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20 abril 2018

O que devemos entender por “mente”? - Ricardo Baesso de Oliveira



 O QUE DEVEMOS ENTENDER POR "MENTE"?


Alguns termos amplamente utilizados em nossos dias tinham à época de Kardec uso mais restrito e, às vezes, um significado um pouco diferente.

O vocábulo psicologia é um desses termos: possui hoje uma conotação diferente do que possuía à época de Kardec.

A psicologia era entendida, então, como a ciência da alma - alma como ser, inteligência que comanda o corpo, independentemente da crença em sua sobrevivência. A psicologia como o estudo dos fenômenos psíquicos e de comportamento do ser humano, por intermédio da análise de suas emoções, suas ideias e seus valores, inexistia àquela época.

O primeiro laboratório psicológico foi fundado pelo fisiólogo alemão Wilhelm Wundt em 1879, após a desencarnação de nosso codificador.

Kardec não usou o vocábulo psíquico, amplamente utilizado em nossos dias, e provavelmente inexistente à época, e empregou os termos mente e mental como sinônimo de pensamento (o que ainda ocorre em nossos dias).

Os dicionários colocam como conceitos equivalentes a mente: parte incorpórea, inteligente ou sensível do ser humano; espírito, pensamento, entendimento, o desenvolvimento intelectual, a faculdade intelectiva; inteligência, mentalidade.

Nós, espíritas, recusamos a proposta dos materialistas que colocam a mente como resultado do funcionamento do cérebro, e admitimos que todo fenômeno psicológico é de natureza espiritual.

Mas, afinal, em que consiste a mente? Muitos de nós temos colocado mente e Espírito como sendo a mesma coisa. Será que podemos considerar Espírito e mente como sinônimos?

Uma definição recente de mente é essa: um fluxo de experiências subjetivas, constituídas de sensações, emoções e pensamentos[i]. Experiências subjetivas são aquelas que pertencem ao sujeito pensante e a seu íntimo. São, portanto, experiências pertinentes e características de um indivíduo; individuais, pessoais, particulares: os pensamentos, sentimentos, desejos, inclinações, sonhos etc.

O pensamento kardequiano define os Espíritos como os seres inteligentes da criação [ii]. É certo que a mente é algo intimamente relacionado ao Espírito, imaterial, não física, preexistente e sobrevivente ao corpo, tal como o Espírito. Mas deve ser feita uma distinção entre mente e Espírito.

Talvez fosse melhor considerarmos a mente (um fluxo de experiências) como uma propriedade do Espírito, porque o Espírito é mais do que um fluxo de experiências, é um SER, tem substância, identidade, existência própria, uma individualidade.

O Espírito é ser, é essência; já a mente é um processo. A mente não tem essência, tem existência. Existe a partir do Espírito, sendo um atributo deste. Valendo-nos de palavras do professor Nubor Facure, podemos dizer que a mente é o produto de uma atividade metafísica que instrumentaliza o cérebro a partir do livre-arbítrio do Espírito.[iii]

André Luiz apresenta a mente como um núcleo de forças inteligentes,[iv]fonte de uma força desconhecida – a energia mental. Através dessa energia exteriorizamos o que somos e agimos uns sobre os outros, pelos fios invisíveis do pensamento.

Apresenta ainda o conceito de corpo mental [v], como sendo o envoltório sutil da mente, atribuindo a ele a formação do corpo espiritual (perispírito).

Emmanuel, na mesma linha de pensamento de André, compara a mente humana — espelho vivo da consciência lúcida — a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço. Segundo ele, na mente possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estímulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma. Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade. A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.[vi]

Examinando as relações mente/cérebro, coloca André Luiz, de forma metafórica, que o cérebro é o maravilhoso ninho da mente.[vii]O pensamento desse autor evoca a ideia de que o Espírito se vale das experiências reencarnatórias para aprimorar-se a si mesmo, e a mente, acolhida pelo cérebro, em contato íntimo com ele, vai expandir suas possibilidades.

Fora do contexto físico do cérebro, a mente pode dispor de recursos ou usar de estratégias que sobrepujam toda a fisiologia cerebral, mas, enquanto contida nessa máquina de neurônios, ela é limitada pelos recursos que esses neurônios podem oferecer. Em outras palavras, a mente se vale da ação coerciva do cérebro para aprender paulatinamente a se libertar dele, liberando-se das experiências reencarnatórias.

À medida que o Espírito avança evolutivamente, suas habilidades mentais se expandem, ou seja, a mente, como seu atributo, se capacita de recursos maiores, tanto sobre o aspecto intelectual como sobre o aspecto moral e ele se distancia da precisão da corporeidade.

Concluindo, talvez pudéssemos colocar assim:

1- nós, seres espirituais, possuímos uma mente – um atributo do Espírito -, onde se expressam nossas ideias, sonhos, projetos, pensamentos e sentimentos;

2- a mente constitui-se de um núcleo de forças inteligentes, envolvidas por um sutil envoltório (corpo mental). Dela partem as ondas mentais que retratam a nossa condição evolutiva e nos ligam a todos aqueles que sintonizam conosco;

3- na corporeidade, a mente se identifica com o cérebro e intelectualiza a matéria, alimentando as células;

4- nossa mente vem evoluindo conosco, através das experiências na dimensão espiritual e na dimensão física, e, tal como nós, partiu do simples em direção ao complexo, da ignorância em direção do saber, atendendo ao princípio da perfectibilidade ínsito em cada um de nós.

Ricardo Baesso de Oliveira

Referências:

[i] Homo deus, Yuval Harari.

[ii] O Livro dos Espíritos, item 76.

[iii] Muito além dos neurônios, Nubor Facure.

[iv] Nos domínios da mediunidade, cap. 1.

[v] Evolução em dois mundos, parte I, cap. II.

[vi] Pensamento e vida, cap. II, Emmanuel.

[vii] Evolução em dois mundos, parte I, cap. IX.


19 abril 2018

Ser pacífico e não passivo - Rodinei Moura



SER PACÍFICO E NÃO PASSIVO


Na questão 932 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta ao Espírito de Verdade: "Por que, tão frequentemente, na Terra, os maus sobrepujam os bons? Resposta: Por fraqueza destes. Os maus são audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes quiserem, preponderarão.

