados à falsa ideia que reina no peito de toda criança de que eles eram invencíveis.

As gripes deles não eram nada, as dores deles não eram nada.

As nossas é que eram graves, importantes e urgentes.

E de repente o quadro se inverte.

Começamos a nos preocupar- frequentemente de forma exagerada- com tudo o que diz respeito a eles.

A simples tosse deles já nos parece um estranho sintoma de uma doença grave e não uma mera reação à poeira.

Alguns passos mais lentos dados por eles já não nos parecem calma, mas sim uma incômoda limitação física.

Uma conta não paga no dia do vencimento nos parece fruto de esquecimento e desorganização e não um simples atraso como tantos dos nossos.

Num dado momento já não sabemos se são eles que estão de fato vivendo as sequelas da velhice que se aproxima ou se somos nós que estamos excessivamente tensos, por começarmos a sentir o indescritível medo da hipótese de perdê-los- mesmo que isso ainda possa levar 30 anos.

Frequentemente nos irritamos com nossos pais, como se eles não estivessem tendo o comportamento adequado ou como se não se esforçassem o bastante para manterem-se jovens, vigorosos e ativos, como gostaríamos que eles fossem eternamente.

De vez em quando esbravejamos e damos broncas neles como se estivéssemos dentro de um espelho invertido da nossa infância.

Na verdade, imagino eu, nossa fúria não é contra eles.

É contra o tempo.

O mesmo tempo que cura, ensina e resolve é o tempo que avança como ameaça implacável.

A nossa vontade é gritar “Chega, tempo! Já basta!

60 já está bom!

65 no máximo!

70, não mais do que isso!

Não avance, não avance mais!”.

E, erroneamente, canalizamos nos nossos pais esse inconformismo.

O fato é que às vezes a lentidão, o esquecimento e as limitações são, de fato, frutos da idade.

Outras vezes são apenas frutos da rotina, tão naturais quanto os nossos equívocos.

Seja qual for a circunstância, eles nunca merecem ter que lidar com a nossa angústia.

Eles já lidaram com os nossos medos todos de monstros, de palhaços, de abelhas, de escuro, de provas de matemática ao longo da vida.

Eles nos treinaram, nos fortaleceram, nos tornaram adultos.

E não é justo que logo agora eles tenham que lidar com as nossas frustrações.

Eles merecem que sejamos mais generosos agora.

Mais paciência e menos irritação.

Menos preocupação e mais apoio.

Mais companheirismo e menos acusações.

Menos neurose e mais realismo.

Mais afeto e menos cobranças.

Eles só estão envelhecendo.

E sabe do que mais?

Nós também.

E é melhor fazermos isso juntos, da melhor forma."


Por Ruth Manus

 

15 maio 2018

Preço do amadurecimento - Orson Peter Carrara



PREÇO DO AMADURENCIMENTO


Há muito tempo, desde a época de menino quando ia visitar a chácara de minha avó paterna, eu não ouvia o “cantar de galo”. Um dia desses, fui surpreendido por um galo cantando logo ao amanhecer. Qual dos vizinhos foi arrumar um galo? fiquei a pensar.

O interessante, porém, é que o canto do galo incomodou o cachorro que desfruta de nossa convivência doméstica. A cada “cantada” do galo, lá vinha o cachorro com suas “latidas” incomodadas. É que, para ele, vivendo na vida urbana, o barulho soou estranho. E isto incomodou todo mundo, acho mesmo que acordou os vizinhos.

Aí fiquei a pensar como os barulhos externos nos incomodam. Tudo que é novo traz desassossego, incomoda, pois temos, também os humanos, resistências a novidades. Se incomoda o cachorro, a intensidade é ainda maior entre seres humanos.

Assim é que as grandes ideias, especialmente as novas, incomodam tanta gente. Igualmente as mudanças, que muitas vezes se fazem necessárias, incomodam e muito. Aí surgem as divergências, as resistências naturais que em muitas ocasiões se tornam inclusive violentas.

