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22 agosto 2017

Transtornos Obessivos - Divaldo P.Franco,


TRANSTORNOS OBSESSIVOS


Partindo-se do princípio de que o Espírito é imortal, conforme os fatos constatados através dos tempos e, especialmente, por meio das pesquisas realizadas por Allan Kardec, que resultaram na Codificação do Espiritismo, a vida no Além-Túmulo transcorre em condições parecidas com aquelas da organização material. Podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que a vida física é uma cópia imperfeita dessa espiritual de onde vimos e para onde retornamos. Cada indivíduo desencarna conduzindo os valores éticos de que se faz portador, no que resultaram os seus atributos e ações.

Os sentimentos permanecem conforme a sua constituição, porque o campo vibratório em que passa a viver é muito mais complexo do que o terreno. Tanto o amor quanto o ódio continuam-lhe nas paisagens mentais e emocionais facultando alegria ou desconcerto.

As afinidades afetivas aproximam os Espíritos um dos outros, qual ocorre no planeta. Afeições profundas auxiliam-se reciprocamente da mesma forma que as animosidades aumentam, dando lugar aos terríveis fenômenos das obsessões.

Em razão do nível moral muito primário em que se vive na atualidade, facultando a primazia das paixões primitivas, o número de pessoas atormentadas é muito grande, favorecendo que adversários desencarnados se lhes acerquem e lhes aumentem os desvios de conduta e produzam sérios transtornos de saúde.

O maior número de problemas nessa área diz respeito aos próprios enfermos que se não esforçam pela mudança de comportamento moral e mental, a fim de sintonizarem com as aspirações que dignificam e produzem saúde, comprazendo-se no pessimismo, na indiferença, no ódio e nos vícios que corrompem a existência.

Esse comportamento facilita a influência dos seres infelizes que pululam na Erraticidade, transformando-se-lhes em obsessores perversos quão insensíveis.

Jesus Cristo já lecionava o amor como sendo a solução para todos os problemas humanos. No entanto, esse sentimento sublime foi transformado nos desejos da libido indisciplinada e do egoísmo exacerbado.

As Instituições espíritas estão repletas de enfermos de todo o jaez procurando soluções mágicas para os problemas que os infelicitam. No entanto, a Doutrina Espírita oferece os recursos terapêuticos preventivos e curativos para sanar o grande mal, que é a reforma interior do indivíduo, baseada na Lei de amor, que se encontra ínsita no Evangelho de Jesus e descrita como Fora da caridade não há salvação.

O número, portanto, daqueles que são obsidiados é muito maior do que se pensa. Diante do quadro assustador, faze uma análise de tua conduta emocional e observa em que grau de sanidade te encontras, evitando com todo esforço o transtorno obsessivo de consequências graves.


Por Divaldo Pereira Franco. Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 27.7.2017. Do site: http://divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=478.


21 agosto 2017

Decisão que vamos optar - Orson Peter Carrara



DECISÃO QUE VAMOS OPTAR



A clareza e objetividade de Kardec impressionam, seja pela sua atualidade, seja pela lucidez com que apresenta o pensamento espírita e seus desdobramentos, nas variadas situações do cotidiano ou nas conquistas intelecto-morais que vamos alcançando pelo amadurecimento natural da própria evolução.

Frases curtas, expressões compactas, parágrafos altamente esclarecedores, raciocínios lógicos, todos embasados numa construção perfeita que une o texto, o raciocínio, o alto senso de justiça e bondade, aspectos históricos sempre envolvidos e, claro, direcionados para aspectos que construam a mentalidade humanitária e cristã, à luz da Revelação Espírita.

Isso está em toda a obra da Codificação, nas obras complementares e na Revista Espírita. Interessante

porque, cada pensamento, texto, frase ou raciocínio do Codificador tornam-se facilmente fonte inesgotável para abordagens verbais ou escritas, temas para estudo ou pesquisa. É realmente o fruto de um espírito genial, comprometido com as causas de progresso da Humanidade. Não é ao acaso que organizou a Revelação dos Espíritos. Uso um exemplo simples, para indicar essa grandeza de conteúdo.

No capítulo XXVIII – Coletânea de Preces Espíritas, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 20 – Para pedir força de resistir a uma tentação, informa Kardec*: “(...) Devemos, ao mesmo tempo, imaginar o nosso anjo da guarda, ou Espírito protetor, que, de sua parte, combate em nós a má influência, e espera com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em fazer o mal é a voz do bom Espírito que se

faz ouvir pela consciência. (...)”.

O destaque na frase foi dado pelo próprio Kardec. O tema aborda a questão dos maus pensamentos, da influência malévola de alguns espíritos perturbados ou perturbadores e mesmo de nossas próprias más tendências, mas também da presença do anjo guardião que nos ampara e a quem podemos recorrer. Como se sabe, no capítulo em referência, Kardec apresenta comentários compactos e extraordinários a diversas situações em que a prece pode ser usada, complementando com pequenos modelos de prece para auxiliar o raciocínio na questão. Mas seus comentários pessoais são de beleza inquestionável. Inclusive, o referido item encontra-se no subtítulo Preces por si mesmo, iniciando-se com a citação dos anjos guardiães e espíritos protetores, daí a indicação aqui constante.

Convido, portanto, o leitor, a refletir sobre o exemplo simples da transcrição constante da já citada obra básica: a da espera pelo espírito protetor, com ansiedade, da decisão que vamos tomar.

Sim, isso é abrangente, notável. Afinal, apesar da assistência que todos recebemos, continuamente, os benfeitores respeitam nossas decisões e esperam que escolhamos os caminhos do equilíbrio e do acerto. Mas respeitam, se optarmos por caminhos desastrosos, daí a ansiedade citada pelo Codificador, porque sabem que é por meio desses equívocos das decisões e opções, durante a vida, que amadurecemos e aprendemos a viver, nos relacionamentos e nas decisões próprias do cotidiano. Apesar de nos assistirem, eles aguardam os caminhos que optamos seguir. Percebemos

, com clareza, a abrangência que o assunto propicia. Convido o leitor a buscar o item em referência e estudá-lo na íntegra.