O líder pacifista que libertou a Índia da poderosa Inglaterra e que se tornou um exemplo admirado pelo mundo todo, Mahatma Gandhi, disse certa vez que é muito diferente ser pacífico de ser passivo.

É que é a primeira conduta que o mundo precisa, mas com muita atividade no bem. E na questão 642 desta obra básica do Espiritismo, já citada, Allan Kardec interroga a Espiritualidade da seguinte forma: "Para agradar a Deus e garantir uma boa posição futura bastará não fazer o mal? Resposta: Não, é preciso fazer o bem no limite das forças. Porque cada um responderá por todo o mal que resulte de não ter praticado o bem".

Ou seja, todas as habilidades que temos e que poderiam tornar o mundo um lugar melhor, mas que não usamos, servirão apenas para nosso desequilíbrio espiritual. Toda oportunidade que temos de útil, mas que não a fazemos, no nosso dia a dia, nas pequenas coisas, será motivo para que nossa consciência solicite aos nossos mentores uma nova oportunidade de reencarnação para que possamos fazer o que temos que fazer e que, por descuido, deixamos passar em branco.

O mundo em que vivemos, seja no micro ou no macrocosmo, seja em nossa família ou no trabalho, em nossa cidade ou em nosso país, é o reflexo dos seus habitantes, ou seja, do grau de evolução de cada um de nós.

Será que temos nos esforçado para contribuir para a melhoria destes lugares? Será que tentamos fazer um ambiente de trabalho melhor? Um lar melhor? Ou apenas reclamamos de tudo e de todos, tornando-nos desta forma um canal de propagação de revolta, de fofocas, enfim, das trevas. Será que compreendemos que o silêncio muitas vezes é uma grandiosa atividade no Bem? Ou uma palavra firme diante de uma injustiça, mas precedida sempre de uma oração, pedindo a Jesus que nos ilumine no agir e falar, para que prevaleça sempre a concórdia, acima das nossas paixões? Será que entendemos a importância de agir com simplicidade, exemplificando que somos todos irmãos, todos iguais perante o amor divino? Ou ainda usamos teorias mascaradas por trechos do evangelho, escolhidos segundo nossa conveniência, para nos abstermos de vencer o nosso orgulho? Será que entendemos que as pessoas se inspiram em nossas atitudes para o bem ou para o mal?

Será que o nosso agir tem sido desinteressado, como quem faz sua pequena parte, ciente da sua importância, mas confiante naquele que está no leme da embarcação, nas Leis Divinas e infalíveis? Ou agimos e deixamos de agir quando bem entendemos, julgando que somos Espíritos iluminados e incompreendidos, denotando, assim, apenas estarmos fascinados?V Sigamos confiantes em Jesus, refletindo incansavelmente e buscando a incessante transformação moral, para que os Espíritos trabalhadores do mestre encontrem em nós um instrumento lúcido e fiel, sem a ilusão da grandeza espiritual que não temos, e sem esperar privilégios que não fazem parte da legislação divina, e, ao contrário, dando o exemplo silencioso, porém ativo, de nossa resignação.

Rodinei Moura

18 abril 2018

Algumas reflexões sobre a morte e o luto - Claudia Gelernter



ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A MORTE E LUTO


A tendência à banalização da morte e do morrer é uma triste realidade que pode ser verificada em todos os meios de comunicação.

Nos cinemas, na TV, nos jornais, o destaque surge para o morrer como espetáculo, num desfilar de desgraças que não nos fazem refletir sobre o fato em si.

Além disto, o mundo científico e tecnológico, os avanços da pós-modernidade, com seu apelo de consumo e poder (com afrouxamento e fluidez nos laços entre as pessoas), trouxe grandes avanços para a humanidade, mas, como consequência, uma dura realidade se revela: não há lugar para as expressões de sofrimento, dor e morte. Esta realidade é visível nos grandes centros urbanos, onde os ritos e espaços que possibilitam a integração e a reflexão sobre a morte são pouco valorizados.

Como resultado, temos uma “inércia filosófica”. Não nos permitimos pensar na morte e, com isso, não pensamos em nosso modo de viver. Ficamos fixados nas atividades do cotidiano, levando cada dia como se a nossa própria finitude não fosse a única certeza na vida.

Entrar em contato com a morte nos obriga a encontrar um sentido para a vida, mas também nos leva a buscar o da própria morte...

A não aceitação da morte e do morrer acaba por embotar a elaboração do luto, a aceitação do fato, a reconstrução dos significados. Passa-se do fato morte para outros fatos, sem que se reflita sobre ele, desperdiçando, portanto, valiosas oportunidades de aprendizado. Evita-se falar sobre ela, como se este silêncio a mantivesse distante de nós...

A pesquisadora Maria Cristina Mariante Guarnieri, em sua tese de Mestrado intitulada Morte no Corpo, Vida No Espírito – O Processo de Luto na Prática Espírita da Psicografia, afirma que “No Ocidente tem predominado a ideia de morte como algo absurdo, insensato e como forma de punição. Fruto da secularização, o enfrentamento da dor, do sofrimento e da morte tem se transformado intensamente, caminhando para um distanciamento e para uma negação a tudo o que se opõe à felicidade, à realização e à eficiência”. (GUARNIERI, 2001)

Para nós, Espíritas, o morrer nada mais é que uma passagem. E esta passagem, este momento, pode ser mais ou menos difícil, dependendo, sobretudo, do Espírito desencarnante.

Almas que se dedicaram ao bem, vivendo em harmonia, com desprendimento e confiança na dinâmica da vida, podem desprender-se com maior facilidade de seus corpos, embora saibamos que, enquanto residentes deste planeta de provas e expiações, o período de perturbação do Espírito varia, mas é presente na maior parte das experiências do morrer do corpo e consequente desprender da alma.

Espíritos especialistas no desencarne nos visitam na intenção de prestarem auxílio neste difícil processo. O desligamento dos nossos liames exige técnicas específicas e harmonia na tarefa.