Aliás, vale dizer que qualquer nova ideia sempre encontrará opositores e questionadores de plantão. Questionadores que se posicionam contra só para se oporem mesmo, sem conhecerem as novas propostas, sem analisarem razões, benefícios ou propostas apresentadas.

É necessário que, antes de criticar posturas ou ideias, habituemo-nos a pelo menos conhecer a ideia, conhecermos o assunto, para depois apresentar, aí sim, argumentos contrários bem fundamentados, ao invés de simplesmente apresentarmos oposição sistemática e adotarmos postura de indiferença ou mesmo crítica descabida.

Isso ocorre numa família, numa empresa, numa cidade, e mesmo numa nação; ocorre nas diversas áreas profissionais, políticas, artísticas e mesmo religiosas. Que pena! Perde-se valioso tempo que poderia ser aproveitado para aproveitar ou descartar ideias, se essas fossem analisadas com o critério da imparcialidade e da ética, que respeita o direito de livre expressão. Note-se que as grandes ideias apresentadas à humanidade foram rejeitadas, perseguidas (e, em consequência, com perseguição a seus autores e pessoas que a elas aderiram), combatidas, inclusive a maior delas, que ainda não foi compreendida completamente…

No fundo, porém, esse período de rejeição é até útil, pois que permite o amadurecer das próprias ideias, a maturação junto às mentes que a elas aderem ou às que a elas se opõem. Não há outro jeito: é o preço do amadurecimento. É um processo ainda necessário no mundo que vivemos. Felizmente, em todos os tempos, estamos acompanhados de idealistas corajosos e determinados.

Tais reflexões cabem no momento atual do mundo. Ideias e opositores em todas as áreas de ação humana. Situação bem própria de um planeta em transição, no entrechoque das opiniões. A lei do progresso, todavia, bem descrita por Kardec em O Livro dos Espíritos, é inevitável, e levará ao despertamento dos que ainda dormem e trará alegria verdadeira aos que lutam por um mundo melhor. Por isso, nada de desistir. Coragem e determinação, persistência com o uso da paciência que constrói gradativamente, são os ingredientes dessa luta de conquistas, que amadurece e desperta.



Por Orson Carrara

14 maio 2018

Melhora da Saúde nos Momentos que Antecedem a Morte - Fernando Rossit




MELHORA DA SAÚDE NOS MOMENTOS QUE ANTECEDEM A MORTE 


É comum verificar-se a melhora inesperada no quadro de saúde de doente em estado terminal.


A morte parece inevitável e a aflição toma conta dos familiares.


Subitamente, contrariando todas as previsões médicas, o paciente apresenta uma melhora significativa do seu quadro: abre os olhos, conversa com os amigos, trazendo grande conforto a todos.


Aliviados, os entes queridos se dispersam em busca de merecido descanso, deixando o doente sozinho.


Momentos após, o doente piora repentinamente vindo a desencarnar.


Por que isso acontece?


Por conta da intervenção espiritual, com o objetivo de libertar o moribundo das teias magnéticas criadas pelos parentes que retêm o Espírito ao corpo doente e irrecuperável.


“Curiosamente, ninguém pensa no moribundo. Mesmo os que aceitam a vida além-túmulo multiplicam-se em vigílias e orações, recusando admitir a separação” (1).


O Espírito André Luiz, no livro “Os Mensageiros” (2), apresenta o caso de um Senhor que se encontrava em coma, há vários dias, vítima de uma leucemia. Os familiares encontravam-se em grande aflição porque pressentiam a morte a qualquer momento. Como era uma pessoa querida por todos, os amigos encarnados o envolviam, sem terem consciência do fato, com energias inquietantes, uma verdadeira teia de vibrações que prendiam o Espírito, aumentando o sofrimento do doente.


Os Espíritos responsáveis pela desencarnação daquele homem estavam encontrando dificuldades para concluir seu desligamento do corpo e solicitaram socorro para Aniceto (mentor que André Luiz acompanhava) para neutralizar a ação magnética de retenção criadas pelos amigos e familiares.