É assim a Doutrina Espírita: inesgotável nas possibilidades de aprendizado.

*308ª. edição IDE - Instituto de Difusão Espírita, Araras (SP), de fevereiro de 2005, tradução de Salvador Gentille.

Orson Peter Carrara

20 agosto 2017

Marco da Reencarnação - Miramez



MARCO DA REENCARNAÇÃO

ESE - Cap IV Item 24



A reencarnação na Terra tem limites, desde que o Espírito chegue a uma condição de não mais precisar vestir a roupagem da carne; no entanto, considerando que a reencarnação se constitui em mudanças, e olhando para a vida eterna plena de transformações, ela se nos apresenta sem limites, porque as mudanças são permanentes.

Tudo reassume novos corpos na pauta da vida contínua; pode-se dizer, não encontrando outra expressão, que a vida se compõe de um seqüente movimento. Em todo lugar onde estagiamos, buscando experiências, existe a oportunidade extrema, nos mostrando o ponto final que podemos suportar naquele mundo; entretanto, não são extremos permanentes e, sim, limites do mundo em que estamos e que nós suportamos.

A evolução não tem barreiras; as mudanças são eternas em todas as escalas da vida.

Crescemos sempre, é o que podemos dizer. No ponto em que a humanidade se encontra na Terra, como mundo de expiações e provas, prestes a sair deste estágio, precisamos trabalhar dentro de nós, em preparo para alcançar um mundo de regeneração. Assim se processa a subida cada vez melhor, até a depuração espiritual que a vida pode nos oferecer.. E a Doutrina Espírita nos fala desta verdade, notícia que muito nos agrada, por já sentirmos o ambiente da felicidade; e para tanto, trabalhamos no ambiente do amor.

Os benfeitores espirituais que orientam a humanidade, sob a égide de Jesus, têm uma grande tolerância, por saberem que o Espírito revestido de carne recebe muita influência do magnetismo inferior, mas, mesmo assim, deve lutar, porque é no esforço de cada dia que poderá alcançar a liberdade, dominando as paixões.

Nada tem limites, a não ser nos estágios, mas para adentrar em outra seqüência de aperfeiçoamento; assim é a vida, cheia de alegria, amor e caridade. O perispírito pode chegar à certa elevação de se confundir com o Espírito sujeito à reencarnação na Terra; e o próprio corpo, em mundos superiores, também se confundir com o perispírito nos mundos inferiores.Entreguemo-nos, encarnados e desencarnados, à perfeição moral, juntamente com a sabedoria divina, no sentido de atingirmos um grau elevado do Espírito imortal, doando amor e espargindo luzes em todas as direções. Essa é a vida naquele ambiente de felicidade imperturbável.

O Espiritismo nos concita ao trabalho na nossa intimidade, sempre na exemplificação das virtudes de ouro que o Evangelho de Jesus, na amplitude do amor, nos oferta como caminho, verdade e vida, considerando o amor como ponto de partida, que é igualmente o ponto de chegada, por se mostrar em todos os estágios das dimensões. O amor é o hálito de Deus e o clima onde o Cristo vive.

Estamos vivendo a aproximação do fim dos tempos, onde dominam expiações e provas, na busca de outro mundo para a nossa regeneração. A humanidade caminha sob a aflição da dor, contudo,recebe permanentemente lições valiosas, envolvidas com a verdade que podemos entender como a libertação.

O mundo atual vivem em torno de dois monstros que devoram todas as esperanças, que se chamam orgulho e egoísmo, que devem ser expulsos das nossas vidas. Basta analisarmos com ponderação, que encontraremos essas duas feras devorando nossas alegrias.

Lutemos para vencer essa guerra, que entraremos na era da felicidade, sentindo o Senhor irradiando nas nossas consciências, em completa integração com Jesus, que domina nossos destinos.

Entendemos que nada tem limites; tudo se transforma, mas sempre para melhor, sendo Deus a fonte das nossas vidas, em quem devemos confiar e a quem devemos servir com humildade e amor.


De: "Máximas de Luz", de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez


Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente


Local: Rua Jacob Emmerick, 903 - Centro - S.Vicente/SP
Grupo Espírita Casa do Caminho de S.Vicente
Propósito, História e Programação


O Grupo Espírita Casa do Caminho é uma entidade que foi criada com o intuito de levar o estudo, auxilio espiritual e o conhecimento da doutrina espírita Kardequiana a todos que a procurarem. Esta entidade é sem fins lucrativos, nós trabalhamos com afinco para construirmos nossa sede própria. Almejamos ampliar tanto o nosso espaço físico, como o nossa assistência aos carentes que nos procuram.


***

Dirigente da Casa: Jussara Faria

*

Resumo de sua história


Um grupo de 12 amigos, começou a se reunir todas as terças-feiras para fazer o evangelho. Um ano depois, ou seja, em 20/01/1996, após muitas reuniões, iniciou-se a Casa do Caminho, dava-se assim o início aos trabalhos ao público, onde a maior intenção era levar ao próximo os seus ensinamentos da doutrina e assistência espiritual.

*

PROGRAMAÇÃO SEMANAL

SEGUNDA-FEIRA (NOITE)
Atendimento Fraterno das 18:30hs às 19:00hs
Musicaterapia das 19:00hs às 20:00hs
Palestra das 20:00hs às 20:30hs
Passes e Água Fluidificada.