Porém, o que comumente vemos nos velórios? Grupos de pessoas com os mais variados comportamentos:

* Choros convulsivos;

* Anedotas, conversas maliciosas, por vezes sobre o próprio morto, descambando à maledicência;

* Conversas sobre política, economia, moda etc.

Raros se dedicam à formulação de oração de auxílio, preces dedicadas ao Espírito e aos benfeitores que atuam neste momento, auxiliando no sagrado processo de desenlace.

Leituras edificantes e músicas inspiradoras são tão raras quanto os que mantêm em posição de respeito e moderação...

Certo é que, se dependesse apenas da emanação positiva da maior parte dos encarnados no velório, o Espírito se manteria atado ao corpo, talvez para sempre...

No livro Cartas e Crônicas, Humberto de Campos nos traz uma interessante carta escrita por um desencarnado que, para seu azar, morreu no dia de finados.

Conta ele que, na hora de se despedir dos parentes, viu-se às voltas com inúmeros desencarnados que se achegavam ao cemitério, sedentos de cobranças, picuinhas, lutas de família, reclamando cuidados, vinganças etc. O pobre coitado tentava em vão se achegar aos seus. Os que se reuniam em torno do enterro em nada lhe ajudavam.

Ditou que deveríamos orar fervorosamente para jamais desencarnarmos em dia de finados, tamanha a bagunça que se dá nos cemitérios, e que se peça que, de preferência, seja qual for o dia do desenlace, que chova torrencialmente, pois quanto menor o número de pessoas no séquito, melhor!

Isso porque, infelizmente, o padrão mental dos que ali estão em nada ou quase nada contribui na obtenção de equilíbrio do Espírito e de seus familiares.

Um terceiro aspecto a se pensar sobre perdas é o fato de que o luto pode ocorrer não apenas com a morte de alguém significativo, mas com a perda de algo caro ao coração.

Jesus, no maravilhoso Sermão da Montanha, afirmou-nos que onde colocamos nosso tesouro, ali estará nosso coração. Grande verdade e que tem tudo a ver com o luto daqueles que partem: Se colocamos nosso olhar, nossas expectativas nos bens materiais, certamente o luto que experimentaremos com a perda destes bens será de difícil solução. E já que não sabemos o dia da nossa morte, importante nos desapegarmos, o quanto antes...

Viver na Terra usando a matéria não significa escravizar-se, tampouco esbanjar. Equilíbrio nas relações com os bens é sempre o melhor caminho.

O mesmo vale para com as pessoas...

Certamente levaremos nossos sentimentos para o além-túmulo, mas precisamos saber que ninguém nos pertence e não pertencemos a ninguém. Talvez tenhamos de ficar por longo período distanciados daqueles a quem amamos, sem, contudo, deixarmos de nutrir por eles o nosso mais sincero sentimento fraterno.

O Divino Mestre nos alerta para que ajuntemos tesouros no Céu...

Quando nos dedicamos ao entendimento das coisas do “outro mundo”, nossa fé se fortalece, a certeza da bondade Divina nos auxilia a passar pela experiência da separação transitória mais equilibrados.

Certo é que sentiremos saudades...

Afinal, como certa vez disse uma criança que estava prestes a partir deste mundo por conta de uma doença grave, “saudade é o amor que fica...”

Mas saberemos aguardar a vontade do Pai, pois teremos a certeza de que, no devido tempo, todos nos reuniremos para festejar a vitória do verdadeiro amor.

Referências:

Kardec, A. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 3. ed. francesa rev., corrig. e modif. pelo autor em 1866. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

Guarnieri, M. C. M. Morte no corpo, vida no Espírito: o processo de luto na prática espírita da psicografia. [Dissertação] [Periódico na Internet]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; 2001.V XAVIER, F. C. Cartas e crônicas. Pelo Espírito Irmão X [Humberto de Campos]. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991.

Claudia Gelernter

17 abril 2018

Das Trevas da Idolatria às Luzes da Espiritualidade - Rogério Coelho



TREVAS DA IDOLATRIA ÀS LUZES DA ESPIRITUALIDADE


“Jesus Se chamava a Si mesmo de Semeador, porque conhecia o lento processo da semeadura e da germinação das idéias”. – Herculano Pires

Existe uma unanimidade em todas as ciências que estudam o homem e tudo o que se liga ao seu desenvolvimento: é a noção de que ele parte das formas inferiores da animalidade, até alcançar os níveis superiores da inteligência.

Tal a interpretação que se pode depreender da psicologia, da biologia, da sociologia, da história, da antropologia, da arqueologia e da paleontologia. E onde todas essas ciências param, o Espiritismo desvela mais à frente o ainda imensurável panorama espiritual cujos acumes ainda nem de longe sonhamos perceber em toda sua pujança e extensão!… (Jesus se referiu a esse horizonte quando disse que lá teríamos Vida, mas Vida Abundante).

Os diversos patamares evolutivos que albergaram a Humanidade desde as mais prístinas eras são conhecidos entre os estudiosos do assunto como “horizontes”. O primeiro patamar evolutivo é conhecido como “horizonte agrário”, que se iniciou nos tempos que marcaram o início dos primeiros conglomerados tribais, quando o homem inicia seu estágio sedentário, depois de longo período de vida nômade. Seguiram-se os seguintes níveis: “Horizonte Civilizado”, “Horizonte Profético” e finalmente o “Horizonte Espiritual”.

Foi o próprio Cristo, com os pés plantados no “Horizonte Profético” Quem profetizou o advento do “Horizonte Espiritual”. Podemos flagrar tal profecia no transcorrer do diálogo estabelecido entre Ele e a mulher samaritana, à beira do Poço de Jacó, ao dizer-lhe que estavam próximos os tempos em que deveriam aparecer os verdadeiros adoradores do Pai que O adorariam em espírito e verdade e não mais em templos de pedra. Foi o golpe mortal que Ele deu para começar a demolição do carunchoso e inútil edifício da idolatria.