Após intervenção magnética de Aniceto, o médico do paciente anuncia que o quadro de saúde estava se alterando inexplicavelmente para melhor, trazendo bastante alívio para todos.


A melhora do doente permitiu que esposa e familiares deixassem o paciente e fossem descansar.


Aproveitando a serenidade do ambiente, Aniceto começou a desprender o corpo espiritual (períspirito) do doente, desligando-o dos despojos físicos. Após o desligamento do último laço fluídico que unia o espírito ao corpo físico, este estremeceu, ocorrendo sua morte.

“Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição. Por isso é frequente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham.


“Semelhantes vibrações dos entes queridos não evitarão a morte. Apenas a retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maior de sofrimentos” (1).


Existe até um ditado popular a respeito do assunto: “Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!” (1)



Fernando Rossit


Bibliografia de apoio:


(1) Quem tem medo da morte? – Richard Simonetti

(2) Os Mensageiros – Chico Xavier/André Luiz

13 maio 2018

Um perfurme de mulher - Orson Peter Carrara



UM PERFUME DE MULHER


Imagine uma amarga infelicidade decorrente de sucessivas desilusões e frustrações agravadas por um acidente que provocou deficiência visual. O desdobramento foi uma postura arrogante, orgulhosa e extremamente agressiva no comportamento.

Esta é a história de um tenente coronel que, já aposentado e muito hábil nos raciocínios, com grande experiência de vida e revoltado com deficiência visual decorrente de um acidente que lhe tirou a visão numa brincadeira irresponsável.

Vivendo isolado na casa da filha, esta contrata um rapaz para fazer-lhe companhia, em virtude de sua ausência para viagem em família. O rapaz, jovem estudante, depara-se com uma situação constrangedora diante da agressividade daquele para quem foi contratado apenas para um fim de semana. O antigo coronel, após saída da filha, impõe uma viagem inesperada junto com o acompanhante. Sua intenção era viver o último fim de semana de sua vida, suicidando-se em seguida, mas interessa-se pelos problemas do rapaz, esquecendo sua amarga infelicidade.

Falo do excelente filme Perfume de Mulher, que recebeu vários prêmios, entre eles o Oscar 1993, recebendo ainda várias indicações.

O melhor do filme está mesmo na defesa que o coronel fez em favor do jovem na tentativa de suborno que sofria na escola. A integridade moral do rapaz impressionou o velho coronel. Estrelado por Al Pacino e Chris O´Donnell e de produção americana, é um filme que não posso deixar de sugerir ao leitor. O título parece distante do conteúdo do filme, mas foi usado porque, sendo cego, o personagem utiliza com expressão o olfato, especialmente na identificação de mulheres à sua volta, pelo perfume que usavam e que descrevia com precisão.

As reflexões que surgem, dentre outras, podem ser enumeradas nas duas principais abaixo enumeradas:
  1. a) Pensando na prepotência e arrogância que ainda nos caracteriza a condição humana, vale lembrar que elas são fruto do orgulho e do egoísmo, geradores de todos os males humanos, entre eles todas as agressividades que imperam na sociedade atual.
  2. b) Pensando na transformação do ser humano para melhor, somos convidados a pensar seriamente no quanto a integridade moral de cada ser humano influi na melhora no mundo, convidando-nos expressivamente à própria melhora moral, substituindo imperfeições por novas virtudes.
Eis a velha questão humana: a extrema necessidade da melhora moral, a partir de nós mesmos. Eis o programa que precisamos todos adotar: libertação física pela moderação dos apetites, libertação intelectual pela conquista da verdade e libertação moral pela procura da virtude. Isto é obra dos séculos. Isto é, porém, perfeitamente viável por meio de uma educação e uma preparação prolongada das faculdades humanas. Considerando nossa realidade imortal, não desprezemos a oportunidade da presente existência e empenhemos todos os esforços, desde já, para sermos melhores. 