TERÇA-FEIRA
Curso de Educação Mediúnica (Trabalho Privativo)
das 19:30hs às 21:00hs

QUINTA-FEIRA
Tratamento Médico Espiritual (Cirurgia)  às 17:30 hs
(Trabalho Privativo)

SEXTA-FEIRA

Desobsessão às 19:30 hs (Trabalho Privativo)


SÁBADO
Atendimento Fraterno às 14:00hs
Palestra e  Passes às 15:30hs
Evangelização Infantil às 17:00hs
ESDE (Estudo Sistematizado da  Doutrina Espírita) às 17:00hs

LINKS:
Deste Blog: http://www.gecasadocaminhosv.blogspot.com
Facebook: https://www.facebook.com/gecasadocaminhosv


19 agosto 2017

Indentificação dos Espíritos - Manoel Philomeno de Miranda



IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS


Questão grave, a de identificação dos Espíritos, nos fenômenos mediúnicos.

Utilizando-se de um equipamento muito complicado, nem todos os comunicantes sabem manipulá-lo como seria de desejar.

Além disso, as próprias complexidades e circunstâncias em que ocorre o fenômeno geram desafios aos mais experientes desencarnados, que se vêem a braços com a vontade e o caráter do médium, no momento das comunicações.

Outrossim, deve-se ter em mente que a morte biológica não é igual para todos, sendo o despertar na ultra tumba conforme o comportamento vivenciado durante toda a existência corporal.

Tomando consciência da realidade na qual ora se encontram, os Espíritos lúcidos passam a experimentar verdadeira revolução conceptual, obrigando-se a reconsiderar opiniões e objetivos aos quais se aferravam antes da libertação.

A surpresa que lhes assinala a consciência ante outros valores, alguns dos quais lhes eram desconhecidos ou não considerados, fá-los reavaliar o comportamento cultural e emocional, direcionando-os a novas ações, algumas bem diversas daquelas a que se habituaram no corpo somático.

Ampliam-se-lhes os horizontes da compreensão humana, e a visão, a respeito do destino, passa a experimentar uma correção de ângulo, que exige acuradas reflexões e largo esforço reeducativo.

O problema, portanto, da identificação dos Espíritos, é mais de aparência do que de realidade, desde que, qualquer pessoa que ama, não terá dificuldade em descobrir o seu afeto de retorno em mil pequenos ou grandes informes que os tipificam, sem a necessidade mórbida de exigir-lhes minudências e sinais de que eles mesmos se desejam libertar, a fim de avançarem no rumo de outros valores, ricos de paz e alento, que lhes acenam felicidade e união, quando aqueles da retaguarda física, também amados, romperem as algemas de retentiva e seguirem ao seu encontro, num mundo que já preparam, para que lhes seja melhor do que este de provas e expiações de onde procedemos.


Pelo Espírito Manoel P. de Miranda 
De "Temas da Vida e da Morte", de Divaldo P. Franco


18 agosto 2017

Dando o melhor - Momento Espírita


 

DANDO O MELHOR



Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado.

Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de a audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva.

Certo dia, um amigo de Beethoven foi surpreendido pela morte súbita de seu filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento.

Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que num canto da sala havia um piano.

Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloqüente que podia. Tocou piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela.

* * *

Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação.

Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo, por sentir "não ter jeito" para dizer algo para a viúva, ou os filhos órfãos.

Não vamos ao hospital, visitar um enfermo do nosso círculo de relações, porque nos sentimos inibidos. Como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos.

Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza, escorra em nosso peito.

Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo.

Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: "Estou aqui. Conte comigo." Sirvamos um copo d'água, um suco àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isto poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores.

Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um repouso, ainda que breve.

Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas, quando os ponteiros avançam a madrugada. 

Sê amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discrição e nobreza junto àqueles que te elegem a amizade. A discreção é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranqüilidade. 

Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem.

Equipe de Redação do Momento Espírita

17 agosto 2017

Gestação Frustada - Antônio Carlos Navarro

 

GESTAÇÃO FRUSTADA


O retorno do Espírito ao mundo corporal, em cumprimento da Lei de Progresso, se dá pelo processo biológico que conhecemos por Gestação.

Embora sejamos individualidades ímpares, o processo reencarnatório também obedece a determinados princípios, como nos afirma o Benfeitor Espiritual Alexandre:

“Grande percentagem de reencarnações na Crosta se processa em moldes padronizados para todos, no campo de manifestações puramente evolutivas. Mas outra percentagem não obedece ao mesmo programa. Elevando-se a alma em cultura e conhecimentos, e, consequentemente, em responsabilidade, o processo reencarnacionista individual é mais complexo, fugindo à expressão geral, como é lógico. (1)

Desejamos, neste pequeno ensaio, focar nossa atenção para os processos em que a gestação não alcança a sua finalidade última, não permitindo ao Espírito experienciar a vida física por determinado tempo.

Também esse assunto chamou a atenção de Allan Kardec, que demandou aos Espíritos Superiores:

“Há, como indica a ciência, crianças que, desde o ventre materno, não têm possibilidades de viver? Qual o objetivo disso?

– Isso acontece frequentemente; a Providência o permite como prova para seus pais ou para o Espírito que está para reencarnar”. (2)

“Existem crianças que, nascendo mortas, não foram destinadas à encarnação de um Espírito?

– Sim, há as que nunca tiveram um Espírito destinado para o corpo; nada devia realizar-se por elas. É, então, somente pelos pais que essa criança veio”. (3)

A esse respeito foi proposto ao Benfeitor André Luiz o seguinte questionamento:

“Como compreenderemos os casos de gestação frustrada quando não há Espírito reencarnante para arquitetar as formas do feto?