Nesse passo, vamos acompanhar o lúcido raciocínio de Herculano Pires (*1):

“(…) Jesus assinala o aparecimento do “Horizonte Espiritual”, marcando o início de um novo ciclo histórico no Ocidente. Com o Seu ensino , amplamente divulgado e aceito, as grandes concepções do passado, limitadas a pequenos círculos de iniciados ou eleitos, modelam uma nova mentalidade coletiva. O Deus-Pai de Jesus transcende o Deus-Familiar de Abraão, Isaac e Jacó e supera a natureza tutelar dessa concepção judaica. Por isso, o Deus evangélico não é guerreiro, mas amoroso e justo; não faz discriminações, não exige culto externo, não quer intermediários. Como Pai Universal, o antigo Javé tribal atinge dimensões cósmicas, é o Deus dos homens e dos anjos, da terra e das “outras moradas” que existem no Infinito.

Paulo, que exemplifica o drama da transição da consciência judaica para a cristã, adverte que Deus não deseja cultos externos, semelhantes aos dedicados às divindades pagãs, mas “um culto racional”, em que o sacrifício não será mais de plantas ou animais, mas da animalidade, ou seja, do ego inferior do homem.

A religião se depura dos resíduos tribais, despe-se dos ritos agrários e da complexidade que esses ritos adquiriram no “Horizonte Civilizado”. Torna-se espiritual. Os próprios apóstolos do Cristo não compreendem de pronto essa transição. Pedro chefia o movimento que Paulo chamou “judaizante”, tendendo a fazer do Cristianismo uma nova seita judaica. Mas Paulo é a flama que mantém o ideal do Cristo. Inteligente e culto, é um dos poucos homens capazes de compreender a nova hora que surge, e por isso o Cristo o retira das hostes judaicas, para colocá-lo à frente do movimento cristão.

A religião espiritual, desprovida de culto externo, iluminada pela razão, individualiza-se. O cristão não precisa do sacramento de um sacerdote, do beneplácito de uma igreja, mas tão-somente da pureza de sua própria consciência. O rito do batismo que Pedro exige dos novos adeptos, juntamente com a circuncisão, repugna Paulo, que o substitui pelo “batismo do espírito”, ou seja, a elucidação evangélica, seguida do desenvolvimento mediúnico. O mediunismo profético se generaliza, porque “o espírito se derrama sobre toda a carne”, e a fé iluminada pela razão, deixa o terreno primário da crença, para elevar-se ao da convicção, através do conhecimento direto da realidade espiritual, tão clara e positiva quanto a material. A mediunidade desenvolvida encoraja os apóstolos, que se mantêm em contato com as forças espirituais, para poderem enfrentar o poder temporal. Os mártires, os santos e os sábios encherão o mundo de espanto, com as luzes de uma nova e vigorosa concepção da Vida, que eleva o homem acima de si mesmo.

É evidente que tudo isso não se realiza de um dia para o outro, mas através de um lento processo de evolução social, econômica, cultural e espiritual. Jesus Se chamava a Si mesmo de semeador, porque conhecia o lento processo da semeadura e germinação das idéias. Sabia, também, que os princípios da Sua doutrina, do Seu ensino, teriam de sofrer as deformações naturais desse processo. Por isso anuncia, como vemos no Evangelho de João, a Vida do Consolador, do Paráclito, do Espírito de Verdade, incumbido de restabelecer a pureza da seara, separando o joio do trigo. O horizonte espiritual se abre em espirais crescentes sobre o mundo: primeiro, num círculo restrito de apóstolos e adeptos, oferece o modelo de uma nova ordem; depois, espalha-se pela terra, modificando as consciências, mas comprometendo-se com os elementos da velha ordem; por fim, domina o mundo, mas impregnado das heranças mitológicas; e só consegue romper as perspectivas apocalípticas de “um novo Céu e uma nova Terra”, através da Reforma e do Espiritismo.

Quando os homens atingiram o nível necessário de conhecimentos, para voltarem à verdadeira concepção cristã, tornando-se capazes de compreender o que o Cristo havia ensinado e o que não pudera ensinar na Sua época, segundo as Suas próprias palavras, então a revolta sacudiu a Igreja e o Espírito derramou-se fartamente sobre toda a carne. Lutero encarnou a luta contra o paganismo idólatra que invadira, como terrível joio, a seara cristã. Combateu corajosamente o comércio de indulgências. Reclamou e impôs a volta a Cristo e aos textos esquecidos do Seu Evangelho. Mas depois de Lutero viria o Espírito da Verdade, para impor o retorno não somente à letra, aos textos, e sim ao próprio espírito do Evangelho, à essência espiritual do Cristianismo. E Kardec iniciaria o grande movimento doutrinário de restabelecimento do ensino de Jesus, sob a égide da Falange do Espírito da Verdade.

É por isso que vemos, na propagação do Espiritismo, repetirem-se os milagres da fé e da coragem dos cristãos primitivos. Completa-se, com a era do Consolador, o ciclo espiritual iniciado há dois mil anos, pelo próprio Cristo. Os mártires se entregavam às chamas e às feras, porque sabiam existir uma realidade supraterrena, e não por apenas crerem nessa realidade. Entre os Espíritas veremos a mesma coisa. O escritor inglês Denis Bradley conclui o seu livro, “Rumo às Estrelas”, declarando peremptoriamente: “Eu não creio. Eu sei”. É essa convicção poderosa, resultante do desenvolvimento da mediunidade positiva, que faz o movimento espírita enfrentar todas as forças organizadas do mundo, desde o púlpito até à cátedra, para sustentar uma nova concepção da Vida e do mundo.

Kardec explica, em “A Gênese”, capítulo primeiro, por que o Espiritismo só poderia surgir em meados do século dezenove, depois da longa fermentação dos princípios cristãos da Idade Média e do desenvolvimento das ciências na Renascença. Escreveu ele: “O Espiritismo, tendo por objeto o estudo dos elementos constitutivos do Universo, toca forçosamente na maioria das ciências. Só poderia, pois, aparecer, depois da elaboração delas. Nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade de tudo explicar-se apenas pela lei da matéria”.

Como se vê, da conjugação dos elementos materiais e espirituais, em evolução simultânea, resulta o clima que permite ao mundo atingir a plenitude do “Horizonte Espiritual”, onde a mediunidade positiva se torna a fonte de esclarecimento e orientação dos problemas do espírito. Graças a ela, o homem se emancipa da tutela dos ritos e cultos primários”.