Mais acessíveis, mais dóceis, mais flexíveis, mais ousados e corajosos nas boas iniciativas, mais comprometimento com as boas causas humanas, mais decisão na busca do melhor, menos reclamação, menos revolta, menos egoísmo, menos orgulho, menos vaidade, menos apego…

Veja o filme, leitor. Vai te fazer bem e te proporcionará uma boa viagem interior para bem pensarmos no que estamos fazendo de nossas vidas.

E o melhor: te trará a felicidade de pensar como o bem nunca se perde. O bem faz bem!

Na integridade do jovem estudante uma bela lição de vida!

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


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Dirigente da Casa: Jussara Faria

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Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

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PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


12 maio 2018

O vazio existencial da criatura - Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante



O VAZIO EXISTENCIAL DA CRIATURA



“Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. – Bemaventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. – Bemaventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)

A dor não escolhe classe social nem tão pouco nível cultural. Todos que estamos encarnados sofremos, mas a forma como encaramos estes sofrimentos é o que nos diferencia com relação ao aprendizado. A resignação nasce da compreensão desta necessidade. Ela nos dá esperança. É o oposto desânimo. Mas aqueles que nos resignamos precisamos de algo que nos sustente e encontramos na prece o sustentáculo para avançarmos.

Mesmo tendo o amparo amorável da doutrina em nossas vidas, nos deparamos com a melancolia. Item tratado em o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 25. Alguns erroneamente a confundem com a depressão. A melancolia desaparece espontaneamente, é um estado emocional transitório, não interfere na rotina da pessoa e possui causas facilmente identificadas: desilusão amorosa, desencarne de alguém próximo, desemprego, etc. Já a depressão possui vários graus de complexidade, os quais são constantes e diferenciados, interfere no desenvolvimento das tarefas cotidianas, sendo normalmente difícil de identificar o motivo do desânimo e da tristeza.

Os fatores externos existem a nos dificultar os passos. O que não deveremos é aumentar a dificuldade. “O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.” (item 18). Devemos utilizar da inteligência que possuímos para minorar ou até extirpar os sofrimentos, mas não nos sentirmos filhos deserdados do Pai se não logramos êxito.

“O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta.” (item 18). Não podemos buscar o repouso indevido. Antes de reencarnarmos temos o conhecimento do gênero de provas que viveremos, constituindo-se nisso o nosso livre-arbítrio (questão 258 de O Livro dos Espíritos). Então não podemos culpar a Deus ou as Leis de nossas escolhas. Antes deveremos nos felicitar, de como o militar, sermos colocados a prova e avançarmos em entendimento e nos burilarmos moralmente.

Sabemos que as particularidades reservam-se ao desenrolar dos fatos. Até por isso, muitas das vicissitudes pelas quais passamos decorrem da nossa incúria (questão 258, “a”). Nada ocorre sem a permissão de Deus, mas Ele nos deixa livres, semelhantes ao preso que encarcerado pode fazer suas escolhas, mas deve arcar com as consequências. Estamos “encarcerados” no corpo de carne, submetidos às Leis Divinas e podemos, através do livre arbítrio, escolher que caminhos queremos seguir, mas colheremos os frutos de nossas escolhas.

Com relação à melancolia, ela se instala também, porque como crianças imaturas, queremos a ratificação de quem convive conosco que estamos mudando e quando isto não ocorre, ficamos tristes. Poderemos comparar como um iceberg. Boa parte dele está invisível aos olhos, ficando somente sua ponta exposta. Os outros não nos percebem a mudança, porque, talvez, não nos enxergam e porque muitos de nossos vícios estão escondidos. Alguns, de nós mesmo, não o reconhecemos como vícios ou se os reconhecemos, damos vasão sem a presença dos outros.