– Em todos os casos em que há formação fetal, sem que haja a presença de entidade reencarnante, o fenômeno obedece aos moldes mentais maternos. Dentre as ocorrências dessa espécie há, por exemplo, aquelas nas quais a mulher, em provação de reajuste do centro genésico, nutre habitualmente o vivo desejo de ser mãe, impregnando as células reprodutivas com elevada percentagem de atração magnética, pela qual consegue formar com o auxílio da célula espermática um embrião frustrado que se desenvolve, embora inutilmente, na medida de intensidade do pensamento maternal, que opera, através de impactos sucessivos, condicionando as células do aparelho reprodutor, que lhe respondem aos apelos segundo os princípios de automatismo e reflexão. (4)

Voltando ao Livro dos Espíritos encontraremos:

“O Espírito sabe, com antecedência, que o corpo que escolheu não tem probabilidades de vida?

– Algumas vezes, sabe; mas se o escolher por esse motivo, é porque recua diante da prova”. (5)

E também:

“Quando uma encarnação falha para o Espírito, por uma causa qualquer, é suprida imediatamente por outra existência?

– Nem sempre imediatamente. É preciso ao Espírito o tempo de escolher de novo, a menos que uma reencarnação imediata seja uma determinação anterior”. (6)

Fica claro que a gestação do corpo físico também está vinculada às necessidades de provas e expiações do Espírito reencarnante e dos Pais, e como dentro das possibilidades da não consumação da gestação há a recusa da mesma por parte da mãe, que provoca o aborto, os Benfeitores nos esclarecem:

“Quais são, para o Espírito, as consequências do aborto?

– É uma existência nula que terá de recomeçar”. (7)

Ainda em Missionários da Luz André Luiz comenta sobre o aborto:

“Há, por exemplo, os casos em que a mulher, por recusa deliberada à gravidez de que já se acha possuída, expulsa a entidade reencarnante nas primeiras semanas de gestação, desarticulando os processos celulares da constituição fetal e adquirindo, por semelhante atitude, constrangedora dívida ante o Destino”. (8)

O comentário de André Luiz está fundamentado em O Livro dos Espíritos:

“O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?

– Há sempre crime quando se transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer outra pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida de uma criança antes do seu nascimento, porque é impedir a alma de suportar as provas das quais o corpo devia ser o instrumento”. (9)

Atestam os Espíritos, no entanto:

“No caso em que a vida da mãe esteja em perigo pelo nascimento do filho, existe crime ao sacrificar a criança para salvar a mãe? – É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe”. (10)

V Outra possibilidade de interrupção da gestação é a do Espírito recusar, quando já definido, o seu processo reencarnatório:

“ O Espírito poderia, no último momento, recusar o corpo escolhido por ele?

– Se recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tentou nenhuma prova”. (11)

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro

Referências:

(1) Missionários da Luz, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. XII;
(2) O Livro dos Espíritos, item 355;
(3) Idem, item 356;
(4) Evolução em Dois Mundos, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. 33;
(5) O Livro dos Espíritos, item 348;
(6) Idem, item 349;
(7) Idem, item 357;
(8) Missionários da Luz, Francisco C. Xavier – André Luiz, cap. XII;
(9) O Livro dos Espíritos, item 358;
(10) Idem, item 359;
(11) Idem, item 355 a.
Obs. Os negritos do texto são do autor do mesmo.

16 agosto 2017

“Sim” ou “não”, eis a questão:



"SIM OU NÃO", EIS A QUESTÃO


Na Tailândia não se costuma dizer “não”. Isso é evidente até mesmo nas palavras mais simples: "sim" é chai e o mais próximo a "não" que existe em tailandês é mai chai - que pode ser traduzido como "não-sim". Com uma cultura voltada para o coletivo, os tailandeses são ensinados a se preocupar mais com o grupo do que consigo mesmos. É uma sociedade altamente conservadora e tradicional, com uma tradição de que demonstrar prazer e emoção é controlada por normas sociais restritas. “Um tailandês sempre vai dizer ‘sim’ porque a etiqueta social determina que ele o faça." [1]

Do mesmo modo, aqui no ocidente alimentamos o falso conceito que quem é bom nunca diz “não”. Contudo, a negativa salutar jamais perturba. O que despedaça é o tom contundente no qual é vazado o “não”! Proferir o “sim” ou dizer o “não” exige análise reflexiva e não deve nascer de um impulso ou estado de ânimo alterado ou inerte. É evidente que "tanto quanto o ‘sim’ deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o ‘não’ deve ser dito sem aspereza".[2]

Há dois mil anos Jesus nos ensinou: “seja o vosso falar: sim, sim; não, não". [3] Tal princípio está contido em O Sermão do Monte, que constitui a base do código de ética do Evangelho. Sobre isso, adverte-nos Emmanuel: “o sim’ pode ser aprazível em muitas circunstâncias, entretanto o ‘não’, em alguns setores da luta humana, é mais construtivo". [4]

Consentir que os outros decidam por nós é atitude de subserviência; não é humildade e muito menos tolerância e nem brandura. Notemos que a nossa vontade é tão importante quanto a vontade do nosso semelhante. Ora, os nossos anseios, sonhos e emoções têm o mesmo valor dos das outras pessoas. Não admitamos que determinem nossas aspirações, nossas ideias, nossas convicções religiosas, nossas rotinas, nossos modos de ser. Se não agirmos com coragem seremos domados na vontade, e o que é pior, seremos reprimidos nos próprios pensamentos.

Sem ferirmos o próximo, e isso é mais do que óbvio, é imprescindível dizer o “não”. Precisamos ter o traquejo para dizer o “não” sempre que a situação nos convide a fazê-lo. Até porque, é impossível agradarmos as pessoas a todo instante. Cedermos aos desejos e vontades dos outros pode ser a forma mais fácil de relaxarmos o empenho de busca das nossas intransferíveis necessidades de crescimento espiritual. Em certas ocasiões quando dizemos “sim” para os outros, pagamos um preço elevado por isso.

Nem sempre precisamos infligir nossa vontade, contudo não podemos deixar que os outros se imponham sobre nós. Não é ajuizado dizer “sim” quando devemos dizer “não”. Porém, por que às vezes quando temos que impor o “não”, cedemos ao “sim”? Cada vez que contemporizamos com o “sim” quando a situação exige o “não”, estamos nos definhando na autoridade moral, nos desmerecendo; estamos enfim dando mais importância aos outros do que a nós mesmos.