*1 – Herculano Pires “O Espírito e o Tempo” – Capítulo V, item 4 – Edicel (Publicado no Boletim GEAE Número 393 de 13 de junho de 2000)

Rogério Coelho

16 abril 2018

Além da Morte - Emmanuel



ALÉM DA MORTE


A morte arquiva os serviços inacabados das criaturas humanas?

No mundo, a morte parece uma estação de problemas insolvíveis, arquivando serviços inacabados. Entretanto, isso é apenas aparência.

As consequências dos crimes obscuros dos homens terminam com a morte?

Dramas passionais, crimes que não foram investigados pelos juízes humanos, tragédias íntimas e assaltos na sombra, cujos protagonistas sabemos identificar por vítimas e carrascos, não desaparecem no silêncio do túmulo, porque a vida prossegue, além da morte, desdobrando causas e consequências.

O Princícipio de causa e efeito funciona além da morte?

O princípio de causa e efeito tanto funciona na existência humana, quanto além dos implementos físicos perecíveis.

Para onde nos conduz a morte?

Porque nós outros, seres humanos, encarnados e desencarnados, somos ainda discípulos imperfeitos e inexperientes da vida, a morte não nos impele, em definitivo, às esferas superiores e nem nos rebaixa, indefinidamente, a círculos degradantes.

Para as criaturas humanas, o que significa a vida terrestre?

Considera-nos a Lei Divina por inteligências juvenis, sob o patrocínio da escola, concedendo-nos, na vida terrestre, o mais alto campo edificante e reeducativo.


Pelo Espírito Emmanuel (Francisco Cândido Xavier)
Livro: Leis de Amor
Psicografia de Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira


15 abril 2018

A importância dos relacionamentos - Adriana Machado


A IMPORTÂNCIA DOS RELACIONAMENTOS


Somos seres que vivemos na coletividade. Isso é tão importante para nós que somos influenciados por uma lei divina e natural chamada Lei da Sociedade, cujo objetivo é vivermos em comunidade para aprendermos no coletivo e, para isso, Deus nos concedeu as faculdades necessárias ao relacionamento.

Sabemos que existem pessoas que querem ficar sozinhas, ou escolhem uma vida de reclusão e, a princípio, poderíamos dizer que elas estariam contrárias ao estado natural do ser humano. Bem, apesar de O livro dos Espíritos [1] afirmar que querer viver só é um estado de egoísmo, também nos mostra que existem exceções à regra, quando a escolha daquele que se isola tem uma conotação meritória, como por exemplo, fugir do mundo para se devotar ao alívio dos sofredores.

Mas, veja que gostar de estar só é muito diferente de querer estar só. O primeiro pode englobar o segundo, mas, a recíproca não é verdadeira. O primeiro se dá quando você gosta de estar consigo mesmo, de curtir a sua presença. É se autoconhecer. E isso é muito bom porque tal estado não nos impede de curtir a presença dos demais. Já o segundo, pode conotar vários estados de espírito em desalinho associados a um medo não flagrado pelo seu detentor.

Vimos que, para que estejamos indo de encontro ao um estado natural, precisamos ter alguma base racional ou emocional para isso. Vocês poderiam estar pensando no caso em que alguém faz uma opção reencarnatória para viver na reclusão buscando valorizar as companhias que, até então, nunca as tinha apreciado. Sim, esses casos existem, e podem ter certeza que tal experiência marcará essa pessoa, mesmo resignada, diante de sua escolha como toda e qualquer escolha que nos faça mudar as crenças que tínhamos até então. Mas, deixando as exceções e comentando sobre os casos em geral, precisamos estar atentos aos nossos comportamentos, como também aos dos nossos amores, porque estando (ou sendo) nós (ou eles) muito sozinhos, tal postura pode estar sendo alimentada, por exemplo (e não se surpreendam!), pelo objetivo incessante de querermos agradar aos outros.

É certo que vivemos hoje um momento em que a sociedade exige TUDO de nós. Saímos do Oito e fomos para o Oitenta num salto. Estamos vivendo num oceano de cobranças que, vez por outra, suas águas nos afogam. As pessoas estão se sentindo tão cobradas que, por ação reflexa, cobram de si e dos outros também, e o ciclo vicioso se instala. Diante desta realidade, muitos não estão conseguindo enfrentar suas frustrações, por não saberem que tais exigências são irreais, inconcebíveis, impraticáveis, inatendíveis. Se soubessem, reagiriam diferente, não dando margem à adoecerem, abandonarem seus sonhos e suas vidas.

Como não conseguimos atender a todas as nossas expectativas ou daqueles que nos circundam, podemos nos sentir incapazes e, por consequência, fugirmos de suas companhias para não sofrermos com as nossas decepções. “Antes só do que mal acompanhado”, se pensamos ou sentimos que ele estaria nos fazendo sofrer. O problema é que se estamos fugindo dos outros, não estaremos em paz, e isso nos leva a uma vida sem sentido e triste.

Por tudo isso, se alguém está ficando muito só algo pode estar errado, mesmo que essa pessoa sempre tenha sido assim. Precisamos ajudá-la a saber se o estado de solidão em que ela se abrigou é só um momento em que ela precisa se deparar consigo mesma (autoanálise), ou se ela está se refugiando neste estado para não ter de enfrentar alguns de seus medos mais íntimos, porque se for o segundo caso (que pode durar anos a fio), esta pessoa estará deixando de aproveitar uma das bênçãos mais notáveis que o Pai nos concedeu: vivermos na coletividade para aprendermos mais rápido e, se possível, mais felizes.

[1] Editora Petit, Cap. 07, ano 1999, p. 265.

Fonte: Adriana Machado 


14 abril 2018

O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito das manifestações em redes sociais



O ESPÍRITA E A POLÍTICA: 
UMA REFLEXÃO A RESPEITO DAS MANIFESTAÇÕES EM REDES SOCIAIS


Um dos maiores espíritas que reencarnaram no Brasil, foi político renomado: Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti. No mesmo período – final do século XIX – encontraremos Anália Franco como membro do Partido Republicano, fato que ela sabia separar, com distinção, de sua militância social e educativa. Cairbar Schutel assumia o posto de vereador pela primeira vez em 1889, Eurípedes Barsanulfo na pequena Sacramento, também dedicou-se à política, dentre muitos outros.