“Ninguém está a sós na sua dor. Melancolia é também enfermidade ou síndrome de obsessão… Olhos vigilantes contemplam tua aflição; ouvidos discretos registam os apelos da tua soledade. Há muitos que, acompanhados, caminham em indescritível solidão e há solitários que, seguindo, recebem a contribuição de acompanhantes afervorados.” (Livro Joanna de Ângelis responde, questão 29). Não estamos sozinhos na nossa dor porque outros também padecem do mesmo sofrimento que ora estejamos passando e porque amigos queridos, encarnado e/ou desencarnados velam por nós. Por vezes, nos encontramos no meio de um grupo e nos sentimos sozinhos; em outros momentos estamos a sós, mas não nos sentimentos solitários.

A Doutrina Espírita nos provoca esse sentimento de nunca estar sozinhos porque temos a ela como companhia. Todo aquele que sinceramente busca amparo na Doutrina encontra. São suas páginas alentadoras de O Evangelho Segundo o Espiritismo ou nas respostas precisas de O Livro dos Espíritos, ou nas outras obras da codificação. Nunca estamos solitários na marcha ascensional do progresso. Ás vezes, não conseguimos encontrar o correspondente equivalente de pensamento na caminhada terrestre, mas isto não significa que olhos amorosos não velem por nós.

O vazio existencial que por vezes nos visita a mente constitui-se numa adequação entre o que somos e o que buscamos ser. Quando a perfeita adequação se faz encontramos forças para prosseguir, tendo os passos firmes e os olhos voltados para o porvir, na certeza que estamos caminhando e neste processo de projeção segura para frente estamos avançando de forma precisa e segura ruma a perfeição moral.


Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante
Jornal O Clarim – julho de 2016

11 maio 2018

Aprendendo a pensar - Octávio Caúmo Serrano



APRENDENDO A PENSAR


Diferente do que ocorre com os bichos que se orientam pelo instinto, apesar de que haja indícios de uma inteligência rudimentar que também nalguns deles se desenvolve, nós somos dotados de razão. O animal geralmente se orienta por experiência já vividas, como comprovou Pavlov, enquanto nós somos capazes de criar conceitos pela manipulação das ideias, sempre buscando seguir uma lógica com resquícios de bom senso.

Convém saber que a terceira lei de Newton que diz que “a toda ação corresponde uma reação, igual e contraria da mesma intensidade” e que está claramente comprovada no campo material, se estende e se amplia no terreno da mente e dos planos extra físicos. Daí, somos o resultado dos nossos pensamentos e das nossas atitudes. O que fazemos colhemos. De bem ou de mal. Somos o que pensamos porque é daí que nascem os esboços para as nossas ações. O pensamento é matéria e tem força criativa. É, inclusive, o indício de que há vida, se fundar-nos na expressão de Descartes “cogito, ergo sum”; penso, logo sou.

A grande culpada do sofrimento humano é a recusa que o homem tem de pensar. Incomoda-o conhecer a verdade porque será obrigado a segui-la ou, pelo menos, leva-la em consideração ao ter de decidir sobre sua vida. Prefere entregar sua sorte a terceiros (ao governo, ao padre, ao pastor, ao patrão, ao presidente do centro espírita) a lutar por si mesmo e raciocinar com bom senso sobre a sua vida; o bem mais precioso entre todas as suas heranças. Se pode pagar ao templo para que sua salvação seja conseguida, preferirá este caminho a ter de se submeter a um esforço de reforma moral. 

Por que só ele deverá modificar-se se há toda uma sociedade que faz o caminho inverso e consegue sucesso? Por que ser decente, honesto, em uma conjunção corrupta em que a maioria se dá bem?

Acontece que a quem muito é dado muito será cobrado. Quer dizer, “conhecereis a verdade e ela vos fará livres”, como ensinou Jesus. Uma vez tendo acesso ao conhecimento, ignorá-lo é covardia e querer fugir do óbvio e da razão com desculpa inaceitável. Desejar merecer as honras do céu mediante doações ou sacrifícios pessoais de autoflagelos sem aproveitamento é uma das facetas que retratam a ignorância humana. Se imaginam comprar a felicidade com dinheiro, marginalizando os que não têm recursos, demonstram ignorância e pretensão. Se assim fosse, os pobres estariam condenados ao inferno simplesmente por sua condição social. Mas nunca indagam por que há ricos e pobres. Letrados e analfabetos. Inteligentes e idiotas. Saudáveis e doentes. Velhos e moços. 