Na presunção de não magoarmos os outros, muitas vezes nos justificamos em demasia, como se estivéssemos rogando perdão por não podermos acorrer. Não carecemos de fazer isso! Não temos nenhuma necessidade de nos explicar em demasia e muito menos pedir desculpas pela nossa opção de negativa.

Ora, se não estamos fazendo nada de censurável ao priorizarmos outros compromissos, não precisamos ficar explicando ou detalhando quais são essas prioridades. Em determinadas circunstâncias, as nossas opções por fazer ou deixar de fazer algo é uma questão de autoconsciência, portando não é da jurisdição de mais ninguém.

Aprendamos a dizer “não”, ou seja, se não desejamos tal ou qual coisa, digamos “não”; se não concordamos com tal ou qual situação, pronunciemos “não’; se não almejamos compartilhar, falar ou adquirir algo, tão-somente digamos “não”.

O bom senso nos sussurra que ao dizer “não” estamos apenas dando uma resposta negativa, e isso não é insulto. Cabe aqui uma dica cristã: que os nossos “nãos” sejam proferidos sem rompantes e nem severidades e ponto final.


Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-39450642 acessado em 01/08/2017

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977

[3] Mateus 5, 37

[4] XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977


15 agosto 2017

Investimentos para Paz - Joanna de Ângelis

 

INVESTIMENTO PARA A PAZ


És partidário da paz universal e propões que ela mui pronto se estabeleça na Terra.

Compreendes que essa é uma necessidade geral, lamentando ser a tua uma voz de pequena ou quase nenhuma ressonância em empreendimento, de tal magnitude.

Detestas a guerra e invectivas contra a violência que alucina os homens, tornando-os desditosos.

Não obstante, a paz depende de cada indivíduo que a deve lograr em si mesmo, gerando um fenômeno de participação através do seu estão, em relação a quem lhe esteja próximo e possa vir a sofrer-lhe a influência.

A aquisição da harmonia íntima faculta um estado de felicidade que se expressa, alterando para melhor os comportamentos de quantos indivíduos participam da convivência com o homem tranquilo.

A paz é como a luz. Tão logo surge, se irradia benéfica, despertando a atenção.

Dinâmica por excelência, atua através da não-violência, resistindo a quaisquer embates de desconcerto exterior.

Não basta, porém, para adquiri-la, desenvolver teses ou discutir métodos. Ela resulta de um pleno entendimento dos valores e finalidades da existência, da predominância do bem sobre as imposições do mal, ensejando satisfação íntima e confiança irrestrita em Deus.

-o-o-

Quem ama a paz, não se opõe, apenas, à guerra. Vive em harmonia com a vida.

Quem cultiva a paz, não toma a defensiva. Irradia a confiança.

Quem vive em paz, não a impõe às demais pessoas Transmite-a em silêncio e ações positivas.

Quem confia na paz, não se precipita. Confia e aguarda com dignidade que ela se estabeleça em volta dos próprios passos.

-o-o-

Demonstrando a tua paz, no momento dos desafios, ela será absorvida por outras pessoas e modificará, inclusive, as circunstâncias em que ocorrem os problemas, como alterará a estrutura das dificuldades.

O homem de paz nunca teme. É integro e confiante, porque sabe que somente lhe acontece o que pode contribuir para a sua real felicidade, dele dependendo como canalizar para esse fim as ocorrências que outros consideram desditosas.

Não se irrita, nunca recua, nem se precipita.

Conhece o caminho a percorrer e segue-o com segurança, com calma.

Não censura, nem estimula paixões.

Valoriza cada pessoa, no seu devido lugar, respeitando-a como criatura em processo de crescimento espiritual e moral.

Ama sempre, em razão de conhecer o poder incontrolável desse sentimento.

Sacrifica-se mas não sacrifica.

Justifica os outros, evitando justificar-se.

É feliz sem exibição.

-o-o-

Tenta começar o teu programa de paz interior, auxiliando a paz no mundo.

Podes e deves fazê-lo.

Se os hábitos interiores te dificultarem a empresa, recorre à oração e à meditação, que constituem elementos fundamentais para lográ-la, a princípio em pequenos espaços de tempo, até que, por fim, te domine completamente.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis 
De “Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco
 

14 agosto 2017

A Obra de André Luiz e a Física Quântica - Carlos A. Baccelli

 

A OBRA DE ANDRÉ LUIZ E A FÍSICA QUÂNTICA


A obra de André Luiz, através de Chico Xavier, em complemento à Codificação Kardeciana, em vários aspectos, gradativamente, vem mostrando quanto se antecipa às modernas conquistas da Ciência, mormente no campo da Física Quântica.

A partir de “Nosso Lar”, em 1943, a nossa concepção de Mundo Espiritual se amplia, consideravelmente, com a revelação da existência de diversas “Esferas Espirituais” que o constituem. Há, inclusive, um estudo muito interessante a respeito, num dos livros editados pela FEB, intitulado “As Sete Esferas da Terra”, de Mário Frigéri, todo ele calcado em André Luiz. Aliás, a referida publicação, em grande parte, se baseia ainda em “Cidade no Além”, publicado pelo IDE, de Araras, através dos médiuns Chico Xavier e Heigorina Cunha, pelos espíritos André Luiz e Lucius, este último, segundo informação de Chico Xavier, pseudônimo de Camille Flammarion.

O que Allan Kardec, genericamente, denomina de Mundo Espiritual, e André Luiz de “Esferas Espirituais”, a Física Quântica vem chamando de “Hiperespaço”. Em “Os Mensageiros”, cap. 15, encontramos na palavra de Aniceto:

“Há, porém, André, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas esferas que se interpenetram. O olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível. A eletricidade e o magnetismo são duas correntes poderosas que começam a descortinar aos nossos irmãos encarnados alguma coisa dos infinitos potenciais do Invisível, mas ainda é cedo para cogitarmos do êxito completo.”