Ignorar a presença de políticos, cientistas, acadêmicos, empresários e filósofos no meio espírita, ao longo de sua existência, seria uma injustiça histórica. Figuras ilustres como Lins de Vasconcelos e Frederico Figner, empenharam suas vidas e suas respectivas fortunas à divulgação do Espiritismo. Envolviam-se em terreno delicado ao propor levar um pouco mais de luz, de esclarecimento ao povo mais necessitado.

Se recuarmos um pouco mais no tempo, veremos que o movimento que ocorreu no Brasil, espelhava aquilo que havia começado na França quando intelectuais, artistas, políticos e acadêmicos fizeram coro ao trabalho de Allan Kardec na propagação doutrinária. A França que abrigou Voltaire e Rousseau, precisou de conflitos armados para fazer com que a democracia se instaurasse. Segundo o historiador Will Durant, o movimento democrático nasceu do “dinheiro e da pólvora”.

Onde queremos chegar? Que falar sobre política e fazer política é tão natural quanto necessário. O que tem chamado a atenção, nas redes sociais, é a falta de compromisso com que a política tem sido compartilhada, inclusive, por espíritas. Assemelha-se a uma torcida de futebol em que os opostos desfilam provocações cada vez mais ácidas, demonstrando fragilidades preocupantes.

A omissão de instituições espíritas quanto ao cenário político, transformou-se em algo “normal”, quando lideranças confundem a liberdade de opinião com o laissez faire, no sentido de o que você quiser fazer é problema seu, afinal, não esclarecerem seus profitentes.

Recentemente, um espírita de renome, por seu belíssimo e indiscutível trabalho assistencial desenvolvido em bairro de periferia de Salvador, além de extensa obra mediúnica, foi duramente criticado por posicionar-se a favor da “direita” e daqueles que a imprensa tem noticiado como “pessoas de bem”. É a opinião dele e deve ser respeitada, assim como devemos respeitar a opinião daqueles que pensam diferente, como os que se colocam de “esquerda”. Aliás – apesar de toda a crítica que essa reflexão receberá –, combina mais com o espírita o posicionamento de esquerda do que da situação. Por que? Porque o progresso social, a partir do progresso individual com acesso à educação e melhores condições de vida deveria ser uma plataforma de trabalho do espírita, de acordo com seus recursos e posicionamento social. As Leis Morais em O Livro dos Espíritos podem elucidar melhor esse pensamento.

O que tem ocorrido é uma confusão dantesca entre o agente de corrupção e a corrupção. A corrupção é uma das manifestações do egoísmo humano, quando, em detrimento ao bem comum, opta-se por levar vantagens pessoais, sem pensar no progresso que poderia realizar se agisse da forma diferente. O “instrumento de escândalo” (o corrupto) é refém de suas escolhas, arregimentando compromissos de ordem espiritual cada vez mais sérios e que deveria ser motivo para profundas reflexões de nossa parte: acaso estamos isentos de erros, mazelas e dificuldades de toda ordem? Eleger um “salvador” que não seja o “Modelo e Guia da Humanidade” é procurar amparo para legitimar ideias egoístas.

Os instrumentos que hoje avaliam a corrupção, também se beneficiam dela, de maneira que, seu senso de justiça nem sempre é capaz de sobrepor o posicionamento político de “situação-oposição”, obnubilando o julgamento de condenar.

Quem está certo? Quem está errado? Camille Flammarion, no túmulo de Allan Kardec proferiu discurso que se notabilizou por considerar Kardec o “bom senso encarnado”.

Um amigo, de esquerda, com profundo bom senso – em todos os campos da vida, admirável, diga-se de passagem – sempre nos diz que “os extremos devem ser evitados”.

Não tenho vinculação a nenhum partido político. Fui eleitor tanto de esquerda quanto de direita ao longo dessa jornada terrena. Procuro, como livre pensador, analisar prós e contras, ainda que contrariem as opiniões dos amigos. No máximo, evito discutir e tentar “impor” meu ponto de vista para que as discussões não se exaltem além do ambiente fraterno em que começaram. Busco vislumbrar qualidades na oposição e situação para escolher candidatos e seus respectivos projetos para solucionar os problemas do país. Acertamos e erramos em nossas escolhas, mas não transformamos nosso posicionamento pessoal em motivo para brigas, contendas e desavenças, sejam no meio espírita ou fora dele.

Que o espírita se posicione favorável ou contra determinada corrente política, mas que sua forma de se posicionar seja pautada nos princípios doutrinários que, na atualidade, ele consegue praticar. Não sejamos nós, espíritas, motivo de escândalo, incentivando a proliferação de ideias contrárias ao que a Doutrina Espírita nos orienta, seja de esquerda ou direita: o contraditório é saudável no processo de aprendizado!

“Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, Espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo.” (Allan Kardec)

Vladimir Alexei


57º. Mês Espirita de São Vicente



57º. Mês Espirita de São Vicente
Abril 2018

"O SER A CAMINHO DA LUZ"



Datas do evento:

07/04 - 19:00
Duo Vozes Eternas
Dr. Flávio Braun

14/04 - 19:00
Ondamar e Eliana
Dra. Deusa Samú

21/04 - 19:00
Projeto Semente de Arte e Música - Semente de Luz
Roosevelt A.Thiago

28/04 - 19:00
Célia Tomboly e Magali Freitas
Eugenivaldo Fort



Local: Av. Capitão Mór Aguiar, 223
Parque Bitaru - São Vicente/SP
Auditório Colégio Henrique Oswald



Realização: USE
Apoio: Banca do Livro Espírita 'André Luiz'

Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


13 abril 2018

Jesus e Reencarnação - Joanna de Ângelis



JESUS E A REENCARNAÇÃO


Não fosse Jesus reencarnacionista e toda a Sua mensagem seria fragmentária, sem suporte de segurança, por faltar-lhe a justiça na sua mais alta expressão propiciando ao infrator a oportunidade reeducativa, com o conseqüente crescimento para a liberdade a que aspira.