Religiosos e ateus. Patrões e empregados. Honestos e desonestos. Pesquisar a razão dessas diferenças, só é possível aos que aceitam a lei da reencarnação e sabe que vivemos hoje as consequências do ontem. Que colhemos agora a lavoura que plantamos. Que somos donos da herança que produzimos em outra vida e da qual somos o único herdeiro.

O esperto de hoje é o tolo de amanhã; o malandro de agora é o otário do futuro. Quem semeou ventos vai colher tempestade, diz o adágio popular. A qualquer um podemos dar o direito de equivocar-se neste aspecto. Mas nunca poderemos dar esse mesmo direito ao praticante espírita que já conhece pelo menos o básico. Querer comerciar com Deus é o maior equivoco que o homem pode cometer. Quem se recusar a pensar porque prefere o comodismo pagará alto preço pela sua incúria. Só que nunca poderá dizer que não sabia. A vida cobra até o último centavo.

Octávio Caúmo Serrano
Jornal O Clarim – maio de 2018

10 maio 2018

Silêncio - Divaldo P.Franco


 SILÊNCIO

Num memorável discurso, pronunciado pelo Bispo de Recife e Olinda, Dom Hélder Câmara, em San Michel, em Paris, referiu-se com muita sabedoria e coragem que Mohandas Gandhi costumava dizer que “ele falava pelo povo sofrido do seu querido país. Ele, no entanto, fazia silêncio para que o povo pudesse falar”, expressando suas dores e a lamentável situação de miséria em que vivia.

O silêncio pode representar várias posturas comportamentais das criaturas humanas.

Em determinado momento significa muita coragem para poder suportar situações calamitosas, evitando torná-las piores; noutras situações pode expressar sabedoria para aguardar o momento adequado, quando poderá enunciar conceitos libertadores, falando por aqueles que se encontram amordaçados por impositivos perversos. Invariavelmente, porém, trata-se de postura covarde para não desagradar impostores, governos arbitrários, mantendo anuência com ações infelizes, pensando apenas nos interesses pessoais…

Vivemos, no mundo moderno, momentos muito graves, diante dos quais o silêncio dos justos e dos que pensam transforma-se em covardia moral, porque os seus portadores que poderiam contribuir para uma situação melhor, tendo medo de perder as migalhas vergonhosas ou usufruir do benefício das barganhas degradantes, terminam por minar as resistências dos mais fracos e submetê-los na sua ignorância a mais demorado cativeiro.

Proliferam em toda parte a decadência dos valores éticos, a prosperidade dos astutos e corruptos que desfrutam de cidadania e de popularidade como benfeitores dos humildes e humilhados, as expressões da degradação humana, os espetáculos assustadores da violência, o horror da miséria moral, econômica e social, ante a desfaçatez dos gozadores de ocasião, que os desprezam sem qualquer disfarce.

Homens e mulheres de bem que deveriam contribuir para que a situação se modificasse para melhor, não o fazem, mantêm-se silenciosos.


É comum ouvir-se dizer, repetindo o covarde Pilatos em referências a Jesus no Seu arbitrário julgamento, “que lavam as mãos”, mas não escaparam certamente da consciência ultrajada.

A coragem dos sofredores representa o poder de Deus no imo de cada ser, significando os divinos códigos do amor, da justiça, da solidariedade.

Uma sociedade que se olvida dos seus membros mais fracos, não é digna de subsistir, qual aconteceu com as grandes Nações do passado que edificaram sua glória e grandeza através da sórdida escravidão, da crueldade e dos privilégios de alguns em detrimento dos outros. Cuidado, pois, com o seu silêncio, que pode ser responsável pelo sofrimento de milhões de vidas.

Este é o nosso momento de construir o futuro.


Artigo de Divaldo Franco
Publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 11/01/2018