Nas considerações constantes do livro “Cidade no Além”, no cap. IV, “Localização de ‘Nosso Lar’ – Esferas Espirituais”, nos deparamos com preciosa elucidação: “O TRÂNSITO ENTRE AS ESFERAS SE FAZ POR MANEIRAS DIVERSAS. POR ‘ESTRADAS DE LUZ’, REFERIDAS PELOS ESPÍRITOS COMO CAMINHOS ESPECIAIS, DESTINADOS A TRANSPORTE MAIS IMPORTANTE. ATRAVÉS DOS CHAMADOS ‘CAMPOS DE SAÍDA’ QUE SÃO PONTOS NOS QUAIS AS DUAS ESFERAS PRÓXIMAS SE TOCAM. PELAS ÁGUAS, DE SE SUPOR AS QUE CIRCUNDAM OS CONTINENTES” (OCEANOS).

Vejamos agora o que transcrevemos da obra intitulada “Hiperespaço”, de Michio Kaku, professor de Física Teórica no City College da Universidade de Nova York. Graduou-se em Harvard e recebeu o título de doutor em Berkeley:

“NOSSO UNIVERSO, PORTANTO, NÃO ESTARIA SOZINHO, MAS SERIA UM DE MUITOS MUNDOS PARALELOS POSSÍVEIS. SERES INTELIGENTES PODERIAM HABITAR ALGUNS DESSES PLANETAS, IGNORANDO POR COMPLETO A EXISTÊNCIA DE OUTROS.”

“(...) NORMALMENTE, A VIDA EM CADA UM DESSES PLANOS PARALELOS PROSSEGUE INDEPENDENTEMENTE DO QUE SE PASSA NOS OUTROS. EM RARAS OCASIÕES, NO ENTANTO, OS PLANOS PODEM SE CRUZAR E, POR UM BREVE MOMENTO, RASGAR O PRÓPRIO TECIDO DO ESPAÇO, O QUE ABRE UM BURACO – OU PASSAGEM – ENTRE ESSES DOIS UNIVERSOS. (...) ESSAS PASSAGENS TORNAM POSSÍVEL A VIAGEM ENTRE ESSES MUNDOS, COMO UMA PONTE CÓSMICA QUE LIGASSE DOIS UNIVERSOS DIFERENTES OU DOIS PONTOS DO MESMO UNIVERSO”.

No livro “Voltei”, de Irmão Jacob, igualmente psicografado por Chico Xavier (obra de leitura obrigatória para os espíritas!), no capítulo “Incidente em Viagem”, há interessante narrativa que Mário Frigéri sintetiza em “As Sete Esferas da Terra”:

“Havia uma ponte luminosa assinalando a passagem das regiões de treva para as de luz. Um desencarnado do grupo que volitava sob a supervisão e sustentação fluídica de Bezerra de Menezes e do Irmão Andrade, se desequilibrou ante a visão magnífica da nova região e, recordando seus antigos deslizes na carne, passou a gritar:

— Não! não! não posso! eu matei na Terra! Não mereço a luz divina! sou um assassino, um assassino!
Quando seus brados ressoaram lúgubres pelas quebradas sombrias abaixo, outras vozes, parecendo provir de maltas de feras ao pé da ponte, esbravejaram, horríveis:

— Vigiemos a ponte! Assassinos não passam, não passam!”
Corroborando este rápido estudo, atentemos para a palavra l
úcida de Emmanuel, em carta dirigida a César Burnier, em 2 de abril de 1938, recentemente inserida na obra “Um Amor – Muitas Vidas”, de Jorge Damas Martins, da Editora “Lachâtre”: “Não podereis compreender, de pronto, o nosso esforço. Tendes de reconhecer, primeiramente, que o Além não é uma região, e sim um estado imperceptível para a vossa potencialidade sensorial. E entendereis que igualmente nós somos ainda relativos, sem nenhum característico absoluto, irmãos de vossa posição espiritual, em caminho para as outras realizações e conquistas, como vós outros”. (grifamos)

Em suma, a vasta obra que Emmanuel e André Luiz realizaram através de Chico Xavier, em complemento ao Pentateuco, estão a requisitar de nós, espíritas, uma releitura, à luz das modernas conquistas da Ciência, para que possamos mais bem assimilar as inúmeras informações que contêm, muitas vezes em textos que necessitam ser cotejados entre si, à espera de que disponhamos de maturidade espiritual a fim de compreendê-los em sua profundidade reveladora.

Porque permanecem na superfície da palavra, sem visão mais ampla desta ou daquela abordagem, muitos não conseguem atinar com o caráter progressivo da Doutrina, opondo-se, de maneira sistemática, ao que, por outros autores, encarnados ou desencarnados, lhes soa como novidade ou mesmo contrário aos princípios básicos da Terceira Revelação. 

Carlos A. Baccelli

13 agosto 2017

É só querer! - Orson Peter Carrara



É SÓ QUERER!


O exercício da vontade é o agente impulsionador na alteração das circunstâncias e fatos. É preciso ter vontade, querer, modificar estados emocionais depressivos para que todo o panorama interior e exterior comece apresentar os efeitos desse esforço. É comum que nos fechemos em pontos de vista sombrios, fixados no desânimo, na tristeza, no desprezo ou indiferença, na desconfiança ou no descrédito da própria capacidade em vencer obstáculos.

O simples fato de acreditar-se incapaz já é fator determinante de fracasso. A primeira postura é, pois, de confiança em si mesmo.

Acreditar, confiar, pensar de maneira positiva, por sua vez, igualmente é fator determinante para que se alterem as circunstâncias.