O amor por Ele ensinado, se não tivesse como apoio a bênção do renascimento corporal ensejando recomeço e reparação, teria um caráter de transitória preferência emocional, com a seleção dos eleitos e felizes em detrimento dos antipáticos e desditosos.

Com o apoio na doutrina dos renascimentos físicos, Ele identificava de imediato quais os necessitados que estavam em condições de recuperar a saúde ou não, tendo em consideração os fatores que os conduziam ao sofrimento. E por isso mesmo, nem todos aqueles que Lhe buscavam a ajuda logravam-na ou recuperavam-se. Porque sabia ser enfermo o espírito, e não o corpo, sempre se dirigia preferencialmente à individualidade, e não à personalidade de que se revestia cada homem.

Sabendo acerca da fragilidade humana, emulava à fortaleza moral, fiel à lei de causa e efeito vigente no mundo. Não apenas no diálogo mantido com Nicodemos vibrou a Sua declaração quanto à “necessidade de nascer de novo”. Ela se repete de forma variada, outras vezes, confirmando o processo das sucessivas experiências carnais, método misericordioso do amor de Deus para o benefício de todos os Espíritos. Nenhuma surpresa causara aos Seus discípulos a resposta a respeito do Elias que já viera, assim como a indagação em torno de quem Ele seria, segundo a opinião do povo, em razão de ser crença, quase generalizada à época, a pluralidade dos renascimentos.

*

Espírito puro, jamais enfermou, enfrentando os fatores climáticos e ambientais mais diversos com a mesma pujança de força e saúde a se refletir na expressão de beleza e de paz nele estampada. Quem O visse, jamais O olvidaria, e todo aquele que Lhe sentisse o toque amoroso, ficaria impregnado pelo Seu magnetismo para sempre. É verdade que não poucos homens, que foram comensais da Sua misericórdia, aparentemente O esqueceram... Todavia, reencarnaram-se através da História, recordando-O às multidões, e ainda hoje se encontram empenhados em fazê-lo conhecido e amado.

A psicoterapia que Ele utilizava era centrada na reencarnação, por saber que o homem o modelador do próprio destino, vivendo conforme o estabeleceu através dos atos nas experiências passadas. Por tal razão, jamais condenou a quem quer que fosse, sempre oferecendo a ocasião para reparar o prejuízo e recuperar-se diante da própria, bem como da Consciência Divina.

Sem preferência ou disputa por alguém ou coisa alguma, a tudo e a todos amou com desvelo, albergando a humanidade de todos os tempos no Seu inefável afeto. Espalhou missionários pela Terra, falando a linguagem da reencarnação, até o momento em que Ele próprio veio confirmá-la, acenando com esperança futura de felicidade para todas as criaturas.

Não te crucifiques na consciência de culpa, após reconheceres o teu erro. Não te encarceres em sombras, depois de identificares os teus delitos. Não te amargures em demasia, descobrindo-te equivocado. Renasce dos teus escombros e recomeça a recuperação de imediato, evitando futuros retornos expiatórios, injunções excruciantes, situações penosas. Pede perdão e reabilita-te, ante aquele a quem ofendeste e prejudicaste. Se ele te desculpar, será bom para ambos. Porém, se não o fizer, compreende-o e segue adiante, não mais errando. Infelicitado por alguém, perdoa-o e desatrela-te dele, facultando-lhe a paz e vivendo o bem-estar que decorre da ação correta.

A reencarnação de que te utilizas é concessão superior, que não podes desperdiçar. Cada momento é valioso para o teu trabalho de sublimação, de desapego, de amor puro. Abrevia os teus renascimentos agindo corretamente e servindo sem cansaço, com alegria, porqüanto, para adentrares no reino dos céus, que se estende da consciência na direção do infinito, é necessário nascer de novo, conforme Ele acentuou. 


Espírito Joanna de Ângelis
Fonte - Jesus e Atualidade
Psicografia Divaldo Pereira Franco


12 abril 2018

Adolescentes que “casam” e ou engravidam precocemente - Jorge Hessen



ADOLESCENTES QUE "CASAM" E OU ENGRAVIDAM PRECOCEMENTE


Estreando mais cedo na prática sexual e estando mais suscetíveis às influências dos adultos, as adolescentes são vítimas das induções psicológicas da sociedade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, os últimos disponíveis, indicam que 877 mil mulheres que têm hoje entre 20 e 24 anos se “casaram” quando tinham até 15.

Segundo estudo realizado pelo Instituto Promundo entre 2013 e 2015, Maranhão e Pará são os Estados com maior prevalência de “uniões” precoces. O levantamento mostra que as meninas se “casam” e têm o primeiro filho, em média, aos 15 anos. A pesquisa atribui o “casamento” infantil a três causas principais.

A primeira é vulnerabilidade das comunidades, caracterizada por baixos níveis de escolaridade e infraestrutura, e fraca presença do Estado. Em segundo lugar, as adolescentes querem sair da casa dos pais porque desejam começar a namorar e, por isso, veem no “casamento” uma forma de fuga das proibições dos pais. A terceira causa é a fragilidade das estruturas familiares, que leva as meninas a buscar estabilidade e segurança fora de casa.

A ânsia por liberdade, a desestrutura familiar e a vulnerabilidade das comunidades atingem também os grandes centros urbanos, especialmente a periferia das cidades. É o retrato de um Brasil sacudido por uma violenta crise ética, alimentada pela petulância e cinismo presentes nalguns juízes do ineficaz STF (nossa suprema corte de justiça) e da desonestidade de políticos que deveriam dar exemplo de integridade moral e honradez.

A responsabilidade também pode ser compartilhada com o povo, com os governantes, com os formadores de opinião e pais de família, que, num exercício de anticidadania, aceitam que uma nação além de corrupta seja ainda definida no exterior como o poleiro do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um paraíso cultural de promiscuidade, corrupção, um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes conterrâneos.

A juventude está atônita, sem alicerces morais intensos, ofuscada, com influências extremamente sensualistas. Nas crônicas históricas, jamais um jovem teve contato tão aberto com mensagens erotizantes como nos dias atuais, graças à Internet. Esse trágico quadro moral nos remete à filosofia do prazer que impulsiona a recondução do adolescente à era das cavernas, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das orgias e ali entregando-se à fuga da consciência e do raciocínio pela busca do deleite alucinado pelo prazer imediato do sexo.

No Sudeste brasileiro há casos em que meninas de 10 a 12 anos, frequentadoras dos típicos bailes (funk e análogos) engravidam. No Nordeste há diversos casos de aliciamento de menores, muitas vezes abusadas pelos próprios pais. Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que relaxam em demorar-se à frente da educação dos próprios filhos.

Uma adolescente que “casa” e ou engravida precocemente é, sem dúvida, uma pessoa cujos direitos foram violados e cujo futuro fica comprometido. O “casamento” e ou gravidez precoce ecoa a indigência e a repressão de cúmplices (família e comunidade). Não obstante esse caótico cenário, há muitas adolescentes que têm atividade religiosa oferecendo um conjunto de valores morais que as encoraja a desenvolver comportamento sexual equilibrado.

De ordinário, uma adolescente evangelizada, fiel ao recado de Jesus (independente do rótulo religioso que abrace), é, quase sempre, bastante rígida no que diz respeito à constituição familiar e abstenção da prática sexual pré-marital.

Lembremos que pais equilibrados produzem lares equilibrados; lares equilibrados resultam em filhos equilibrados, mesmo que resvalem em algumas compreensíveis e pequenas falhas humanas.


Jorge Hessen


11 abril 2018

Autismo na visão espírita - Divaldo P.Franco



AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA


Como as cores do prisma que degrada a luz solar, as diferenças entre as pessoas marcam a beleza da individualidade humana.

Entre todas as diferenças, está o autismo, que ama em silêncio e luta como um símbolo a mais contra a indiferença de uma sociedade acostumada a olhar o próximo sem compreender sua integridade. Assim se expressa o Dr. Juan Danilo Montilla, estudioso dedicado dessa síndrome malcompreendida que se vem tornando quase pandêmica.

Incompreendida no passado remoto e diagnosticada posteriormente como esquizofrenia, a partir de 1970, em razão de o nobre Dr. Hans Asperger haver sido pai de gêmeos portadores do distúrbio, mediante a observação do atraso do desenvolvimento da linguagem, estudou-o profundamente, buscando encontrar a sua gênese, assim como a melhor terapêutica.

Em 1981, a psiquiatra Lorna Wing, em homenagem a esse notável pesquisador, referiu-se pela primeira vez à síndrome de Asperger.

Curiosamente, a Dra. Wing era mãe de uma menina autista...

O autista, invariavelmente, não gosta de ser tocado, evita fitar as pessoas, tendo quase sempre a cabeça baixa e as reações compatíveis com a sua problemática, em razão da ausência de sociabilidade, reagindo a distúrbios sonoros, a multidão etc.

Sob o aspecto da Doutrina Espírita, podemos considerar a problemática do autismo como sendo uma provação para o paciente, que estaria recuperando-se de delitos praticados em existências passadas, assim como os seus familiares, especialmente os pais.

Mediante as limitações experimentadas e os sofrimentos pertinentes, o Espírito endividado refaz-se e liberta-se da carga aflitiva a que se encontra jungido, tornando-se, dessa forma, uma verdadeira bênção.

Outrossim, pode ser uma experiência iluminativa solicitada pelo próprio Espírito, a fim de contribuir em favor de estudos científicos que irão beneficiar outros, ao mesmo tempo um esforço pessoal para o maior crescimento sociopsicológico.

No primeiro caso, podem ocorrer transtornos obsessivos, produzidos pelas vítimas de existência anterior, que se comprazem em piorar o quadro de sofrimentos, levando o paciente à agressividade, ao mutismo e a estados de aparente esquizofrenia.

O Espiritismo dispõe de terapias valiosas: passes, água fluidificada, desobsessão, conversação paciente e edificante, música suave, conforme a sua reação ao ouvir e muita perseverança do amor para que o mesmo sinta-se aceito e confiante.

Divaldo P.Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 5.4.2018.

10 abril 2018

O Espiritismo Pergunta - Militão Pacheco




O ESPIRITISMO PERGUNTA



Meu irmão, não te permitas impressionar apenas com as alterações que convulsionam hoje todas as frentes de trabalho e descobrimentos na Terra.

Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro .

O teu corpo físico define a atualidade do teu corpo espiritual.

Já viveste, quanto nós mesmos, vidas incontáveis e trazes, no bojo do espírito, as conquistas alcançadas em longo percurso de experiências na ronda de milênios.

Tua mente já possui, nas criptas da memória, recursos enciclopédicos da cultura de todos os grandes centros do Planeta.

Teu perispírito já se revestiu com porções da matéria de todos os continentes.

Tuas irradiações, através das roupas que te serviram, já marcaram todos os salões da a ristocracia e todos os círculos de penúria do plano terrestre.

Tua figura já integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as nações.

Tuas energias genésicas e afetivas já plasmaram corpos na configuração morfológica de todas as raças.

Teus sentidos já foram arrebatados ao torvelinho de todas as diversões.

Tua voz já expressou o bem e o mal em todos os idiomas.

Teu coração já pulsou ao ritmo de todas as paixões.

Teus olhos já se deslumbraram diante de todos os espetáculos conhecidos, das trevas do horrível às magnificências do belo.

Teus ouvidos já registraram todos os tipos de sons e linguagens existentes no mundo.

Teus pulmões já respiraram o ar de todos os climas.

Teu paladar já se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos.

Tuas mãos já retiveram e dissiparam fortunas, constituídas por todos os padrões da moeda humana.

Tua pele, em cores diversas, já foi beijada pelo Sol de todas as latitudes.

Tua emoção já passou por todos os transes possíveis de renascimentos e mortes.

Eis por que o Espiritismo te pergunta:

– Não julgas que já é tempo de renovar? Sem renovação, que vale a vida humana?

Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo e de nova existência – prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim de cadáveres.

Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito.

A reencarnação é o caminho da Grande Luz.

Ama e trabalha. Trabalha e serve.

Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar.

Pelo Espírito Militão Pacheco
Do livro: O Espírito da Verdade
Médium: Francisco Cândido Xavier