O fato de confiar e querer altera nossa maneira de pensar, de ver e analisar os fatos. E isso facilita o andamento melhor dos acontecimentos e a superação dos obstáculos.

Portanto, é só querer. Com um detalhe: é preciso saber querer. Afinal, esse querer tem que ser compatível com o tempo, o bom senso e a lógica. É comum que exageremos nas opiniões; é comum que nos deixemos vencer pela ansiedade, pelo medo ou pela precipitação... Até que uma certa dose de ansiedade e medo são salutares, defendendo-nos. Mas, existem comportamentos ansiosos que são extremamente danosos à serenidade que se busca.

Timidez, medo, complexo de inferioridade ou superioridade, insegurança chegam até a ser comportamentos normais, face à nossa condição humana. Tudo que é novo ou traz mudanças causa isso. O segredo está, porém, na administração da situação para superação desses desafios.

Aceitar-se a si mesmo, amar – principalmente a si mesmo igualmente –, ponderar com critério as situações, analisar com calma, saber esperar, refletir, são as atitudes recomendáveis. Todos somos capazes e detemos potencialidades imensas, interiormente. Mas é preciso querer. Sim, querer desenvolver-se, querer aprender, querer libertar-se do medo, das dependências...

E, ao mesmo tempo, procurar tirar de cada acontecimento, de cada obstáculo, de cada adversidade ou contrariedade, uma lição. Pois sempre há lições.

Por outro lado, renunciar à inveja, esquecer o ciúme. Eles são verdadeiros bloqueadores psicológicos de nossa intensa capacidade.

Fácil? Não, não é fácil. É, todavia, um exercício. Que vai exigir perseverança, determinação, mas cujos resultados trarão equilíbrio e paz interior.

Portanto, se você está triste, cansado, deprimido, analise a situação, busque as razões. Entreviste-se com perguntas claras e respostas honestas. Se está achando que tudo na vida lhe dá errado, reflita com mais atenção e descobrirá muitas vezes as causas na ansiedade, na precipitação, ou até mesmo em sentimentos que são simplesmente dispensáveis e muitas vezes inúteis. Já será meio caminho para recuperar-se.

Se você está bem, espalhe sua alegria, contagie o ambiente com o otimismo e estenda suas mãos para aqueles estão vivendo momentos de dificuldades. Com isso estaremos melhorando o ambiente do planeta...

Espalhar alegria e esperança e melhorar nosso ambiente familiar ou profissional também é só querer...


Orson Peter Carrara


12 agosto 2017

Quando Divaldo Franco desencarnar - Morel Felipe Wilkon

 
 QUANDO DIVALDO FRANCO DESENCARNAR

Divaldo Pereira Franco é um dos maiores nomes do Espiritismo – e o maior espírita em atividade.

Divaldo é o responsável por uma obra considerável: muitos livros, muitas palestras e conferências e uma obra assistencial de vulto.

Nós sabemos que o Divaldo não é mais um menino e que, como todos nós, vai morrer.

Antes que você me corrija, eu estou falando em morrer, mesmo; não em desencarnar. Eu espero que quando chegar a hora do Divaldo, ele morra – que a personagem construída por ele morra.

Eu explico.

A tendência para quase todos nós, espíritos apegados à matéria, quando o corpo físico morre, é nós desencarnarmos, ou seja, nos desligarmos da carne, mas permanecermos assumindo a mesma personalidade que construímos em nossa última reencarnação.

É isso que nós vemos nas mensagens dos espíritos – eles se apresentam, na maioria das vezes, com o nome, a aparência física e as mesmas características que tinham enquanto estavam encarnados.

Eu acredito que Chico Xavier tenha seguido o seu caminho e se desligado dos problemas mundanos. Chico avisou que a sua existência ele estava doando ao próximo, mas que a sua morte, ou seja, a sua vida depois da morte pertencia a ele. Por isso eu não acredito em nenhuma mensagem atribuída a Chico Xavier – nem em sinalzinho, senhazinha, três palavrinhas que iriam identificar supostas comunicações de Chico Xavier. Nada disso.


Nós temos o curioso exemplo de Bezerra de Menezes, falecido há mais de cem anos e que continua, segundo alguns, a atuar no Movimento Espírita. Isso, para mim, tem cheiro de apego ao poder.
Espero que isso não aconteça com o Divaldo. Que o Divaldo dê por encerrada a sua missão aqui e siga o seu caminho.

Mas o meu temor não é a respeito do que o Divaldo possa fazer ou deixar de fazer. O problema é o que os espíritas vão fazer com ele!
Eu espero e peço a Deus que o Divaldo não tenha nenhum Geraldinho.

Eu não tenho nada contra o Geraldo, pelo contrário, mas nós não precisamos de ninguém para contar “causos do Divaldo” – já chega os causos do Chico!

Eu sei que eu posso parecer antipático e até insensível ao me referir dessa forma aos casos contados sobre a vida de Chico Xavier.

Mas, pelo amor de Deus, isso não é assunto para ser tratado em centro espírita, isso não é assunto relevante para a Doutrina, isso não tem nada a ver com o propósito da Doutrina!

Estamos transformando Chico Xavier num mito, numa figura acima do bem e do mal, sem erros, sem falhas – tem gente aqui, no meu canal no Youtube, que diz que o Chico era infalível!

Veja a que ponto nós chegamos!

Recebemos de Kardec uma Doutrina que nos possibilitava a investigação de fenômenos, a busca pela verdade, a ampliação do nosso alcance mental – e vamos repassar para as novas gerações uma religião cheia de personalismos, dogmas e crenças limitadoras!
Quando atribuímos poderes extraordinários a uma pessoa, nós estamos abrindo mão da nossa capacidade de desenvolver grandes poderes.

Quando o Divaldo desencarnar não sobrará nenhum grande nome popular no Movimento Espírita. Quando o Chico desencarnou ficou o Divaldo. Quando o Divaldo for não terá mais ninguém para ocupar o vazio no Espiritismo popular. O caminho vai estar livre para mais um mito!

A FEB vem envidando todos os esforços para fazer do Haroldo Dutra Dias o seu garoto-propaganda. E não podemos esperar nada de diferente do Haroldo – se depender dele, Chico e Divaldo serão consolidados como mitos no imaginário popular espírita. Isso é profundamente lamentável!

– Qual é o problema de transformar um homem num mito?

São vários problemas.

Em primeiro lugar, nós temos a tendência de evitar a fadiga. Se nós não somos impelidos ao esclarecimento, nossa tendência é permanecer estagnados esperando consolo para as nossas dores. E a transformação de homens em mitos, como é o caso do Chico, com a proliferação de “causos do Chico”, não ajuda em nada no nosso processo de esclarecimento – pelo contrário: é uma distração momentânea que nos prende à zona de conforto; temos a impressão de que estamos tratando de uma outra espécie, de um ser superior, que de nada adiantam nossos esforços porque jamais seríamos capazes de fazer o que eles fizeram.

Em segundo lugar, quando nós tomamos pessoas como modelo, nós abraçamos erros e acertos dessas pessoas. Chico teve muitos acertos. Muito mais acertos do que erros. Mas também teve erros, e erros graves. Divaldo tem muito acertos. Muito mais acertos do que erros. Mas também comete erros, e esses erros não devem ser copiados.

Chico e do Divaldo devem ser respeitados e admirados como homens esforçados e trabalhadores incansáveis a serviço do bem – mas longe de serem infalíveis.

Quando Divaldo desencarnar o Movimento Espírita vai ficar órfão. O Movimento Espírita é um movimento religioso igrejista, e não foi preparado para sobreviver sem um grande líder.

Ou nós voltamos a pensar com as nossas próprias cabeças, questionando, buscando respostas e acima de tudo experimentando – ou estaremos condenados a ser mais uma seita cristã: a mais esdrúxula das seitas cristãs, que não acredita só na Bíblia cegamente, mas que acredita cegamente em mais ou menos uns mil livros espíritas.

O Espiritismo que nós conhecemos, que a minha geração conheceu, é um Espiritismo religioso. Nada contra, mas se isso teve razão de ser, já não tem mais razão de ser. Vou pegar o exemplo do Haroldo de novo, já que ele é o garoto-propaganda da FEB. Fazer palestra de apelo emocional contando causos baseados no Evangelho – isso não é Espiritismo – isso o Marcos Feliciano faz melhor que o Haroldo. Isso o Caio Fábio fazia melhor que o Haroldo. Não precisamos de contadores de causos, mesmo que esses causos sejam baseados no Evangelho, mesmo que esses causos tenham uma “moral da história”. Moral da história tem até nos filmes da Barbie que eu assisto com a minha filha Sofia.

Eu espero e peço a Deus que quando o Divaldo morrer aja um retorno às origens do Espiritismo. Vamos rever Kardec, vamos ver o que nos serve e o que não nos serve da obra de Kardec, vamos discutir os erros de Kardec, e vamos trazer a Doutrina para a realidade de hoje. A Doutrina precisa ser arejada. Muitas coisas novas foram descobertas, nós temos muito mais informações do que Kardec tinha no seu tempo.

– Você sabia que eu sei mais do que Kardec?

Sim, é isso mesmo que você ouviu: Eu sei mais do que Kardec!

Agora os fãs do Divaldo vão à loucura! Já não bastava colocar em dúvida os santos Chico e Divaldo, agora ele está dizendo que sabe mais do que Kardec. É a prova que faltava de que ele está obsediado!

Não estou, não!

Eu devo repetir mais uma vez que eu tenho um enorme respeito pelo Chico e pelo Divaldo. Tanto respeito que eu quero que eles sejam lembrados exatamente como foram.

E quanto a saber mais do que Kardec, isso é apenas uma constatação óbvia.

Kardec esteve envolvido com o Espiritismo durante uns 14 anos. Não sabia nada quando começou. Não teve quase ninguém com quem aprender. Não teve tempo de revisar sua obra. Não teve outras obras sólidas para consultar.

Eu estudo o Espiritismo há mais de 20 anos. Quando eu comecei meus estudos eu já tinha noções de Espiritismo porque as noções de Espiritismo estão espalhadas pelo Brasil. Eu tive grandes mestres com quem aprender, inclusive e em primeiro lugar o próprio Kardec. Eu tenho tempo de revisar a obra de Kardec e outras obras espíritas, analisando-as internamente e em comparação umas com as outras. Eu tenho virtualmente todo o conhecimento da Doutrina disponível para mim na internet.

Qualquer pessoa com razoável conhecimento do Espiritismo sabe tanto ou mais que Kardec. Não é nenhuma afronta dizer isso. Qualquer estudante de física sabe mais do que Newton, qualquer fabricante de lâmpadas sabe mais sobre lâmpadas do que Thomas Edison, que faz mais de mil experimentos até chegar à lâmpada incandescente.

Nós sabemos mais porque nos aproveitamos das experiências dos que nos antecederam e das nossas próprias experiências. Por isso nós temos o dever de ir adiante. Reduzir o Espiritismo a um movimento igrejista é um desrespeito com o trabalho de Kardec.

– Você ficou contrariado por eu ter me referido à morte do Divaldo?

Pois não devia. Ele mesmo já se referiu algumas vezes ao seu futuro desencarne. E não há nada mais natural na vida do que a morte. Nós não passamos tanto tempo lendo sobre a morte?

Antes que fique a dúvida: eu não considero, de jeito nenhum, que o Espiritismo se resuma a Kardec. Quando eu proponho voltar a Kardec eu quero dizer que temos que retomar o ponto de partida e buscar um novo rumo. Construímos muitas crenças – temos que nos livrar disso.

 Morel Felipe Wilkon